Como conversar com a criança sobre amizade depois de um dia difícil

Em alguns dias a criança passa pela porta com uma nuvem em cima da cabeça: uma briga com um amigo, uma brincadeira que deu errado, a sensação de ter ficado de fora. O jeito como você conversa com a criança sobre amizade depois de um dia difícil define não só se ela vai se sentir melhor hoje à noite, mas também se ela vai aprender a trazer as preocupações dela para você nos próximos anos. A boa notícia é que as conversas mais úteis costumam ser as mais delicadas.

Escolha o momento

O instante em que a criança entra em casa raramente é o momento de destrinchar o que aconteceu. Cansada, com fome e ainda cheia de sentimento, a maioria das crianças precisa descomprimir antes de conseguir conversar. Um lanche, um abraço e um pouco de silêncio muitas vezes fazem mais do que uma fila de perguntas. Muitas crianças se abrem de lado, no banho, no carro, na hora de dormir, quando a pressão de ser perguntada já passou. Deixe a conversa chegar até você, em vez de forçar.

Comece pelo sentimento

Quando a criança contar, resista à vontade de investigar os fatos ou resolver logo. Comece recebendo a emoção: "Parece que foi um dia muito difícil. Sinto muito que tenha sido assim." A criança que se sente compreendida se acalma muito mais rápido do que a que ouve "o que você fez?" ou "ué, por que você não...". Consolar não é o contrário de resolver problemas, é a porta de entrada. Nada útil passa enquanto o sentimento não for ouvido.

Pergunte e depois escute

Quando a criança estiver mais calma, algumas perguntas abertas e suaves ajudam a dar sentido ao dia. O segredo é manter a curiosidade, sem conduzir:

  • "Você quer me contar o que aconteceu?"
  • "Como você se sentiu com isso?"
  • "O que você acha que o seu amigo estava sentindo?"
  • "Qual foi a parte mais difícil?"
  • "Tem alguma coisa que você queira fazer sobre isso?"

Depois, escute de verdade. Evite pular com as suas próprias conclusões, apontar um vilão ou reescrever a história para fazer da criança a heroína. O seu papel é ajudar a criança a pensar, e não entregar um veredito. Muitas vezes, só falar sobre o assunto já basta para uma criança pequena deixar o dia para trás.

Ofereça perspectiva, com leveza

A criança pensa em absolutos, então uma única tarde ruim pode parecer o fim de uma amizade ou prova de que ninguém gosta dela. Dá para ampliar o quadro com delicadeza, sem descartar o que ela sente. "Até amigos muito bons têm dias em que brigam. Isso não quer dizer que a amizade acabou." Contar um exemplo pequeno e honesto da sua vida também pode ajudar, mostrando que os tropeços da amizade são normais e passam, e não uma falha pessoal.

Oriente, sem resgatar

É tentador resolver tudo: ligar para os pais do outro, entrar em cena e arrumar a situação. Às vezes um toque leve ajuda, mas na maior parte das vezes a criança cresce mais descobrindo o próprio próximo passo com o seu apoio. Ajude a criança a pensar: ela poderia pedir desculpas, propor começar de novo amanhã ou tentar outra brincadeira? A criança que sai da conversa com uma pequena ideia escolhida por ela se sente mais capaz do que a que só ouviu que ia ficar tudo bem.

Mantenha a porta aberta

O jeito como você conduz essas conversas ensina à criança se você é uma pessoa segura para trazer problemas. Mantenha a calma, evite reagir exageradamente ou fazer a situação parecer maior do que é e nunca castigue a criança pela dificuldade na amizade em si. Se você recebe a história de um dia difícil com pânico ou julgamento, ela aprende a parar de contar. Se recebe com carinho e firmeza, ela continua voltando, o que importa muito conforme os dramas de amizade da infância mais avançada ficam mais complicados.

Equilibre os dias difíceis com os bons

Um dia difícil não é a história inteira, e ajuda continuar reparando nos bons momentos também. Fale do amigo com quem a criança riu, da coisa gentil que ela fez, da brincadeira que deu certo. Isso impede que uma tarde ruim pinte toda a visão que a criança tem da própria vida social e evita que as conversas sobre amizade virem só conversas sobre problemas.

Quando olhar um pouco mais de perto

Os altos e baixos comuns das amizades fazem parte de crescer e costumam passar. Pode valer uma conversa com o pediatra ou com a professora se os dias difíceis forem frequentes e persistirem por semanas, se a criança parecer realmente para baixo, ansiosa ou sem vontade de ir à creche ou à escola, se houver sinais de maldade deliberada ou contínua por parte de outras crianças ou se a chateação vier junto com outras preocupações com o humor ou o desenvolvimento. São sinais para uma conversa de apoio e ajuda cedo, e não motivo de alarme.

Para levar com você

Para conversar com a criança sobre amizade depois de um dia difícil, dê tempo para ela descomprimir, comece pelo sentimento e não pelos fatos e faça perguntas abertas e suaves antes de escutar com atenção. Ofereça perspectiva com leveza, oriente um pequeno próximo passo em vez de correr para resgatar e, acima de tudo, mantenha a porta aberta com calma e carinho. Assim, um dia difícil vira não só algo a atravessar, mas uma chance de a criança se sentir mais perto de você e um pouco mais capaz nas amizades.

Para guardar: Dê tempo para a criança se acalmar, receba o sentimento antes dos fatos e oriente um pequeno próximo passo, em vez de resolver por ela.

NHS, Help your child manage their feelings

UNICEF, How to talk to your children about bullying