Criança excluída nas brincadeiras, ou que exclui alguém: o que fazer

"Você não pode brincar, é só para a gente." Ouvir essas palavras incomoda, venham elas da sua criança ou sejam dirigidas a ela. A exclusão é uma das partes mais precoces e dolorosas da vida social, e começa cedo. Saber o que fazer com uma criança excluída nas brincadeiras, ou com uma criança que exclui alguém, e fazer isso com calma, e não num rompante de vergonha ou raiva, ajuda as crianças a aprender a ser mais gentis e mais resilientes ao mesmo tempo.

Primeiro, entenda por que acontece

Crianças pequenas excluem outras por motivos que raramente são tão cruéis quanto parecem. Muitas vezes estão só protegendo uma brincadeira a todo vapor, com medo de que alguém novo atrapalhe. Às vezes é falta de jeito social, uma criança que ainda não sabe como abrir a brincadeira. De vez em quando é uma busca por poder ou uma frase copiada que ela nem entende direito. Só às vezes é maldade deliberada. Descobrir o motivo ajuda você a responder ao que está realmente acontecendo, e não ao seu pior medo.

Quando é a sua criança que exclui

Se é a sua criança que está deixando alguém de fora, mantenha a calma e evite envergonhar a criança na frente de todos, o que geralmente provoca defesa, e não reflexão. Trate do assunto com simplicidade e gentileza e aposte na empatia, e não no castigo:

  • Diga o que aconteceu sem fazer cena: "Parece que a Sofia queria entrar."
  • Estimule a perspectiva: "Como você acha que ela se sentiu parada ali?"
  • Diga com clareza o que a sua família espera: "Na nossa família, a gente tenta deixar os outros entrarem."
  • Ofereça um jeito prático de incluir: "Ela podia ser a cliente da sua vendinha?"
  • Repare e elogie os momentos de inclusão quando acontecerem.

A meta não é obrigar a criança a brincar com todo mundo o tempo todo, e sim construir o hábito de perceber quando alguém ficou de fora e escolher a gentileza. Isso é uma habilidade, e habilidades crescem com orientação suave e repetida, e não com uma bronca isolada.

Respeite também os limites reais

Existe um equilíbrio a encontrar. A criança tem direito a ter preferências, amizades próximas e uma brincadeira a dois de vez em quando, e obrigar uma criança a incluir todo mundo em tudo não é realista nem saudável. A linha que vale ensinar fica entre ter um momento reservado com um amigo e deixar alguém de lado de propósito, repetidas vezes. Você pode proteger o direito da criança a alguma brincadeira exclusiva e ainda esperar gentileza básica e nenhuma crueldade deliberada.

Quando é a sua criança que fica de fora

Se a sua criança está do lado de quem é excluído, console primeiro e mantenha a sua reação firme. Dê nome à dor: "Foi horrível ouvir que você não podia brincar." Depois, com ela mais calma, amplie o olhar com delicadeza, para que uma única recusa não vire prova de que ninguém gosta dela. Grupos de crianças pequenas muitas vezes só estão protegendo uma brincadeira, e não fazendo um julgamento duradouro. Ajude a criança a pensar num próximo passo: tentar de novo mais tarde, procurar uma criança mais receptiva ou começar uma atividade dela, à qual outras podem se juntar.

Treine as habilidades, e não só o momento

Seja qual for o lado da criança, as habilidades por baixo são as mesmas: ler o que os outros sentem, entrar e acolher e lidar com um não. Treinem em casa com faz de conta e histórias. Leiam livros sobre ser incluído e ficar de fora, conversem sobre o que os personagens sentem e ensaiem frases simpáticas para entrar e para receber. A criança que tem palavras tanto para pedir para entrar quanto para convidar alguém está muito mais preparada do que a que só ouve "seja boazinha".

Mostre a inclusão na prática

A criança aprende empatia principalmente observando a gente. Deixe que ela veja você acolher as pessoas, perceber quando alguém está na beirada de um grupo e falar dos outros com gentileza. Quando você chama para a conversa a criança com quem ninguém está falando, ou inclui com delicadeza um parente tímido num encontro de família, está ensinando mais do que qualquer sermão ensinaria. O seu exemplo diário de acolhimento é a lição de inclusão mais forte que a criança vai ter.

Quando buscar mais apoio

Um pouco de exclusão é uma parte normal, ainda que dolorosa, da infância. Vira assunto para os adultos quando é deliberada, repetida e dirigida a uma criança só, o que entra no território do bullying. Converse com a creche ou a escola, com calma e com fatos, se a criança estiver sendo deixada de fora de forma persistente ou estiver excluindo repetidas vezes apesar dos seus esforços, se houver sinais de angústia, como resistência a ir, desânimo ou ansiedade, ou se o padrão vier junto com outras preocupações com o comportamento ou o desenvolvimento. O apoio precoce e combinado entre a casa e a escola funciona melhor.

Para levar com você

Saber o que fazer com uma criança excluída nas brincadeiras começa por manter a calma e entender por que está acontecendo, já que a maior parte da exclusão nessa idade é desajeitada, e não cruel. Se a sua criança está excluindo, oriente a empatia e ofereça um jeito prático de incluir, respeitando o direito dela a alguma brincadeira próxima e reservada. Se a sua criança está de fora, console primeiro e ajude a encontrar um próximo passo. Ensine as habilidades por baixo, mostre a inclusão na prática e envolva a escola quando a exclusão virar algo deliberado e repetido.

Para guardar: A maior parte da exclusão nessa idade é desajeitada, e não cruel. Oriente a empatia e os gestos de inclusão, console a criança que ficou de fora e envolva a escola se isso virar algo deliberado e repetido.

UNICEF, How to talk to your children about bullying

American Academy of Pediatrics, The Power of Play