Criança mandona nas brincadeiras: o que fazer sem apagar a faísca

"Você é o cachorro. Não, senta ali. Fala assim. Não, você está fazendo errado." Se isso parece a sua criança comandando um encontro para brincar como uma pequena diretora determinada, saiba que isso acontece em muitas casas. Muitas crianças confiantes e criativas assumem o comando das brincadeiras de um jeito que pode deixar os colegas murchos. A verdade encorajadora é que o jeito mandão muitas vezes é liderança sem acabamento, e dá para lapidar, em vez de envergonhar.

O que está acontecendo de verdade

Quando a criança é mandona nas brincadeiras, isso geralmente vem de algo positivo no volume alto demais. Crianças que dirigem as brincadeiras costumam ter ideias vivas, preferências fortes e uma imagem clara na cabeça de como as coisas devem ser. O que falta, por enquanto, é a flexibilidade para segurar o plano com leveza e a perspectiva para perceber o rosto do amigo murchando. Elas não estão tentando ser maldosas. Só ainda não aprenderam que uma brincadeira pertence a todos que estão nela.

Observe antes de corrigir

Antes de entrar, observe um pouco. A criança está passando por cima, ou a outra criança está topando feliz? Algumas crianças curtem de verdade ser organizadas por um amigo cheio de ideias, e nem todo momento de comando precisa de um adulto. A hora de agir é quando um colega parece de saco cheio, tenta mudar a brincadeira e é sempre vencido, ou vai se afastando. Reagir a esses sinais, e não a cada instrução, mantém a sua orientação justa.

Ensine flexibilidade, e não silêncio

A meta não é deixar a criança quieta ou tímida. É somar ao impulso natural dela o hábito de dividir as ideias. Alguns movimentos suaves ajudam:

  • Pergunte a opinião da outra criança: "Do que você quer brincar?"
  • Aponte o padrão com carinho: "Você escolheu as últimas três brincadeiras."
  • Ofereça trocas: "A sua ideia, depois a ideia dele."
  • Ensine a perguntar em vez de mandar: "Você quer ser o vendedor?"
  • Mostre os sinais: "Olha a cara do Theo. Ele está se divertindo?"

Transformar ordem em pergunta é uma mudança pequena com um efeito grande. "Você é o bebê" chega de um jeito muito diferente de "você quer ser o bebê?". Treinem a forma de pergunta em casa, nas brincadeiras de faz de conta, para que vire um hábito que a criança possa usar quando a brincadeira esquentar e o velho instinto de comandar voltar com tudo.

Ajude a criança a ler o ambiente

A criança mandona muitas vezes não percebe o retorno que naturalmente a seguraria. Por um tempo, você pode fazer essa tradução. Aponte baixinho a expressão ou a postura de um amigo: "Ela está dizendo que quer a vez de escolher." Pensar em voz alta também ajuda: "Fico pensando como é quando alguém diz exatamente o que você tem que fazer." Você não está envergonhando a criança, está emprestando a perspectiva que ela ainda não alcança sozinha.

Dê um destino a esse impulso

A criança com uma vontade forte de organizar precisa de saídas, senão a vontade simplesmente reaparece. Deixe que ela lidere de jeitos justos e organizados: escolher a brincadeira dos primeiros dez minutos, ficar responsável por montar o cenário ou dirigir uma peça em que você topa atuar. Quando a liderança dela tem uma casa de verdade, ela sente menos necessidade de tomar o controle de toda brincadeira compartilhada. Elogie com carinho a versão cooperativa: "Você perguntou do que ela queria brincar, e vocês duas se divertiram."

Cuide das suas próprias respostas

É fácil corrigir demais uma criança mandona, soltando um "para de ser mandona" na frente do amigo. Essa palavra arde e raramente ensina a habilidade que está por baixo. Mire numa orientação calma e específica sobre o que fazer diferente: "Vamos descobrir do que o Leo quer brincar também." Mostre o revezamento na vida da sua família e deixe a criança ver adultos dividindo decisões, em vez de uma pessoa sempre ganhando. A criança absorve o padrão em que vive.

Mantenha expectativas realistas

A criança pequena ainda está desenvolvendo a capacidade de se colocar no lugar do outro, da qual a brincadeira flexível depende, então o progresso vem aos trancos. A criança de quatro anos que conseguiu pedir com jeito na terça pode virar comandante total na quinta, principalmente cansada ou agitada demais. Procure a tendência ao longo das semanas, comemore os pequenos momentos de cooperação e espere que as brincadeiras mais agitadas e emocionantes sejam onde o controle mais escapa. Isso é normal, e não sinal de que as lições não estão chegando.

Quando olhar um pouco mais fundo

Brincar no comando geralmente é só uma fase que responde a uma orientação delicada. Pense numa conversa com o pediatra ou com a professora de referência da creche se o padrão for extremo e persistente em todos os ambientes, se a criança parecer realmente incapaz de perceber ou de se importar com os sentimentos dos outros apesar de muito apoio, se o comportamento controlador virar agressividade frequente ou se os colegas sempre evitarem a criança e ela não conseguir se adaptar de jeito nenhum. São deixas para orientação e ideias, e não um veredito, e a maioria das crianças só precisa de tempo e de exemplos constantes.

Para levar com você

Quando a criança é mandona nas brincadeiras, trate isso como uma liderança que precisa de polimento, e não como um defeito a ser apagado. Ensine a perguntar em vez de mandar, ajude a criança a ler os sinais do amigo, dê saídas justas ao impulso dela e mantenha as suas respostas calmas e específicas. Com paciência, aquela diretora determinada vira uma criança com quem os outros querem brincar, ainda cheia de ideias, mas generosa com elas também.

Para guardar: O jeito mandão muitas vezes é liderança sem flexibilidade. Ensine a perguntar em vez de mandar, ajude a criança a ler os rostos e dê saídas justas ao impulso dela.

American Academy of Pediatrics, The Power of Play

CDC, Positive Parenting Tips for preschoolers