"Ninguém brincou comigo": o que dizer quando a criança chega assim
Poucas frases pesam tanto quanto esta no fim de um dia de creche ou de escola. Quando a criança diz "ninguém brincou comigo", o instinto dos pais costuma ser sentir o coração afundar e, em seguida, pular para resolver. Antes de fazer qualquer uma das duas coisas, ajuda saber que essa frase é comum, muitas vezes mais suave do que parece, e uma abertura para a conexão, e não uma crise a resolver na hora.
Primeiro, respire você
A criança está olhando o seu rosto tanto quanto ouvindo as suas palavras. Se você reage com alarme, ensina que isso é um desastre. Se mantém o carinho e a firmeza, mostra que é um sentimento administrável que vocês podem encarar juntos. Então, antes de qualquer coisa, acalme a sua própria reação. Um adulto calmo é a coisa mais útil do ambiente nesse momento.
O que as palavras costumam querer dizer
A criança pequena fala em absolutos e a partir do sentimento da lembrança mais recente. Quando a criança diz "ninguém brincou comigo", isso pode querer dizer muitas coisas: um momento solitário no recreio, um amigo que estava ocupado, uma brincadeira em que ela não conseguiu entrar ou simplesmente um cérebro cansado pegando a palavra maior que tinha à mão. Raramente quer dizer, ao pé da letra, ninguém, o dia inteiro. Ter isso em mente evita reagir demais a uma frase que pode descrever dez minutos, e não o dia todo.
Comece pelo consolo, e não pelas perguntas
A sua primeira resposta deve ser sobre o sentimento, e não sobre os fatos. Experimente algo como: "Parece que você se sentiu sozinha. Que bom que você me contou." Resista à vontade de interrogar na hora ou de pular para soluções. A criança que se sente ouvida se abre muito mais do que a que recebe uma rajada de perguntas ou um apressado "ué, por que você não...". Consolo primeiro, curiosidade depois.
Depois, abra a conversa com delicadeza
Quando a criança se sentir compreendida, dá para explorar com perguntas carinhosas e que não induzem a resposta:
- "Do que você estava com vontade de brincar hoje?"
- "Quem estava perto de você no recreio?"
- "O que você fez no lugar?"
- "Tem sido assim faz tempo, ou foi só hoje?"
- "O que teria deixado o dia melhor?"
Essas perguntas fazem dois trabalhos. Ajudam você a avaliar se é algo isolado ou um padrão e ajudam a criança a pensar sobre o assunto, em vez de ficar parada na ferroada. Escute mais do que fala e evite colocar palavras na boca da criança ou apontar um vilão antes de entender o que aconteceu de verdade.
Ajude a criança a construir as próprias ferramentas
Em vez de resolver por ela, oriente a criança rumo aos próprios movimentos para a próxima vez. Dependendo da idade, isso pode ser treinar como perguntar "posso brincar?", identificar uma criança que costuma ser simpática ou pensar numa brincadeira em que é fácil entrar. Encenem isso em casa, de um jeito leve e brincalhão. A criança que sai da conversa com uma pequena ideia para tentar se sente muito mais esperançosa do que a que só ouviu para não se preocupar.
Decida quando e como entrar
Na maior parte do tempo, uma orientação delicada e um pouco de tempo bastam. Às vezes uma mão leve de adulto ajuda: marcar um encontro a dois com um possível amigo pode fazer maravilhas, porque as amizades muitas vezes florescem em ambientes calmos, com duas crianças, e não na confusão de um grupo grande. Se o padrão parecer continuar, uma palavra tranquila e objetiva com a creche ou a escola ajuda você a saber o que a equipe observa, já que o relato das crianças e a observação dos adultos às vezes diferem. Encare como juntar informação, e não como buscar culpados.
Mantenha a perspectiva e o carinho
Um único dia difícil não é um veredito sobre toda a vida social da criança, e as amizades nessa idade vão e vêm de uma semana para outra. Continue reparando e comentando os bons momentos também: "Ontem você me contou que brincou com o Gabriel." Equilibrar os relatos difíceis com os felizes do dia a dia impede que uma frase pesada vire o quadro inteiro, na sua cabeça ou na da criança.
Quando olhar um pouco mais de perto
A solidão de vez em quando faz parte da infância, mas alguns padrões merecem um olhar mais atento e calmo. Pense em conversar com o pediatra ou com a professora se os relatos de ter ficado de fora forem frequentes e persistirem por semanas, se a criança parecer realmente para baixo, ansiosa ou sem vontade de ir à creche ou à escola, se houver sinais de maldade ou exclusão deliberada por parte de outras crianças ou se a dificuldade vier junto com outras preocupações com a comunicação ou o desenvolvimento. São motivos para uma conversa de apoio, e uma ajuda cedo muitas vezes impede que um pequeno padrão se instale.
Para levar com você
Quando a criança diz "ninguém brincou comigo", responda primeiro com consolo calmo, depois com curiosidade suave e, por fim, com uma pequena ideia prática para tentar da próxima vez. Leia as palavras como um sentimento a ser recebido, e não como um fato a ser consertado, mantenha a sua reação firme e conte com encontros a dois e conversas tranquilas com a escola quando o padrão parecer real. A maioria dos momentos de solidão passa, e a sua presença carinhosa e sem pânico é do que a criança mais precisa.
Para guardar: Console o sentimento antes de correr atrás dos fatos, mantenha a sua reação calma e ajude a criança a sair da conversa com uma pequena ideia para tentar.