Como ensinar a criança a falar consigo mesma com gentileza

Preste atenção quando a criança empaca em alguma coisa e talvez você ouça escapar o comentário que corre na cabeça dela. "Eu sou péssimo nisso." "Eu sempre erro." "Ninguém gosta de mim." Essa voz interna, o jeito como a criança fala consigo mesma, tem um efeito real em como ela lida, insiste e se recupera. Cultivar um diálogo interno positivo nas crianças não é forçar uma alegria de mentira. É ajudar a criança a construir uma voz mais gentil e mais realista, que apoia quando as coisas ficam difíceis.

Por que a voz interna importa

Todos nós temos um fluxo de fala interna correndo ao longo do dia, e com as crianças não é diferente. Quando essa voz é dura, "eu não faço nada direito", ela suga a motivação e alimenta a ansiedade e a tristeza. Quando é encorajadora e realista, "isso é difícil, mas eu posso continuar tentando", ajuda a criança a manter a calma, insistir e se recuperar dos tropeços.

A criança pequena ainda está formando essa voz interna, e boa parte dela vem emprestada dos adultos em volta. Isso é ao mesmo tempo uma responsabilidade e uma oportunidade, porque as palavras que a criança ouve de você hoje muitas vezes viram as palavras que ela diz para si amanhã.

Comece pelas suas palavras

Antes de ensinar qualquer coisa, repare em como você fala, com a criança e sobre si. Se você resmunga "sou muito burro" ou "muito burra" quando erra, a criança arquiva isso como o jeito normal de reagir ao erro. Se, em vez disso, você diz "Ops, não deu certo, deixa eu tentar de outro jeito", mostra exatamente o diálogo interno que quer que ela adote.

Fale também com a criança na voz que você espera que vire a dela. Palavras carinhosas, encorajadoras e pacientes tendem a ser internalizadas. As duras e humilhantes podem ecoar por anos. Você é, na prática, o primeiro rascunho da voz interna dela.

Perceba e reformule a voz dura com delicadeza

Quando ouvir a criança sendo cruel consigo mesma, não se limite a contradizer com um "claro que você é bom nisso", que pode soar como pouco caso. Em vez disso, reconheça o sentimento e depois ajude a encontrar um pensamento mais verdadeiro e mais gentil.

  • Criança: "Eu desenho muito mal." Você: "Dá raiva quando não fica do jeito que você imaginou. Talvez você ainda esteja aprendendo essa parte."
  • Criança: "Eu não consigo." Você: "Você ainda não consegue. Qual pedacinho a gente pode tentar primeiro?"

Isso ensina a criança a questionar a voz dura sem fingir que tudo é fácil. Realista e gentil ganha de animado o tempo todo. Um bom diálogo interno positivo soa verdadeiro, não como slogan.

Realista, não de mentira

Frases de efeito exageradas como "eu sou o melhor em tudo" podem soar ocas e até sair pela culatra, porque a criança sabe que não é verdade. Ajudam mais frases sinceras, focadas em lidar, em que a criança consiga acreditar:

  • "Isso é difícil, mas coisas difíceis ajudam o meu cérebro a crescer."
  • "Eu já fiz coisas difíceis antes."
  • "Eu posso pedir ajuda se precisar."
  • "Todo mundo erra, e tudo bem."

Essas frases dão à criança algo firme para segurar num momento instável, sem pedir que ela minta para si mesma. Vocês podem escrever ou desenhar juntos as favoritas num cartão, para estarem prontas quando precisar.

Pratique nos momentos calmos

Como qualquer habilidade, o diálogo interno cresce com ensaio, e a hora de ensaiar não é no meio de uma crise. Nos momentos tranquilos, brinquem com isso. Leiam histórias e pensem no que o personagem poderia dizer para si para ficar mais corajoso. Inventem juntos um "pensamento de coragem" para uma situação que a criança acha difícil, como começar na escolinha ou descer o escorregador grande. Quanto mais conhecidos esses pensamentos forem, mais chance de aparecerem quando as coisas apertarem.

Dá para deixar isso divertido também. Um fantoche corajoso que diz "eu consigo fazer coisas difíceis" ou o grito de guerra de um herói carregam a mesma mensagem com menos seriedade, e as crianças menores muitas vezes preferem assim.

Repare e dê nome à voz boa

Quando pegar a criança se encorajando, jogue luz nisso. "Ouvi você dizer que ia tentar de novo. Que coisa boa de dizer a si." Isso reforça o hábito e ajuda a criança a reconhecer a própria força interna. Com o tempo, ela passa a ouvir com mais clareza a voz gentil e a buscar essa voz de propósito.

Quando o diálogo interno continua muito negativo

Um pensamento pessimista de vez em quando é normal, principalmente quando a criança está cansada ou teve um dia ruim. Vale conversar com o pediatra ou com a escola da criança se o diálogo interno negativo for frequente, intenso e persistente, se incluir frases duradouras de que ela não vale nada ou de falta de esperança, se vier com tristeza, ansiedade ou isolamento, ou se não melhorar com o tempo. Um diálogo interno duro e persistente pode ser sinal de que a criança precisa de um pouco mais de apoio, e buscar ajuda é um passo cuidadoso e sensato.

O presente que você está dando

Você não está buscando uma criança que recita frases positivas na deixa. Está ajudando a criança a construir uma companhia interna sincera, encorajadora e gentil, que diz "isso é difícil e eu dou conta" em vez de "eu não sirvo para nada". Cultivado com paciência pelo seu exemplo e por pequenos incentivos no dia a dia, o diálogo interno positivo vira uma fonte silenciosa de resiliência para a vida toda, presente em cada desafio futuro muito depois de você ter parado de lembrar.

Para guardar: Mostre como falar consigo com gentileza, reformule com delicadeza os pensamentos duros da criança em frases realistas e pratique nos momentos calmos, para uma voz interna de apoio estar pronta quando precisar.

NHS, Children's mental health

CDC, Positive Parenting Tips