Como ajudar a criança a lidar com a frustração
A peça do jogo não encaixa. A meia não entra. A torre cai pela quarta vez. E de repente a criança está no chão, vermelha, berrando. A frustração é um dos primeiros sentimentos fortes que a criança conhece, porque ela quer fazer muito mais do que as mãos pequenas e o cérebro em formação conseguem por enquanto. Ajudar a criança a lidar com a frustração começa por entender que todo esse calor nasce da distância entre querer e conseguir.
Por que a frustração pega tão forte
A capacidade de uma criança pequena de planejar, esperar e resolver problemas ainda está em construção. A parte do cérebro que ajuda a fazer uma pausa e pensar só amadurece por completo depois de muitos anos. Então, quando algo bloqueia o que a criança quer, há um sentimento forte e quase nenhum freio. Some cansaço ou fome e o pavio fica ainda mais curto. Não é malcriação nem defeito de caráter. É uma fase normal, e é exatamente assim que a criança aprende.
A frustração também traz um presente escondido. Cada vez que a criança insiste numa tarefa difícil, ou recebe ajuda para se recuperar de uma que deu errado, ela constrói a tolerância de que vai precisar para desafios maiores lá na frente.
Mantenha a calma para emprestar calma
Na hora, a criança não consegue pegar emprestada uma calma que você não tem. Se você responde a uma crise levantando a voz, o sentimento geralmente cresce. Respire devagar, abaixe até a altura dela e fale pouco. Você não está tentando montar o jogo nem ganhar uma discussão. Está sendo a presença firme que ajuda a tempestade a passar.
Um reconhecimento simples e carinhoso muitas vezes tira a ponta do sentimento: "Que frustrante. A peça fica escorregando." Ser vista faz a criança se sentir menos sozinha com o que sente, e menos sozinha geralmente quer dizer menos explosiva.
Não corra para salvar
Dá vontade de chegar e terminar a torre pela criança, mas entrar rápido demais pode tirar da criança a chance de aprender a lidar. Em vez disso, ofereça só a ajuda suficiente para ela continuar no jogo. Às vezes isso é chamado de andaime: você segura a tarefa firme enquanto ela faz a parte que consegue.
- Pergunte: "Você quer tentar de novo ou quer uma ajudinha?"
- Divida a tarefa num passo menor: "Vamos fazer só esse cantinho primeiro."
- Mostre um caminho diferente, sem fazer por ela.
Ajudando assim, quem consegue continua sendo a criança, e isso constrói muito mais confiança do que uma tarefa que você terminou escondido.
Dê nome e ensine uma pausa
Dê uma palavra ao sentimento: "Isso é frustração." Com o tempo, isso ajuda a criança a reconhecer o sentimento cedo, antes de transbordar. Você também pode ensinar um jeito simples de recomeçar, praticado junto nos momentos calmos, para ele ficar conhecido quando as coisas apertarem.
Alguns que servem para crianças pequenas:
- Soprar três vezes devagar, como quem apaga velinhas.
- Apertar bem as mãos fechadas e depois soltar, molinhas.
- Dar um passo para trás, chacoalhar o corpo e voltar.
Isso não é botão mágico. Funciona devagar, com prática, e principalmente porque a criança aprende que um sentimento grande não precisa engolir ela inteira.
Construa tolerância à frustração nos momentos calmos
A paciência cresce fora da crise, não só durante ela. Esperar e se esforçar no dia a dia são um ótimo treino. Deixe a criança fechar o próprio casaco, mesmo que demore mais. Brinquem de jogos em que é preciso esperar a vez. Escolha jogos e atividades um pouco desafiadores, mas não impossíveis, para a criança se acostumar com a sensação de que o esforço leva ao sucesso.
Elogie a tentativa, não só o fim: "Você continuou mesmo quando estava difícil." Isso ensina que a luta faz parte de aprender, e não que algo está errado.
Quando esperar mais, e quando esperar menos
Uma criança de dois anos quase não consegue tolerar frustração, e sentimentos enormes por coisas pequenas são completamente típicos. Aos quatro ou cinco, muitas crianças já dão conta de um pouco mais, pedem ajuda e tentam de novo depois de um tropeço. O progresso nunca é uma linha reta. Uma criança doente, cansada, com fome ou passando por mudanças vai lidar pior por um tempo, e isso é esperado, não motivo de preocupação.
Quando buscar um pouco de apoio
Frustração e uma crise de vez em quando fazem parte de crescer. Pense em conversar com o pediatra se as explosões da criança forem muito intensas e frequentes bem depois da fase dos 2 e 3 anos, se ela costuma se machucar ou machucar os outros, se a raiva parecer desproporcional de um jeito que preocupa você, ou se a família inteira estiver sem conseguir lidar. Pedir orientação é sensato e pode trazer tranquilidade.
O quadro maior
A sua meta não é uma criança que nunca se frustra. A frustração é um sinal saudável de que a criança se importa e está se esticando. O que você constrói, devagar, é uma criança que sente esse calor e, cada vez mais, consegue atravessar e tentar de novo. Cada vez que você mantém a calma e oferece só a ajuda necessária, ensina uma lição que vai servir para a vida toda.
Para guardar: Mantenha a calma, dê nome ao sentimento e ofereça só a ajuda necessária para a própria criança conseguir, construindo a paciência no dia a dia, nos momentos sem pressa.