Como ajudar a criança a se adaptar às mudanças
Chega um irmãozinho. A família se muda. Começa a escolinha, ou a babá querida vai embora. Para uma criança pequena, cuja sensação de segurança se apoia muito no que é conhecido, a mudança pode desestabilizar de um jeito que os adultos subestimam com facilidade. Ajudar a criança a lidar com mudanças tem menos a ver com evitar todo tropeço e mais com dar a ela a firmeza e o preparo de que precisa para atravessar as transições se sentindo segura.
Por que mudar é difícil para a criança pequena
Criança pequena se dá bem com previsibilidade. Saber o que vem depois, e que as pessoas e coisas importantes continuam no lugar, é uma parte grande de como ela se sente segura no mundo. A mudança bagunça isso, e como a criança pequena tem pouco controle sobre a própria vida e uma noção limitada de tempo, uma mudança que parece pequena para nós pode parecer enorme e confusa para ela.
Você pode ver a tensão de jeitos indiretos: mais grude, sono bagunçado, choro, birras, escapes de xixi ou volta a comportamentos de quando era menor. São reações normais de quem perdeu um pouco o chão, não malcriação, e costumam passar conforme a criança se ajusta. Ler isso como sinal de estresse, e não como mau comportamento, ajuda você a responder com paciência.
Prepare a criança com antecedência
Quando der, avise a criança da mudança que vem, do jeito certo para a idade. Uma criança de 1 a 3 anos precisa só de um aviso simples pouco antes, enquanto uma de 4 ou 5 anos aguenta saber um pouco antes. Explique o que vai acontecer com palavras claras, sinceras e tranquilizadoras. "Daqui a algumas semanas a gente vai morar numa casa nova. A sua cama e todos os seus brinquedos vão junto, e a gente vai estar todo mundo junto."
Livros sobre aquela mudança em especial, um bebê novo, o começo da escolinha, a mudança de casa, são uma preparação maravilhosa, porque deixam a criança explorar o assunto com segurança dentro de uma história. Conversar sobre isso várias vezes, e acolher as perguntas, ajuda o desconhecido a ficar conhecido antes de chegar.
Mantenha algumas coisas iguais
No meio da mudança, as âncoras do que continua igual tranquilizam muito. Tente proteger as rotinas principais, principalmente os momentos que abrem e fecham o dia, como as refeições e o ritual de dormir. Quando boa parte do mundo da criança está mudando, a história de sempre na hora de dormir ou o paninho querido dizem, sem palavras, que algumas coisas continuam firmes e seguras.
Se vem uma mudança grande, evite empilhar várias mudanças juntas quando der. Mudar de casa, começar na escolinha e tirar a soneca da tarde, tudo ao mesmo tempo, é muita coisa para uma pessoa pequena. Espaçar as mudanças, quando possível, dá à criança espaço para se ajustar a uma coisa de cada vez.
Reconheça os sentimentos
A mudança mexe com os sentimentos, e a criança precisa saber que os dela são permitidos. Dê nome e aceite o que ela parece estar vivendo. "É uma mudança grande ter um bebê em casa. Às vezes isso pode ser legal, e às vezes pode ser meio difícil, e as duas coisas tudo bem." Saber que sentimentos misturados, e até difíceis, são normais ajuda a criança a entender o rebuliço por dentro.
Evite varrer as preocupações com um "vai dar tudo certo". Em vez disso, escute, aceite e tranquilize. Uma criança que se sente entendida se acalma com mais facilidade do que uma que sente que as preocupações dela foram ignoradas.
Dê à criança um pouco de controle
A sensação de não ter poder nenhum deixa a mudança mais difícil, então ofereça escolhas pequenas e possíveis dentro dela. Deixe a criança escolher a cor do quarto novo, montar uma caixa especial para a mudança ou escolher que brinquedo levar para a escolinha. Envolver a criança nos preparativos, escolher um presente para o bebê, ajudar a encaixotar, conhecer a professora nova, faz dela uma participante, e não uma passageira, o que alivia a ansiedade.
Essas escolhas devem ser verdadeiras, mas limitadas. Opções demais podem sobrecarregar uma criança pequena. Um simples "esta caneca ou aquela para a escola?" já dá uma boa sensação de poder sem acrescentar pressão.
Tenha paciência com a adaptação
A adaptação leva tempo, e a criança pode precisar de mais colo, proximidade e segurança por um período. Espere alguma regressão e instabilidade e tente responder com carinho, não com irritação. Abraços a mais, um pouco mais de paciência e uma presença firme ajudam a criança a se sentir amparada enquanto encontra o próprio chão.
Cuide de você também. Mudanças muitas vezes estressam os pais, e as crianças percebem rápido a nossa tensão. Quando você consegue manter alguma tranquilidade e acolhimento, oferece à criança um exemplo de como lidar e a sensação de que, no fim, está tudo bem.
Quando buscar apoio extra
Alguma chateação com mudanças é completamente normal e costuma diminuir em algumas semanas. Vale conversar com o pediatra ou com a escolinha se o sofrimento da criança for forte e não der sinal de melhora depois de um bom tempo, se afetar muito a alimentação, o sono, as brincadeiras ou o desenvolvimento, se ela parecer triste, com medo ou retraída o tempo todo, ou se a mudança envolver uma grande perda, como a morte de alguém querido ou a separação dos pais. Existe apoio, e pedir ajuda é um gesto de cuidado.
O quadro maior
Você não consegue, e nem deve, proteger a criança de toda mudança, porque aprender a atravessar mudanças faz parte de crescer e de construir resiliência. O que você pode fazer é ajudar a criança a lidar com elas: preparando com antecedência, mantendo as rotinas principais, aceitando os sentimentos e oferecendo muito acolhimento. Com esse apoio, a maioria das crianças atravessa as transições e sai delas um pouco mais flexível e confiante do que antes.
Para guardar: Prepare a criança com antecedência, proteja algumas rotinas conhecidas como âncoras, aceite os sentimentos e ofereça acolhimento extra, para a mudança parecer possível, e não assustadora.
American Academy of Pediatrics, HealthyChildren.org: Building Resilience