Como ensinar a criança a pedir ajuda

Tem criança que briga dez minutos em silêncio com um zíper emperrado sem dizer uma palavra. Outras desabam na frustração, mas não acham as palavras para pedir o que precisam. Conseguir pedir ajuda quando está empacada, confusa ou em perigo é uma habilidade para a vida, e vale cultivar cedo. Ensinar a criança a pedir ajuda não é incentivar a dependência; é dar a ela uma ferramenta que vai proteger e apoiar a criança pelo resto da vida.

Por que pedir ajuda importa

Saber quando e como pedir ajuda é sinal de força e de bom senso, não de fraqueza. A criança que consegue pedir ajuda aprende com mais facilidade, porque desempaca em vez de desistir. Fica mais segura, porque consegue contar a um adulto de confiança quando algo está errado. E constrói relações mais saudáveis, porque entende que precisar dos outros faz parte de ser humano.

Mesmo assim, muitas crianças acham difícil. Algumas têm medo de parecer bobas ou bebês. Outras absorveram a mensagem de que deveriam dar conta sozinhas. E outras simplesmente não têm as palavras. Entender essas barreiras ajuda você a tirar essas barreiras do caminho com delicadeza.

Faça pedir ajuda parecer seguro

O mais importante é a criança sentir que pedir ajuda é bem recebido, nunca motivo de vergonha. Quando ela pedir, responda com carinho, mesmo que a hora seja ruim. Se o pedido de ajuda é recebido com irritação, "por que você não faz sozinho?", a criança aprende rapidinho a parar de pedir. Se é recebido com carinho, ela aprende que pedir funciona.

Você pode dizer isso com todas as letras e muitas vezes: "Pedir ajuda é sempre permitido. Todo mundo precisa de ajuda às vezes, até os adultos." Repetida com carinho ao longo do tempo, essa mensagem entra. Para ensinar de verdade a criança a pedir ajuda, a sua reação na hora importa ainda mais do que qualquer discurso.

Mostre pelo exemplo

A criança aprende observando. Deixe que ela veja você pedindo ajuda sem vergonha. "Não alcanço isso, você me dá uma mão?" "Não sei bem como fazer isso, vou perguntar para quem sabe." "Isso está pesado, vamos carregar juntos." Quando a criança vê você, um adulto capaz, pedindo ajuda à vontade, aprende que é uma coisa normal e sensata, e não uma confissão de fracasso.

Também ajuda contar momentos em que pedir ajuda fez diferença. "Hoje eu estava muito empacada no trabalho, aí pedi para uma colega, e ela me mostrou direitinho o que fazer."

Dê as palavras à criança

Às vezes a criança não pede simplesmente porque não sabe como. Dá para ensinar frases simples e praticar juntos nos momentos tranquilos, até brincando. Algumas úteis: "Você pode me ajudar, por favor?", "Não entendi", "Estou empacado" ou "empacada", "Preciso de você". Brincar de faz de conta com bonecos, revezando quem pede e quem oferece ajuda, deixa as palavras conhecidas e sem pressão.

Para a segurança, ensine também pedidos de ajuda específicos. Ajude a criança a saber quem são os adultos de confiança dela, em casa, na escolinha e na rua, e pratiquem o que fazer se ela se sentir preocupada, perdida ou em perigo. "Se um dia você não me encontrar, procure uma mãe ou um pai com crianças, ou alguém que trabalha na loja, e diga que se perdeu do seu adulto."

Equilibre ajuda e independência

Ensinar a criança a pedir ajuda não é fazer tudo por ela. A meta é uma criança que tenta primeiro e pede quando realmente precisa, e não uma que chama antes de tentar qualquer coisa. Dá para incentivar esse equilíbrio convidando a uma primeira tentativa e depois acolhendo o pedido. "Tenta o zíper, e se continuar emperrado, estou bem aqui."

Quando a criança pedir, ofereça só a ajuda suficiente para ela seguir, em vez de assumir tudo. "Vamos fazer juntos o pedaço difícil do começo, e depois você termina." Assim a independência que está crescendo continua inteira, e a criança vê que a ajuda está disponível.

Repare e incentive

Quando a criança pedir ajuda bem, principalmente quando precisou de um pouquinho de coragem, repare com carinho. "Que bom que você me perguntou isso." "Foi uma boa ideia pedir ajuda quando empacou." Esse incentivo gentil reforça o hábito e ajuda a criança a ver o pedido de ajuda como motivo de orgulho, e não de vergonha.

Uma palavra sobre crianças que têm dificuldade de pedir

A maioria das crianças aprende a pedir ajuda com incentivo carinhoso ao longo do tempo. Vale comentar com o pediatra ou com a escolinha se a criança tiver sempre dificuldade de comunicar o que precisa, parecer retraída demais ou relutante em buscar conforto mesmo machucada ou chateada, ou se você tiver preocupações maiores com o desenvolvimento ou a saúde emocional dela. E leve sempre a sério qualquer sinal de que a criança não se sente capaz de contar a um adulto de confiança quando algo está errado. Essas conversas são rotina e podem trazer tranquilidade ou um apoio útil.

O benefício que fica

Você está criando uma criança que sabe que não precisa enfrentar tudo sozinha, que pedir ajuda é sábio e que os adultos de confiança vão responder com cuidado. Ensinando a criança a pedir ajuda com as suas respostas carinhosas, o seu exemplo e um pouco de prática, você dá a ela uma confiança tranquila que fica: na escola, nas amizades e, um dia, no mundo lá fora.

Para guardar: Responda com carinho sempre que a criança pedir, peça ajuda você também na frente dela e dê as palavras para ela usar, para que pedir ajuda pareça força, e não fraqueza.

CDC, Positive Parenting Tips

NHS, Children's mental health