Apego seguro no dia a dia da criação
Você pega o bebê que chora e ele se acalma. A criança pequena sai correndo para brincar, volta voando para um abraço rápido e sai de novo. Esses pequenos momentos repetidos são os tijolos silenciosos de uma das coisas mais importantes do começo da vida: o apego seguro. Se você já se preocupou em como construir esse vínculo, a verdade que tranquiliza é que ele não nasce de uma criação perfeita, e sim de incontáveis respostas comuns e carinhosas ao longo do tempo.
O que é apego seguro
O apego é o laço emocional profundo entre a criança e as pessoas que mais cuidam dela. Quando esse laço é seguro, a criança carrega por dentro a sensação de que está segura, de que é amada e merece cuidado, e de que o adulto de confiança vai estar lá quando ela precisar. Isso vira uma espécie de acampamento base, de onde ela sai para explorar o mundo, volta para buscar conforto e sai de novo, cada vez mais corajosa.
Décadas de pesquisa ligam o apego seguro a uma melhor regulação das emoções, relações mais fortes, mais resiliência e mais confiança mais tarde na vida. É um dos presentes mais valiosos da primeira infância, e a boa notícia é que ele se constrói no cuidado do dia a dia, e não com recursos caros ou técnicas de especialista.
Ele se constrói no dia a dia
O apego seguro não exige que você seja uma mãe ou um pai perfeito, presente o tempo todo. Ele cresce no ritmo comum de responder à criança, de novo e de novo, com carinho e constância razoáveis. Dar de comer a um bebê com fome, consolar uma criança pequena assustada, receber a criança com um sorriso, perceber quando ela está chateada. Nada disso é dramático, mas, repetido ao longo de meses e anos, ensina à criança que o mundo é seguro e que ela importa.
É isso que torna a pergunta sobre como construir o apego seguro bem menos assustadora do que parece. Muito provavelmente você já está fazendo exatamente as coisas que constroem esse vínculo.
Sintonize e responda
No coração do apego seguro está a disponibilidade: perceber os sinais da criança e responder com carinho e alguma constância. Para um bebê, é atender ao choro e aos sons. Para uma criança pequena, é perceber os sentimentos dela e oferecer conforto ou ajuda. A mensagem que a criança recebe é poderosa: quando eu preciso de algo, alguém vem.
Você não precisa ler todo sinal com perfeição. Aliás, as pesquisas sugerem que acertar boa parte das vezes, e consertar as vezes em que você não acertou, é mais do que suficiente. Um adulto "bom o suficiente", carinhoso, atento e disposto a reparar, constrói um vínculo lindamente seguro.
Reparar importa mais do que acertar sempre
Você vai perder a paciência, interpretar a criança errado e errar. Todo pai e toda mãe erram, e isso não estraga o apego. O que importa é o reparo: voltar depois de um desencontro para se reconectar. "Desculpa, eu fiquei brava mais cedo" ou "bravo". "Eu te amo muito." Esses momentos de reparo na verdade fortalecem o vínculo, porque ensinam à criança que as relações aguentam dificuldades e podem ser consertadas, e que o seu amor continua firme mesmo quando as coisas dão errado.
Largue a ideia de que um dia ruim, ou cem, vai prejudicar a criança. O que conta é o padrão geral de carinho e reparo, não uma constância impecável.
Console à vontade, sem medo de mimar
Não dá para mimar um bebê ou uma criança pequena com amor, conforto e disponibilidade. Atender à necessidade de proximidade da criança não a deixa grudada ou dependente. É o contrário: crianças cuja necessidade de conforto é atendida com confiança tendem a ficar mais confiantes e independentes, porque sabem que o apoio está ali. Então responda ao choro, ofereça colo e seja o porto seguro para onde a criança volta. É essa segurança que deixa a criança livre para explorar.
Práticas simples do dia a dia
- Siga o bebê na brincadeira, respondendo aos sorrisos e aos sons dele.
- Abaixe até a altura da criança e dê atenção total, mesmo que por pouco tempo, todos os dias.
- Dê nome aos sentimentos da criança e aceite esses sentimentos, para ela se sentir compreendida.
- Mantenha rotinas previsíveis, que ajudam a criança a se sentir segura.
- Capriche no tchau e no oi, para as separações e os reencontros parecerem seguros.
Nada disso precisa ser demorado. Alguns minutos de atenção carinhosa e inteira, oferecidos com regularidade, fazem mais pelo apego do que horas de presença distraída.
Quando buscar apoio
Construir um vínculo seguro geralmente é parte natural de um cuidado amoroso e atento. Algumas circunstâncias podem dificultar, e existe apoio que vale a pena buscar. Vale conversar com o pediatra ou com o seu médico se você estiver com dificuldade de sentir um vínculo com a criança, se tristeza, ansiedade, exaustão ou experiências difíceis do passado estiverem atrapalhando, ou se a criança parecer retraída demais ou difícil de consolar. O apoio à saúde mental depois do parto, em especial, pode fazer uma diferença real, para você e para o vínculo. Pedir ajuda aqui é sinal de boa criação, não de fracasso.
A conclusão que tranquiliza
Ninguém precisa de perfeição para criar uma criança com apego seguro. Precisa de carinho, de uma disponibilidade razoável e de disposição para reparar quando as coisas dão errado, de novo e de novo, nos pequenos momentos da vida. Quando pensar em como construir o apego seguro, lembre que você já está construindo, toda vez que responde à criança com amor. Esse cuidado constante e comum é a base sobre a qual todo o resto cresce.
Para guardar: O apego seguro cresce de respostas carinhosas e razoavelmente constantes nos momentos do dia a dia, e do reparo nas vezes em que você erra, não de uma criação perfeita.
World Health Organisation, Improving early childhood development
American Academy of Pediatrics, HealthyChildren.org: Emotional Wellness