Criança chora por tudo: como os pais podem reagir?
O biscoito quebrou, o copo é da cor errada, a costura da meia está incomodando, e lá vêm as lágrimas de novo. Se a sua criança chora por tudo, você pode oscilar entre a ternura e o cansaço, se perguntando se está sendo mole demais ou se há algo errado. A notícia que tranquiliza é que chorar fácil, para muitas crianças, é simplesmente parte de quem elas são, e existe um jeito carinhoso e firme de responder que não desfaz do sentimento nem premia o drama.
Por que algumas crianças choram mais
As crianças variam muito de temperamento. Algumas são naturalmente mais sensíveis, sentem as coisas mais fundo e reagem com mais força do que as outras. Essa sensibilidade não é defeito. Crianças muito sensíveis muitas vezes viram pessoas atentas e empáticas. Por enquanto, porém, os sentimentos chegam grandes e rápidos, e o choro é o jeito de colocar para fora.
Também há motivos do dia a dia para a criança chorar fácil num certo dia: cansaço, fome, doença, excesso de estímulo ou mudanças demais. Uma criança geralmente tranquila que de repente fica chorona muitas vezes só está exausta ou começando a ficar doente. Vale sempre conferir o básico antes de achar que o choro é por causa do biscoito.
Choro é comunicação, não manipulação
Ajuda lembrar que uma criança pequena chorando raramente está usando uma tática calculada. O choro é uma das primeiras formas humanas de comunicar sofrimento, e as crianças pequenas usam porque as palavras e o autocontrole ainda estão em formação. Quando a criança chora fácil, geralmente está dizendo, do único jeito que consegue naquele momento, que um sentimento ficou grande demais.
Ver o choro como mensagem, e não como encenação, muda a sua resposta. Ninguém está manipulando você. É um recado.
Responda com aceitação tranquila
A resposta mais útil fica entre dois extremos. De um lado está desfazer do sentimento, o "Para de chorar, não é nada", que ensina à criança que o que ela sente está errado ou não tem lugar. Do outro está o socorro exagerado, correr em pânico com agrados, que pode, sem querer, fazer o choro parecer o caminho para ganhar atenção ou coisas.
O caminho do meio é a aceitação tranquila. Abaixe até a altura da criança, reconheça o sentimento e mantenha a calma. "Que chato, o biscoito quebrou. Que decepção." Você não está concordando que é uma tragédia, nem consertando nada. Está só sendo uma presença calma e acolhedora enquanto o sentimento passa.
Ajude a nomear e entender os sentimentos
Com o tempo, você pode ajudar a criança a passar do choro para a conversa. Nos momentos tranquilos, aumente o vocabulário dela sobre sentimentos, para ela ter outras palavras além das lágrimas. Quando o choro acalmar, você pode devolver com delicadeza: "Acho que deu raiva e decepção ao mesmo tempo." Dar nome aos sentimentos, de novo e de novo, ao longo de meses, vai oferecendo à criança outros jeitos de expressar o que acontece por dentro.
Você também pode ensinar recursos simples para se acalmar, praticados quando está tudo em paz: algumas respirações lentas, um abraço no bichinho favorito, um cantinho tranquilo. Isso dá à criança algo para fazer com um sentimento grande além de chorar.
Não envergonhe o choro
Faça o que fizer, evite envergonhar a criança por chorar, e tome cuidado especial com frases como "menino não chora" ou "deixa de ser bebê". Chorar é um alívio saudável, e crianças de qualquer gênero precisam saber que os sentimentos delas são aceitáveis. A vergonha não ensina controle, ensina a esconder, e isso guarda problema para depois. Carinho e aceitação, ao contrário, ajudam a criança a construir aos poucos a confiança para lidar com os sentimentos sem desmoronar.
Apoie sem correr para salvar
Existe um equilíbrio entre consolar a criança e deixar que ela fortaleça os próprios recursos. Você não precisa evitar toda chateação nem resolver na hora todo problema. Às vezes o mais útil é ficar perto e deixar a criança sentir a decepção, mostrando que sentimentos podem ser atravessados. "É difícil, e eu estou aqui." Aprender que consegue passar por uma onda de tristeza, com você do lado, é assim que a resiliência cresce.
Quando olhar mais de perto
Uma criança que chora fácil geralmente está dentro do normal, principalmente entre 1 e 5 anos, e a sensibilidade costuma suavizar com a idade. Vale conversar com o pediatra se o choro parecer extremo e constante na maioria das situações, se a criança parecer triste, ansiosa ou retraída o tempo todo, se as lágrimas vierem junto com problemas para comer, dormir ou participar das coisas, ou se você notar uma mudança repentina no jeito de ser dela. Confie no seu instinto. Se algo parece errado, pedir orientação é sempre razoável.
O quadro maior
Você não está tentando criar uma criança que nunca chora. Lágrimas são saudáveis, e uma criança sensível tem qualidades de verdade. O que você oferece é uma resposta calma e acolhedora, que ajuda a criança a se sentir compreendida enquanto aprende, devagar, outros jeitos de lidar com sentimentos grandes. Quando a criança chora por tudo, o seu carinho firme, nem frio nem afobado, é exatamente o que ela precisa. Com o tempo e com a sua ajuda paciente, a maioria das crianças descobre que os sentimentos ficam um pouco mais fáceis de atravessar, e as lágrimas vêm com um pouco menos de pressa.
Para guardar: Trate o choro como comunicação, não manipulação. Responda com aceitação tranquila, sem desfazer nem exagerar no socorro, e construa aos poucos as palavras e os recursos de que a criança precisa para lidar com sentimentos grandes.