Como construir a autoconfiança da criança sem elogiar o tempo todo
"Parabéns! Muito bem! Incrível! Que menina inteligente!" Muitos de nós despejamos elogios nos filhos o dia inteiro, na esperança de fortalecer a criança. Mas cada vez mais orientações sugerem que o elogio constante pode deixar a confiança mais frágil, e não mais forte. Se você quer construir a autoconfiança da criança sem exagerar nos elogios, o segredo é ajudar a criança a se sentir capaz de verdade e realmente vista, em vez de encher a criança de palavras que logo perdem o sentido.
Por que mais elogio nem sempre é melhor
Quando a criança ouve "muito bem" por absolutamente tudo, as palavras deixam de significar muita coisa. Pior: algumas crianças passam a depender do elogio e fazem as coisas para ganhar a reação, e não pela satisfação da tarefa. Algumas ficam ansiosas, sempre olhando o seu rosto para conferir se agradaram. E elogios focados em ser "inteligente" ou "o melhor" podem deixar a criança com medo de tentar qualquer coisa em que talvez não brilhe.
A confiança de verdade é mais quieta e mais firme. Ela vem de uma sensação interna de "eu dou conta das coisas e sou amada" ou "amado", que nenhuma quantidade de aplauso vazio consegue dar.
Deixe a competência fazer o trabalho
Nada constrói confiança como conseguir fazer as coisas de verdade. Cada habilidade real que a criança domina, por menor que seja, acrescenta um tijolo verdadeiro à sensação de ser capaz.
- Deixe a criança fazer as coisas por conta própria, mesmo quando fica mais lento ou mais bagunçado: servir a água, se vestir, guardar um brinquedo.
- Dê pequenas responsabilidades reais, adequadas à idade, como pôr comida para o gato ou ajudar a pôr a mesa.
- Resista a entrar para consertar ou terminar. Lutar um pouquinho e depois conseguir é onde a confiança nasce.
Quando você dá um passo atrás e deixa a criança dar conta de uma tarefa, manda uma mensagem poderosa, sem palavras: eu acredito que você consegue. Essa crença, comprovada pelas próprias mãos dela, vale mais do que cem "muito bem".
Troque o elogio pelo reparar
Você não precisa ficar em silêncio. Troque o elogio que julga por um reparar carinhoso e específico. Em vez de "Que desenho lindo", experimente "Você usou um monte de cores e ficou um tempão trabalhando nisso". Em vez de "Que menino bonzinho por emprestar", experimente "Você deixou o seu amigo brincar também. Foi gentil".
Esse retorno descritivo faz várias coisas úteis. Mostra à criança que você estava prestando atenção de verdade. Dá nome ao que ela fez, para ela poder repetir. E deixa o julgamento com ela, o que ajuda a construir a própria sensação de trabalho bem feito. Para fortalecer a autoconfiança sem exagerar nos elogios, essa troca de julgar por descrever é uma das mudanças mais úteis.
Incentive em vez de bajular
Existe diferença entre incentivo, que alimenta o esforço, e bajulação, que só é gostosa por um momento. O incentivo foca no caminho: "Você não desistiu", "Você descobriu um jeito novo de fazer", "Você estava com medo e tentou mesmo assim". Esses comentários ajudam a criança a valorizar a persistência e a coragem, os verdadeiros motores das conquistas.
Você também pode devolver a avaliação para ela: "Você parece bem contente com isso. O que você achou de como ficou?" Isso ensina a criança a julgar o próprio trabalho, em vez de sempre olhar para você.
O vínculo é a base
Debaixo de toda criança confiante está a segurança de ser amada do jeito que é. Tempo, atenção e carinho que não dependem de nenhuma conquista dizem à criança que ela importa só por existir. Brinquem juntos, escute de verdade quando ela fala e mostre prazer na companhia dela. Uma criança que se sente amada com segurança pode arriscar tentar, errar e tentar de novo, porque o valor dela não depende do resultado.
Garanta que parte do seu carinho chegue sem nenhuma performance ligada a ele. Um abraço, uma piada dividida, "Adoro ficar com você". Esses momentos constroem, em silêncio, a confiança mais profunda de todas.
Deixe a criança enfrentar desafios possíveis
A confiança cresce na beira do conforto, não no meio dele. Deixe a criança correr riscos seguros: subir um pouco mais alto, tentar o jogo de encaixe mais difícil, pedir o pão na padaria por conta própria. Fique por perto, mas deixe ela se esticar. Quando ela dá conta de algo que parecia assustador, descobre que é mais corajosa e capaz do que imaginava.
Se ela tiver dificuldade, resista a salvar rápido demais. "Isso é difícil. O que você poderia tentar?" mantém a criança no comando. Vencer uma pequena dificuldade por conta própria faz mais pela confiança do que qualquer elogio que você possa oferecer.
Uma palavra sobre a confiança muito baixa
Altos e baixos na confiança fazem parte de crescer, e a maioria das crianças oscila. Vale conversar com o pediatra ou com a escolinha se a criança parecer se diminuir o tempo todo, evitar a maioria das atividades por medo de falhar, mostrar tristeza ou ansiedade que não passam ou se a autoestima parecer muito baixa por um longo período. Existe apoio, e buscar cedo é sensato.
O objetivo que dura
Você não está tentando criar uma criança viciada em aplauso, e sim uma criança com uma crença interna e firme de que é capaz e amada. Essa crença se constrói com habilidades reais, vínculo carinhoso e incentivo que alimenta o esforço, em vez de pescar aprovação. Construindo a autoconfiança da criança sem exagerar nos elogios, você dá a ela algo muito mais duradouro do que uma sensação boa: uma fé tranquila e firme em si mesma que vai acompanhar a criança por anos.
Para guardar: A confiança de verdade vem da competência e do vínculo. Deixe a criança fazer as coisas por conta própria, troque o elogio que julga pelo reparar carinhoso e ame a criança independentemente dos resultados.
American Academy of Pediatrics, HealthyChildren.org: Building Resilience