Criança com medo de errar: como ajudar

Tem criança que apaga o desenho no instante em que um traço sai torto. Outras nem tentam o jogo de encaixe novo, para não correr o risco de não conseguir. Se a sua criança tem medo de errar, você pode ver choro por erros pequenos, desistência rápida ou fuga de tudo que ela ainda não faz bem. Por baixo, geralmente há uma crença preocupada: que um erro quer dizer que ela não é boa o bastante, ou que vai levar bronca. A verdade que tranquiliza é que essa crença pode ser remodelada com delicadeza.

Como o medo de errar aparece

Uma criança com medo de errar pode rasgar o próprio trabalho, dizer "não consigo" antes de começar, ficar furiosa quando algo não sai perfeito ou pedir que você faça por ela para não correr o risco de errar. Algumas ficam muito abaladas com correções, até as gentis. Outras fogem dos desafios em silêncio, ficando só no que parece seguro.

Ajuda enxergar isso pelo que é: não teimosia nem preguiça, e sim ansiedade. A criança está tentando se proteger de um sentimento que acha insuportável. Quando você lê assim, a sua resposta fica mais macia.

Mude a história sobre os erros

O mais poderoso que você pode fazer é mudar o jeito como se fala de erro em casa, para que ele fique comum e até útil, e não vergonhoso.

  • Diga em voz alta para que servem os erros: "Errar é o jeito de o cérebro aprender. Cada erro ensina alguma coisa."
  • Conte os seus erros com bom humor: "Coloquei sal demais. Ops, agora já sei para a próxima."
  • Fale de pessoas famosas, personagens e gente da família que erraram no caminho até acertar.

Quando a criança ouve, muitas e muitas vezes, que errar é normal e ajuda, o pavor vai perdendo a força.

Elogie o processo, não a perfeição

Crianças com medo de errar muitas vezes aprenderam que estar certo, ser caprichoso ou ser inteligente é o que traz aprovação. Dá para reequilibrar isso reparando no esforço, na estratégia e na coragem, e não no resultado.

Em vez de "Ficou perfeito" ou "Você é muito inteligente", experimente "Você se esforçou muito nisso", "Eu vi você tentar de três jeitos diferentes" ou "Foi corajoso tentar algo novo". Isso ensina, sem alarde, que tentar importa mais do que acertar tudo, e tira a pressão.

Deixe a criança ver você errar e se recuperar

Se a criança só vê os adultos fazendo tudo sem tropeço, o erro parece anormal e assustador. Deixe que ela veja você errar e seguir em frente. Conte errado, fale uma palavra trocada, deixe algo cair e diga: "Não tem problema, vamos de novo", e continue. A sua recuperação tranquila é uma demonstração ao vivo de que errar não é uma catástrofe.

Evite falar mal de si na frente da criança, como "Sou muito burro" ou "muito burra". A criança absorve isso. Mostre a voz gentil e prática que você quer que ela use consigo mesma.

Deixe seguro tentar coisas difíceis

Crie pequenas chances de coragem em que pouco está em jogo. Ofereça atividades um pouco difíceis, mas possíveis, e fique por perto incentivando, sem assumir o controle. Se a criança tropeçar, resista à vontade de correr para consertar. Em vez disso: "Não deu certo. O que mais a gente pode tentar?" Assim ela continua no papel de quem resolve.

Comemore a tentativa, seja qual for o resultado. "Você ainda não conseguiu, mas tentou de verdade, e isso é o mais importante." Vale usar muito a palavra "ainda". Ela transforma o "não consigo" em "ainda não consigo".

Preste atenção nas suas reações

A criança lê o nosso rosto de perto. Se você suspira, corrige com rispidez ou refaz o trabalho dela na frente dela, ela aprende que errar traz desaprovação. Tente manter leve e carinhosa a sua resposta aos erros. Quando precisar corrigir algo, junte com tranquilidade: "Vamos arrumar esse pedaço juntos, sem problema."

Pense, com gentileza, se a exigência alta em casa pode estar alimentando o medo. Uma criança pressionada a ser a melhor pode ficar apavorada com a ideia de não alcançar. Afrouxar um pouco as rédeas muitas vezes ajuda mais do que qualquer discurso de incentivo.

Quando pode precisar de mais apoio

Algum cuidado para não errar é normal, e muitas crianças passam por fases assim. Pense em conversar com o pediatra ou com a creche ou escola da criança se o medo for intenso e constante, se impedir a criança de participar de atividades do dia a dia, se vier com muita ansiedade, tristeza ou sintomas físicos como dor de barriga, ou se a forma como ela se vê parecer baixa o tempo todo. Apoio cedo ajuda e não é motivo de preocupação.

O longo prazo, que tranquiliza

Você não está buscando uma criança que nunca se importa em errar. Está ajudando uma criança com medo de errar a aprender, aos poucos, que o erro é seguro, comum e parte de todo esforço que vale a pena. Numa casa em que tentar é elogiado e errar não é drama, a maioria das crianças vai ganhando coragem. Cada pequeno "vou tentar", com apoio, é um tijolo nessa confiança nova e mais firme.

Para guardar: Trate o erro como algo normal e útil, elogie o esforço em vez da perfeição, mostre como você se recupera dos seus erros e acrescente "ainda" ao "não consigo" para tentar ficar seguro.

NHS, Anxiety disorders in children

American Academy of Pediatrics, HealthyChildren.org: Building Resilience