Criança brigou com o amigo? Como ajudar a fazer as pazes de verdade

As brigas entre amigos pequenos são barulhentas, dramáticas e, quase sempre, felizmente curtas. Num minuto são inimigos mortais por causa de um giz de cera roubado, no outro estão rindo de novo como se nada tivesse acontecido. Mesmo assim, algumas brigas deixam a criança realmente abalada, e o jeito como você ajuda quando a criança brigou com o amigo ensina uma das habilidades mais valiosas da vida: que as relações sobrevivem ao conflito e podem ser consertadas.

Conflito é normal e útil

Ajuda começar do lugar certo: desentendimentos entre amigos não são sinal de que algo deu errado. É assim que as crianças treinam negociar, defender o próprio lado, enxergar outro ponto de vista e fazer as pazes. Uma infância totalmente livre de briguinhas estaria, na verdade, perdendo um aprendizado importante. Então a sua meta não é impedir toda briga, e sim ajudar a criança a atravessar as brigas e sair do outro lado.

Primeiro a calma, depois a conversa

Logo depois da briga, a criança provavelmente está inundada de sentimento, e nenhuma conversa útil consegue acontecer ainda. Receba a criança com conforto, e não com perguntas. Um abraço, um lugar quieto e um tempinho para respirar vêm antes de qualquer tentativa de destrinchar o que aconteceu. Dar nome ao sentimento com delicadeza também ajuda: "Você está com muita raiva do Leo agora." Só depois que a tempestade passa a criança consegue pensar com clareza para refletir ou reparar.

Ajude a criança a entender o que aconteceu

Quando a criança estiver mais calma, conduza a conversa sobre a briga sem tomar conta dela. Mantenha a curiosidade e o equilíbrio, em vez de ficar na hora do lado da criança ou do amigo:

  • "O que aconteceu entre vocês dois?"
  • "Como você estava se sentindo quando isso aconteceu?"
  • "O que você acha que o seu amigo estava sentindo?"
  • "O que vocês dois podiam fazer diferente da próxima vez?"
  • "Você quer voltar a brincar junto?"

A terceira pergunta é a que mais importa, porque enxergar o lado da outra criança é o coração do reparo, e é justamente a habilidade que as crianças pequenas acham mais difícil. Pensar em voz alta juntos, com delicadeza, estica a perspectiva delas um pouquinho mais a cada vez.

Guie o reparo, sem forçar

Se a criança quer consertar as coisas, ajude a pensar em como. Pode ser pedir desculpas, mas um desculpa forçado e vazio ensina encenação, e não reparo de verdade. Em vez disso, ajude a criança a entender pelo que está pedindo desculpas e a sentir isso, ou a encontrar outro jeito de se reconectar: oferecer para dividir, um "vamos brincar de novo?", uma pequena gentileza. Às vezes o melhor reparo nem tem palavras, é simplesmente começar uma brincadeira nova juntos. Deixe que a criança escolha o caminho, para que as pazes sejam dela.

Deixe que ela assuma a sua parte

A recuperação fica mais forte quando a criança consegue olhar com honestidade para o próprio papel, e não só para o do amigo. Sem envergonhar, ajude a criança a ver onde ela pode ter contribuído: "Você pegou o brinquedo, e a Maria ficou chateada. O que você pode fazer no lugar?" Não se trata de distribuir culpa, e sim de construir a percepção de si que torna as próximas brigas mais fáceis de resolver. Equilibre, claro: se a criança foi realmente injustiçada, ela também precisa saber que alguns comportamentos dos outros não estão certos.

Mantenha a perspectiva e normalize

A criança pensa em absolutos, então uma briga pode parecer o fim de tudo. Tranquilize a criança, com honestidade, de que amigos brigam e fazem as pazes o tempo todo e que uma briga não destrói uma amizade. Um pequeno exemplo da sua vida, uma briguinha com um amigo que vocês superaram, pode tranquilizar muito. Isso ensina resiliência: a compreensão de que o conflito tem saída e de que uma amizade pode até ficar mais forte depois de reparada.

Resista a administrar demais

É tentador ligar para os pais da outra criança, apitar cada detalhe ou fabricar uma reconciliação. De vez em quando, uma mão leve de adulto ajuda, mas na maior parte das vezes a criança se recupera melhor quando faz o trabalho ela mesma, com o seu apoio ao fundo. Entrar demais rouba a prática e pode fazer uma briguinha parecer um grande acontecimento. Fique disponível, oriente de fora e deixe que elas encontrem o caminho de volta uma para a outra.

Quando olhar um pouco mais de perto

As brigas comuns que passam são saudáveis e não pedem preocupação. Pode valer uma conversa com o pediatra ou com a professora se as brigas com um amigo específico forem frequentes, intensas e deixarem a criança angustiada de forma persistente, se a amizade parecer sempre infeliz ou desigual, se houver sinais de maldade contínua ou bullying ou se a dificuldade vier junto com outras preocupações com o humor, o comportamento ou o desenvolvimento. São sinais para uma conversa de apoio e ajuda cedo, e não motivo de alarme.

Para levar com você

Quando a criança brigou com o amigo, acalme os sentimentos antes de tentar conversar e depois conduza a criança com delicadeza pelo que aconteceu e pelo que o amigo pode ter sentido. Apoie um reparo verdadeiro em vez de forçar um desculpa vazio, ajude a criança a assumir a sua parte sem empilhar culpa e tranquilize de que amigos brigam e fazem as pazes o tempo todo. Oriente de fora, em vez de assumir o comando, e cada briguinha superada vira treino da habilidade de uma vida inteira: consertar relações.

Para guardar: Acalme primeiro os sentimentos grandes e depois ajude a criança a entender o lado do amigo e a reparar de um jeito verdadeiro, e não com um pedido de desculpas forçado.

NHS, Help your child manage their feelings

American Academy of Pediatrics, Building Resilience in Children