Como ensinar a criança a perguntar "posso brincar?"
Para uma criança pequena parada na beira de uma brincadeira, duas palavrinhas podem parecer enormes: "Posso brincar?" Algumas perguntam com facilidade, outras congelam, e muitas ficam rondando com esperança, esperando ser notadas em vez de ousar falar. Saber pedir é uma das ferramentas sociais mais úteis que uma criança pode carregar, e a boa notícia é que dá para ensinar de verdade. Veja como ensinar a criança a pedir para brincar com um pouco mais de confiança.
Por que pedir é difícil
Pedir para entrar é arriscar um não na frente dos outros, e para uma criança pequena isso é um ato de coragem de verdade. Também exige várias habilidades ao mesmo tempo: perceber um bom momento, achar as palavras e lidar com qualquer resposta que vier. Some a isso o fato de que algumas crianças são cautelosas por natureza e não gostam de ser o centro das atenções, e dá para entender por que o "posso brincar?" nem sempre sai fácil. Entender a dificuldade ajuda você a orientar com paciência, em vez de empurrar.
Treinem as palavras em casa
O mais útil que você pode fazer é ensaiar num ambiente calmo e sem pressão, muito antes da pracinha. Transforme em brincadeira. Revezem quem é a criança que pede e quem é o grupo que responde, e experimentem tanto um sim feliz quanto um não gentil, para que a criança viva todas as possibilidades. Usem bonecos para encenar uma cena em que um chega e pede para entrar. Quando as palavras ficam conhecidas, e até meio engraçadas, em casa, ficam muito mais fáceis de alcançar na hora que importa.
Dê um roteiro simples
A criança lida melhor com um pequeno cardápio de frases do que com uma instrução vaga de "é só perguntar". Ofereça algumas aberturas fáceis para ela escolher:
- "Posso brincar com vocês?"
- "Que legal, posso entrar também?"
- "Do que vocês estão brincando?"
- "Posso ter uma vez?"
- "Eu posso ser o cliente da sua vendinha."
Vale ensinar a última porque ela oferece algo, em vez de só pedir, e os grupos costumam receber bem. Mantenha os roteiros curtos e naturais, com a cara da criança, e deixe que ela escolha o que parece confortável, para que as palavras sejam realmente dela.
Oriente o momento certo também
As palavras funcionam muito melhor com o momento certo, então ensine a pausa que vem junto. Incentive a criança a observar a brincadeira um pouco primeiro, para entender o que está acontecendo e achar uma brecha natural, em vez de interromper no meio da ação. A criança que pergunta "posso ser o cachorro?" depois de entender que é uma brincadeira de bichinho de estimação é recebida com muito mais carinho do que a que chega com um pedido aleatório. Ler primeiro e pedir depois é o segredo silencioso de uma entrada tranquila.
Mostre como se faz e dê deixas suaves
Deixe a criança ver você pedindo para participar de coisas no dia a dia, e narre: "Vou perguntar se a gente pode sentar aqui." Na hora, uma deixa suave e curta ajuda mais do que uma grande produção. Um baixinho "quer ir lá perguntar se pode brincar?", agachado ao lado dela, seguido de um passo atrás, dá à criança o empurrãozinho e o espaço para tentar. Sempre que der, resista a perguntar por ela, porque a confiança vem de fazer.
Prepare a criança para um não
Pedir com coragem e receber um não é uma das ferroadas da infância, então prepare a criança para essa possibilidade sem ficar insistindo nela. Garanta que um não geralmente quer dizer que o grupo está ocupado com a brincadeira dele, e não que não gostam dela, e que um não não é um veredito. Dê a ela um plano B: tentar de novo mais tarde, procurar outra criança ou começar uma atividade só dela. A criança que sabe que um não tem saída fica muito mais disposta a arriscar perguntar.
Comemore a coragem, e não só o resultado
Elogie o pedido em si, seja qual for a resposta. "Você foi lá e perguntou, isso foi muito corajoso" importa mais do que ter recebido um sim. Isso ensina à criança que o ato corajoso é a vitória, e mantém a criança tentando mesmo depois de um tombo. Mantenha o elogio carinhoso, mas discreto, principalmente com uma criança encabulada, para que ele encoraje em vez de envergonhar.
Quando olhar um pouco mais de perto
Hesitar para pedir é muito comum e costuma melhorar com prática. Pode valer uma conversa com o pediatra ou com a professora de referência da creche se a criança fica tão ansiosa que evita todas as situações sociais, acha realmente difícil qualquer comunicação de ida e volta em todos os ambientes, raramente compartilha atenção ou interesse com os outros ou se a dificuldade vier junto com outras preocupações com a comunicação ou o desenvolvimento. São sinais para uma conversa de apoio e algumas ideias sob medida, e não sinais de que uma criança tímida seja motivo de preocupação.
Para levar com você
Para ensinar a criança a pedir para brincar, ensaie as palavras em casa de um jeito leve e sem pressão, ofereça um cardápio curto de frases e oriente o momento certo, para que ela observe a brincadeira antes de pedir. Mostre como se faz, dê deixas suaves na hora, prepare a criança para a chance de um não e comemore a coragem de pedir, seja qual for a resposta. Essas duas palavrinhas abrem muitas portas, e cada treino deixa o próximo pedido um pouco mais fácil.
Para guardar: Ensaie em casa algumas frases simples para pedir, oriente a criança a observar a brincadeira primeiro e elogie a coragem de pedir, e não só o sim.