Como ajudar a criança a entrar numa brincadeira que já começou

Ver um grupinho de crianças mergulhado numa brincadeira e a sua criança rondando a beirada é um daqueles pequenos momentos de pracinha que apertam o coração. A boa notícia é que entrar num grupo é uma habilidade que se aprende, e não um traço fixo. Algumas crianças leem a brincadeira e se encaixam com suavidade, outras chegam atropelando e derrubam a torre, e muitas simplesmente congelam. Todas podem melhorar com um pouco de prática e o jeito certo de ajudar a criança a entrar na brincadeira.

Por que entrar é tão complicado

Uma brincadeira que já começou tem o seu próprio ritmo, papéis e regras não ditas. A criança que quer entrar precisa entender o que está acontecendo, achar uma brecha e oferecer algo que o grupo queira, tudo em poucos segundos. As crianças menores muitas vezes pulam a etapa de ler o ambiente. Pegam um objeto, anunciam uma regra nova ou entram rasgando pelo meio, e depois não entendem por que os outros reclamam. Não é falta de educação. É uma questão de tempo social realmente difícil.

Observe antes de correr

O mais útil que você pode ensinar é uma pausa. Antes de tentar entrar num grupo que já está brincando, incentive a criança a observar um pouco: do que é a brincadeira, quem está fazendo o quê e onde ela poderia se encaixar? A criança que entende a brincadeira pode se oferecer para ser cliente da vendinha, em vez de tentar virar um segundo vendedor. Ler primeiro e agir depois é o coração de uma entrada tranquila.

Jeitos suaves de entrar que costumam funcionar

  • Observar a brincadeira por alguns segundos primeiro.
  • Fazer a mesma coisa ali perto, para já fazer parte da cena.
  • Fazer uma pergunta pequena e fácil sobre a brincadeira.
  • Oferecer algo útil: "Eu posso ser o bebê" ou "Achei outro bloco".
  • Esperar uma pausa natural, em vez de interromper a ação.

Fazer a mesma atividade por perto é uma estratégia silenciosamente genial para as crianças menores, que têm dificuldade com palavras. A criança que começa a montar blocos ao lado do grupo dos blocos muitas vezes é absorvida sem dizer uma única frase. Para as que já falam, uma pergunta discreta como "o que vocês estão fazendo?" é muito mais bem recebida do que uma exigência de ser incluída.

Pratiquem em casa primeiro

O faz de conta tira a pressão. Usem bonecos ou revezem quem é o grupo e quem acabou de chegar. Experimentem uma versão em que a criança entra atropelando e os bonecos reclamam, depois uma em que ela observa e pergunta, e deixe a criança perceber a diferença no que sente. Mantenha leve e curto. Você está construindo um cardápio de movimentos que ela pode usar, e não dando uma aula de boas maneiras.

Também dá para orientar na hora, baixinho e rapidinho. Um suave "olha primeiro do que eles estão brincando", agachado ao lado da criança, faz mais do que uma conversa longa depois. Aí dê um passo atrás e deixe que ela tente.

Quando ela é recusada

Às vezes a criança faz tudo certo e mesmo assim ouve um "não". Isso dói, e vale dar nome ao sentimento com honestidade, em vez de passar por cima. Você pode dizer: "Foi horrível. Eles estavam ocupados com a brincadeira deles." Garanta à criança que um "não" não é um veredito sobre ela. Grupos de crianças pequenas muitas vezes protegem uma brincadeira que está a todo vapor e não estão fazendo um julgamento duradouro.

Depois, ofereça um próximo passo. Ela pode tentar de novo em alguns minutos, procurar uma criança só em vez do grupinho inteiro ou começar uma atividade pequena dela, para a qual os outros podem ir se aproximando. Ter um plano B impede que uma única recusa vire a história inteira da tarde.

Diminua os resgates

É tentador marchar até lá e arrumar tudo, e de vez em quando um toque leve de um adulto ajuda, principalmente com crianças muito pequenas ou ansiosas. Mas resolver toda vez rouba da criança a prática. Quando der, fique para trás, deixe que ela tente entrar e guarde a sua contribuição para depois. A confiança cresce de dar conta de um momento um pouco difícil, e não de ter esse momento removido.

Quando olhar um pouco mais de perto

Ter dificuldade para entrar em grupos é extremamente comum e geralmente só precisa de tempo e repetição. Pense numa conversa com o pediatra ou com a professora de referência da creche se a dificuldade for persistente e vier junto com outros sinais: a criança raramente faz contato visual ou compartilha a atenção, acha difícil qualquer conversa de ida e volta, parece não conseguir ler sinais óbvios dos outros em muitas situações ou fica tão angustiada com outras crianças que evita todo ambiente de grupo. Isso aponta para uma conversa de apoio, e não para um diagnóstico que dá para fazer no balanço.

Para levar com você

Entrar numa brincadeira em andamento pede que a criança observe, ache uma brecha e ofereça algo que o grupo valorize. Você pode ajudar a criança a entrar na brincadeira ensinando a pausa, ensaiando em casa algumas frases simpáticas de abertura, orientando rapidinho na hora e mantendo o carinho quando não der certo de primeira. As pequenas vitórias se somam, e a habilidade que parece impossível aos três anos muitas vezes vira algo natural alguns anos depois.

Para guardar: Ensine a criança a observar a brincadeira primeiro e depois se encaixar, entrando na atividade ou oferecendo algo útil, em vez de tomar conta do jogo.

NHS, Help your child make friends

American Academy of Pediatrics, The Power of Play