Criança que se compara com os outros: como fortalecer a confiança dela
"Ela consegue e eu não." "O desenho dele é mais bonito que o meu." "Eu sou o mais lento." Em algum ponto entre os 3 e os 5 anos e os primeiros anos de escola, a criança começa a reparar onde está em relação aos outros, e para algumas isso vira uma fonte real de tristeza. Ajudar a criança que se compara com os outros começa por aceitar que comparar é normal e, depois, ajudar com delicadeza a criança a se medir pelo próprio crescimento, e não pelo dos outros.
Por que as crianças começam a se comparar
A comparação é sinal de uma consciência que está se desenvolvendo, e não um defeito. Conforme cresce, a criança passa a perceber diferenças de habilidade, de velocidade e de aparência, e a imaginar como os outros a veem. Isso faz parte de uma compreensão social saudável. O problema aparece quando a comparação deixa de ser só perceber e vira julgar, e a criança conclui que estar atrás de alguém quer dizer que ela não é boa o bastante. O seu papel não é impedir que ela perceba, e sim suavizar a conclusão dura que tantas vezes vem depois.
Não compare você também
A criança absorve o hábito de comparar da linguagem em volta dela. Até as comparações carinhosas, como "por que você não é organizado como o seu irmão?" ou "olha como ela divide os brinquedos", ensinam a criança a se ranquear contra os outros. As comparações feitas como elogio também, porque a criança logo entende que, se hoje ficou acima de alguém, amanhã pode ficar abaixo. Para fortalecer a confiança de uma criança que se compara, o primeiro passo muitas vezes é tirar a comparação da sua própria fala do dia a dia.
Vire o espelho para o progresso dela
O antídoto mais saudável para se comparar com os outros é se comparar com quem você era antes. Ajude a criança a perceber o quanto já caminhou: "Lembra quando você não conseguia atravessar o brinquedo de escalar? Olha você agora." Isso dá a ela uma medida real e motivadora que ninguém mais pode ganhar ou perder. Quando a criança aprende a acompanhar o próprio crescimento, o sucesso de outra pessoa deixa de parecer um fracasso dela e passa a parecer só o caminho separado de outra pessoa.
Dê nome ao sentimento por baixo
Quando a criança diz "eu sou o pior na corrida", geralmente está expressando um sentimento, e não relatando um fato. Receba o sentimento primeiro: "Parece que hoje você se sentiu deixado para trás, e isso não foi gostoso." Ser compreendida tira o calor do momento muito melhor do que correr para tranquilizar com "imagina, você é ótimo". Com o sentimento reconhecido, a criança consegue ouvir a visão mais equilibrada que você oferece em seguida, em vez de discutir com ela.
Amplie a ideia do que conta
A criança que se compara muitas vezes se fixa num placar estreito, geralmente o que está mais à vista: quem é mais rápido, quem lê melhor, quem tem o tênis mais bonito. Dá para ampliar o quadro com delicadeza. Mostre os muitos jeitos diferentes de ser bom em alguma coisa, incluindo gentileza, curiosidade, esforço, bom humor e persistência. Quando a criança entende que as pessoas são fortes em áreas muito diferentes e que ninguém é o melhor em tudo, o placar único perde a força e o valor que ela dá a si mesma ganha mais chão para se apoiar.
Os momentos de "fulano é melhor", com calma
Quando a criança anuncia que um amigo é melhor em alguma coisa, evite os dois extremos: não concorde com desânimo e não descarte com elogio vazio. Experimente honestidade com carinho: "É verdade, o Pedro faz natação há dois anos, então ele já treinou bastante. Você também está aprendendo, no seu ritmo." Isso ensina a ideia essencial de que habilidade vem de tempo e esforço, e não de um ranking fixo de quem nasceu bom. Esse entendimento é uma das proteções mais fortes contra a comparação que corrói.
Diminua os gatilhos de comparação que estão nas suas mãos
Alguns ambientes aumentam a comparação. Competição constante, rankings e, para as crianças maiores, telas cheias dos melhores momentos dos outros podem alimentar o hábito. Você não consegue proteger a criança de toda comparação, e nem deve tentar, mas pode pensar em quanto ela fica exposta e em como vocês falam sobre isso. Valorizar a cooperação mais do que a competição em casa e jogar jogos em que a graça está em jogar dá à criança uma pausa de se medir e uma chance de só curtir.
Quando a comparação sinaliza algo mais profundo
A maior parte da comparação diminui conforme a criança amadurece e ganha confiança. De vez em quando, ela fica persistente e dolorida: uma criança que se diminui o tempo todo, parece realmente infeliz com quem é, se afasta das atividades com medo de não estar à altura ou mostra mudanças no humor, no sono ou no apetite. Se uma autoestima baixa assim durar semanas ou preocupar você, vale conversar com o pediatra ou com a professora da criança, que podem ajudar a decidir se um apoio extra seria útil.
A confiança que dura
A confiança construída sobre ser melhor do que os outros é frágil, porque sempre aparece alguém melhor. A confiança construída sobre conhecer o próprio valor, acompanhar o próprio crescimento e valorizar muitos tipos de força é firme e duradoura. Cada vez que você ajuda a criança que se compara com os outros a voltar a atenção para o próprio caminho, ajuda a criança a levar um senso de si mais firme e mais gentil para um mundo que sempre vai oferecer alguém com quem se medir.
Para guardar: Comparar é normal, mas a confiança dura quando se apoia no progresso da própria criança: tire as comparações da sua fala, dê nome ao sentimento e amplie o que conta como ser bom em algo.