Como ensinar a criança a tomar decisões desde pequena
Decidir é um músculo, e como todo músculo fica mais forte com o uso. A criança que treina escolher desde pequena cresce capaz de pesar opções, confiar no próprio julgamento e agir, em vez de travar ou esperar que alguém mande. Para ensinar a criança a tomar decisões, você não precisa de grandes momentos. Precisa de uma corrente constante de escolhas pequenas e reais costuradas nos dias comuns, cada uma um ensaio minúsculo para as decisões maiores que a vida vai trazer um dia.
Por que treinar cedo importa
Tomar decisões não é algo que liga sozinho numa certa idade. Se aprende, devagar, pela experiência. Cada vez que a criança pequena escolhe e vê o que acontece, junta informação sobre as próprias preferências e sobre como o mundo responde. Crianças que nunca podem decidir nada podem chegar à infância mais avançada sem prática e ansiosas na hora de escolher, enquanto as que escolheram coisas pequenas desde sempre costumam se sentir calmas e capazes diante das decisões. Os anos de treino são estes primeiros.
Comece com duas opções claras
Perguntas abertas sobrecarregam a criança pequena. Perguntar a uma criança de três anos o que ela quer fazer hoje convida um olhar perdido ou uma resposta completamente impraticável. Duas opções claras e aceitáveis são muito mais gentis com uma cabeça em desenvolvimento: "Você quer a maçã ou a banana?" ou "Vamos ler este livro ou aquele?" As duas escolhas devem ser coisas que você aceita de verdade. Conforme a criança ganha prática, dá para passar para três opções, mas duas é o ponto de partida confiável.
Deixe a decisão ser real
Uma escolha só ensina quando é verdadeira. Se você pergunta qual blusa a criança quer e depois passa por cima da resposta, ensina que decidir não serve para nada. Quando oferecer uma escolha, respeite, mesmo que ela escolha a opção que você não escolheria. Isso significa só oferecer escolhas com as quais você consegue conviver. Uma decisão real, cumprida, diz à criança que o julgamento dela conta e que as escolhas dela moldam o dia, exatamente a lição que você quer fazer crescer.
Pense em voz alta
A criança aprende a decidir ouvindo como as decisões são tomadas. Você pode narrar as suas pequenas escolhas: "Parece que vai chover, então vou levar a sombrinha em vez de deixar em casa." Também pode conduzir a criança com leveza pelas escolhas dela: "Se você usar a galocha, pode pular nas poças, mas talvez fique quente depois. O que você acha?" Esse pensar em voz alta mostra que uma decisão envolve pesar as coisas, uma habilidade que a criança absorve aos poucos e começa a usar sozinha.
Deixe que ela sinta os resultados
Conviver com o resultado de uma decisão, dentro de limites seguros, é onde o aprendizado de verdade acontece. Se a criança escolhe o brinquedo para levar à pracinha e depois queria ter levado outro, essa decepçãozinha ensina mais do que qualquer aviso. Resista à vontade de salvar cada pequeno arrependimento. Quando você deixa os resultados chegarem com suavidade, a criança aprende que decisões têm consequências e começa a pensar um pouco mais adiante na próxima vez, que é o coração do bom julgamento.
Não apresse
Decidir leva mais tempo para a criança pequena do que para nós, e a pressa costuma produzir uma escolha em pânico ou um pedido para você decidir no lugar dela. Quando der, dê um momento. Um calmo "pode pensar, não tem pressa" respeita o esforço que é escolher. Se a decisão estiver realmente se arrastando, um limite de tempo suave ajuda: "Você pode escolher enquanto eu conto até cinco." Mas, sempre que possível, proteja a pequena pausa em que a criança faz o próprio pensamento.
As grandes decisões ficam com você
Estimular a criança a decidir não significa entregar escolhas grandes demais para ela. Hora de dormir, segurança, saúde e o básico da família ficam firmemente com você, e isso tranquiliza, em vez de restringir. A criança pequena chamada a decidir coisas grandes pode se sentir ansiosa e sem chão. A arte está em oferecer muita escolha dentro de uma moldura segura que você segura: ela decide as coisas pequenas, você decide as grandes, e as duas partes sabem onde fica a linha. Esse equilíbrio deixa a capacidade de decidir crescer sem sobrecarga.
Quando escolher parece difícil demais
A maioria das crianças fica mais decidida com a prática, embora mudar de ideia e hesitar sejam completamente normais pelo caminho. De vez em quando, uma criança fica tão angustiada com escolhas que até as simples causam sofrimento real bem depois da fase dos 2 e 3 anos, ou a dificuldade vem junto com outras preocupações com ansiedade, humor ou desenvolvimento. Se um padrão assim persistir ou preocupar você, uma conversa com o pediatra ou com a equipe da creche pode ajudar a distinguir uma variação comum de algo que pode se beneficiar de um olhar mais atento.
Formando alguém que decide com confiança
A criança que escolhe as meias hoje está treinando para a criança que vai escolher os amigos, os interesses e, um dia, o próprio caminho. Cada pequena escolha que você oferece é um voto de confiança no julgamento dela. Quando você ensina a criança a tomar decisões com essas oportunidades constantes e de pouco risco, forma alguém que confia em si para pensar, escolher e agir, uma das formas mais verdadeiras de autonomia que uma pessoa pode carregar.
Para guardar: Decidir se aprende praticando: ofereça duas escolhas reais e aceitáveis, respeite o que a criança escolher, deixe que ela sinta o resultado e mantenha as grandes decisões com você.