Como desenvolver autoconfiança na criança sem elogiar o tempo todo

Muitos pais têm medo de que, se pararem de dizer "muito bem", a criança vá murchar. Geralmente acontece o contrário. A confiança cresce do que a criança faz e consegue por conta própria, e não de uma narração contínua de aprovação. Para desenvolver autoconfiança na criança sem elogio constante, a ideia é passar da torcida para o envolvimento real, para que a criança se sinta capaz porque realmente fez coisas de quem é capaz.

Por que o elogio sem fim pode atrapalhar

O elogio constante e automático é fácil de dar e fácil de ignorar. A criança que ouve "parabéns" por tudo, de terminar o lanche a calçar uma meia, logo deixa de ouvir. Pior: algumas crianças começam a fazer as coisas pela reação, e não pela tarefa, olhando para você a cada passinho para conferir a nota. Esse hábito tira, sem alarde, a sensação de conquista de dentro da criança e coloca no seu rosto. A confiança de verdade mora dentro da criança, que é onde ela deve ficar.

Repare no esforço e descreva o que vê

Você não precisa ficar em silêncio. O mais útil que você pode oferecer é atenção honesta. Em vez de um veredito, descreva o que aconteceu de fato: "Você continuou tentando com esse zíper até ele subir" ou "Você carregou os dois copos e não derramou." Isso mostra à criança que você estava olhando e que os detalhes importaram. A descrição também dá uma informação que ela pode usar de novo, coisa que um "incrível" sem graça nunca dá. Mantenha o tom carinhoso e natural, sem euforia, para que o momento continue sendo dela.

Dê tarefas de verdade, e não testes

A criança percebe a diferença entre uma tarefa inventada só para ocupar o tempo dela e uma de que a família realmente precisa. Pôr a mesa, dar comida ao gato, buscar as fraldas ou regar uma planta carregam o peso de ser útil. Quando uma criança pequena termina algo que importava, a sensação de "eu ajudei" faz mais pela crença em si do que qualquer adesivo. Comece com tarefas um pouco abaixo do limite dela, para que o sucesso seja provável, e vá esticando conforme ela cresce. O ponto é que a tarefa seja realmente dela, do começo ao fim, e não algo que você fica rondando e termina escondido. A competência construída com contribuição real é um dos caminhos mais seguros para uma confiança duradoura, e ela fica um pouco mais firme a cada tarefa que a criança termina sozinha.

Deixe a tarefa dar o retorno

Quando der, deixe o resultado falar. A torre fica de pé ou balança. O sapato está no pé certo ou fica estranho. Quando você corre para rotular cada resultado, assume um trabalho que o mundo faz muito bem sozinho. Esperar um instante deixa a criança sentir o resultado natural e se ajustar. O seu papel é ficar por perto, com interesse, pronto para ajudar se ela pedir, e não apitar cada movimento.

Troque o elogio por uma conversa útil

Quando a criança trouxer um desenho, resista ao reflexo do "lindo". Pergunte: "Como você fez esse formato?" ou "Que parte demorou mais?" A curiosidade mostra que o pensamento dela vale uma conversa, e isso chega mais fundo do que a aprovação. Esse é o coração de desenvolver autoconfiança na criança sem elogio constante: você troca um julgamento rápido por uma troca verdadeira, e a criança aprende que o processo dela é interessante, e não só o resultado final.

Deixe a criança ficar com pequenas dificuldades

A confiança é, em parte, a lembrança de ter dado conta. A criança que é resgatada no instante em que algo fica difícil nunca junta essas lembranças. Quando a criança franzir a testa diante de uma peça do jogo de encaixe, espere. Ofereça um calmo "você vai descobrir" em vez de pôr a mão. Se ela estiver realmente travada, ajude com o menor empurrãozinho possível e depois dê um passo atrás, para que a vitória ainda seja dela. Ao longo das semanas, essas dificuldades superadas ensinam que a dificuldade é normal e dá para atravessar.

Mantenha as suas reações firmes

A criança é especialista em ler rostos. Se a sua alegria só dispara quando ela acerta, ela aprende que o seu carinho depende do desempenho. Tente manter um fundo firme e carinhoso seja qual for o resultado, para que um tropeço ou um erro nunca ameace a conexão. A criança que sabe que a relação está segura arrisca mais, e é arriscando que a confiança se forja.

Quando olhar um pouco mais de perto

A maioria das crianças quietas e cautelosas só precisa de tempo e de incentivo discreto. De vez em quando, uma criança evita quase tudo o que é novo, parece ter um medo intenso de pequenos fracassos ou mostra uma perda repentina de confiança junto com mudanças no sono, no apetite ou no humor. Se esse padrão durar várias semanas ou preocupar você, é razoável conversar com o pediatra ou com uma professora da creche. Perguntar cedo é sinal de cuidado, e não da falta dele.

Um jeito suave de começar esta semana

Escolha um momento por dia em que você normalmente diria "muito bem" e descreva o que notou no lugar. Entregue uma pequena responsabilidade real e deixe que a criança seja dona dela. Depois, simplesmente esteja presente enquanto ela trabalha, com carinho e sem pressa. Essas pequenas mudanças se somam e deixam você desenvolver a autoconfiança da criança sem que o elogio constante vire o ruído de fundo da sua casa.

Para guardar: A confiança vem de fazer coisas reais e se sentir capaz, então troque a enxurrada de elogios por atenção honesta, tarefas úteis e espaço para enfrentar dificuldades com segurança.

UNICEF, How to build your child's confidence

CDC, Positive parenting tips