Segurança no parquinho: checklist para pais

O parquinho é onde a criança corre, sobe, balança e testa o corpo que está crescendo, e isso faz muito bem. Quedas e galos fazem parte desse risco saudável, mas alguns poucos perigos podem transformar a brincadeira numa ida ao pronto atendimento. Um checklist simples, repassado de cabeça na chegada, deixa a criança aproveitar tudo o que a brincadeira ativa oferece enquanto você fica de olho, discretamente, no que de fato causa ferimentos graves.

Uma olhada rápida na chegada

Antes de a criança disparar para o escorregador, tire alguns segundos para olhar em volta. Veja se o chão embaixo dos brinquedos é macio e amortece impacto, como casca de árvore, piso emborrachado ou areia, e não cimento, asfalto ou terra batida, porque a maioria dos ferimentos graves no parquinho são quedas em chão duro. Procure brinquedos quebrados ou danificados, pontas afiadas, parafusos saindo, ferrugem, farpas e vãos que possam prender cabeça, braço ou cordão. Repare em lixo, caco de vidro, cocô de animal ou água parada. Essa primeira olhada é o coração do checklist e quase não leva tempo.

Brinquedo certo para a idade

Os parquinhos costumam ter áreas para os menores e para os maiores, e isso importa mais do que parece. Os brinquedos dos maiores têm plataformas mais altas, vãos maiores e escorregadores mais rápidos, que podem ser demais para uma criança pequena. Leve a criança para os brinquedos menores, feitos para a idade e a fase dela, com alturas baixas, escorregadores fechados e balanços tipo cadeirinha. Resista à vontade de colocar uma criança pequena num brinquedo de escalar alto além do que ela consegue, mesmo com as suas mãos ali, porque escorregar do alto para o chão é exatamente o tipo de queda que machuca.

Cuidado com superfícies quentes

Em dias de sol, escorregadores de metal, pisos emborrachados escuros, corrimãos e degraus de metal podem esquentar a ponto de queimar, principalmente a pele exposta. Teste as superfícies com a mão antes de a criança usar, tenha cuidado especial com escorregadores de metal e vista a criança de um jeito que a parte de trás das pernas não encoste num escorregador pelando. Nos dias muito quentes, brincar mais cedo ou mais tarde, quando os brinquedos não ficaram horas no sol, poupa as mãozinhas e as pernas.

Roupa para brincar com segurança

A roupa pode ser um perigo escondido nos brinquedos do parquinho. Tire ou prenda o que pode enganchar, como cachecol, cordões, cordinhas de capuz e colares, porque podem prender nos brinquedos e causar estrangulamento. O capacete da bicicleta deve sair antes de subir nos brinquedos, porque pode ficar preso nos vãos. Prefira sapatos fechados e firmes no pé, em vez de chinelo ou sandália solta, para ter mais aderência nos brinquedos de escalar e nas escadinhas. Essas pequenas escolhas deixam a brincadeira muito mais segura.

Os brinquedos mais comuns e como usar

Cada brinquedo tem o seu jeito. No escorregador, uma criança por vez, sentada e com os pés para frente, e nunca desça com uma criança pequena no colo, que é uma causa surpreendentemente comum de fratura na perna. No balanço, use a cadeirinha fechada para os pequenos, ensine a criança a ficar sentada, e não em pé, e mantenha as outras longe do caminho do balanço em movimento. Nos brinquedos de escalar, incentive usar as duas mãos e esperar a vez, e fique logo embaixo de uma criança pequena. Desestimule subir pelo escorregador ou pelo lado de fora dos brinquedos, onde as quedas são mais prováveis.

Acompanhe sem sufocar

Uma boa supervisão no parquinho é atenta, mas não sufocante. Fique onde consiga ver a criança, largue o celular o suficiente para reagir rápido e esteja por perto para evitar os movimentos mais arriscados, como uma criança pequena indo para o topo de um brinquedo alto. Ao mesmo tempo, permita os pequenos tropeços e os desafios possíveis que constroem confiança e coordenação, e deixe a criança descobrir como subir e se equilibrar dentro do que ela consegue. Os menores precisam de você ao alcance da mão, e os maiores podem ganhar um pouco mais de espaço conforme mostram que dão conta. Um checklist rodando na cabeça ajuda a pôr a atenção onde ela importa.

Quando buscar ajuda

A maioria dos acidentes no parquinho são arranhões e roxos que se resolvem com um abraço. Procure atendimento, porém, se a criança cair do alto e depois ficar sonolenta, vomitar, ficar confusa ou desmaiar, mesmo que por pouco tempo, se não conseguir apoiar o peso numa perna ou não estiver mexendo um braço normalmente, ou se tiver um corte que não para de sangrar ou que talvez precise de pontos. Uma batida na cabeça que mude o comportamento da criança, suspeita de osso quebrado ou qualquer machucado que deixe você em dúvida merecem avaliação. Ligue para o SAMU (192) diante de algo que pareça grave e confie no seu julgamento se a criança não parecer bem depois.

Com alegria

Parquinho foi feito para divertir, e um pouco de risco é justamente como a criança aprende do que o corpo é capaz. O checklist não serve para colocar a criança numa redoma, e sim para tirar os perigos de verdade: chão duro, brinquedos quebrados ou grandes demais, escorregador pelando e cordões que podem enganchar. Assim, sobram só os bons desafios. Faça a olhada rápida, leve a criança para os brinquedos da idade dela, fique de olho e depois relaxe e deixe brincar.

Para guardar: Confira o chão e os brinquedos na chegada, escolha brinquedos da idade, tire cordões que possam enganchar, teste superfícies quentes e acompanhe de perto sem tirar os bons desafios.

AAP HealthyChildren, Playground Safety

NHS, Baby and toddler safety