Bateria de botão e ímã: o perigo que cabe na mão da criança

Alguns dos acidentes mais graves com objetos engolidos por crianças pequenas vêm de duas coisas pequenas e banais: a bateria de botão, do tamanho de uma moeda, e o ímã minúsculo e potente. Os dois podem causar lesões internas sérias muito rápido, às vezes com poucos sinais no começo. Este é um assunto em que conhecer o risco realmente evita tragédias, e agir rápido quando algo é engolido faz toda a diferença.

Por que a bateria de botão é tão perigosa

Uma bateria de botão engolida, principalmente as de lítio maiores, em formato de moeda, pode queimar o tecido da garganta ou do intestino em apenas umas duas horas. Quando ela fica presa no esôfago, a saliva fecha um circuito elétrico que provoca uma reação química e causa queimaduras internas graves. O assustador é que a criança pode parecer bem no começo, ou ter sintomas vagos como recusar comida, babar, tossir ou ficar um pouco irritada, então o perigo passa despercebido com facilidade. Por isso, a suspeita de que a criança engoliu uma bateria é tratada como emergência, e não como algo para esperar e ver.

Por que ímãs pequenos são tão perigosos

Os ímãs pequenos e potentes, como os de alguns brinquedos de montar, brinquedos antiestresse, piercings falsos e enfeites de escritório, trazem um risco diferente, mas igualmente sério. Se a criança engole dois ou mais, eles se atraem através das paredes do intestino e prendem o tecido no meio. Isso pode cortar a circulação, furar o intestino e levar a uma infecção grave, muitas vezes com necessidade de cirurgia. Como no caso das baterias, os primeiros sintomas podem ser leves ou nem aparecer, e por isso prevenção e ação rápida são tão importantes.

Onde eles se escondem em casa

O primeiro passo da prevenção é saber onde esses objetos estão, porque são mais comuns do que parece. Baterias de botão fazem funcionar controles remotos, chaves de carro, balanças de banheiro e de cozinha, termômetros, aparelhos auditivos, relógios, velas de LED, cartões musicais, tênis e brinquedos que acendem e pequenas engenhocas. Baterias soltas na gaveta são um perigo à parte. Ímãs pequenos aparecem em brinquedos magnéticos de montar, bijuterias, ímãs de geladeira, placas magnéticas de construção e enfeites de mesa. Uma varredura mental pela casa costuma revelar mais fontes do que você imaginava.

Baterias fora do alcance

Guarde as baterias de botão novas e usadas bem longe da vista e do alcance, de preferência num recipiente alto e trancado, e nunca deixe soltas na mesa ou numa gaveta baixa. Bateria usada continua perigosa: passe uma fita adesiva por cima e leve logo para o descarte correto, sem deixar largada. Na hora de comprar, prefira produtos com tampa de bateria presa por parafuso ou que precise de ferramenta para abrir, e confira se a tampa dos objetos que você já tem está bem fechada. Se a tampa estiver solta ou faltando, feche com fita ou guarde o objeto até consertar.

Ímãs longe das crianças pequenas

Para bebês e crianças de até uns cinco anos, o mais seguro é não ter ímãs pequenos e potentes em casa, porque mesmo os kits vendidos para crianças maiores são um risco enorme para um irmão menor que possa engolir as peças. Se as crianças maiores têm brinquedos magnéticos, guarde tudo bem fora do alcance, conte as peças depois da brincadeira e mantenha esses brinquedos totalmente longe dos menores. Desconfie de objetos magnéticos vendidos como diversão para adultos e confira se os ímãs de geladeira e outros ímãs do dia a dia são grandes o bastante para não serem engolidos e estão bem presos.

Hábitos do dia a dia que ajudam

Algumas rotinas mantêm o risco baixo. Depois de trocar a bateria, confira sempre se a tampa fechou com o clique ou com o parafuso. Guarde baterias novas e usadas na embalagem ou num pote fechado com fita até o descarte. Quando chegar um cartão musical ou um brinquedinho que acende, lembre que provavelmente tem uma bateria de botão dentro e guarde de acordo. Explique às crianças maiores por que esses objetos não são brinquedo e incentive que contem a você se uma bateria ou um ímã sumir, em vez de esconder.

Quando buscar ajuda

Se você acha que a criança engoliu uma bateria de botão ou qualquer ímã, ou colocou um no nariz ou no ouvido, aja na hora. Leve a criança direto para o serviço de emergência mais próximo ou ligue para o SAMU (192), e leve junto a embalagem ou uma bateria ou ímã igual, para que a equipe saiba o tipo e o tamanho. Não espere sintomas, não provoque vômito e não dê nada para comer ou beber, a não ser que alguém da saúde oriente. Algumas orientações sugerem dar mel a crianças com mais de doze meses a caminho do hospital quando há suspeita de bateria de botão, mas só se um profissional orientar e sem atrasar a ida. Sinais que sempre pedem atendimento urgente: baba, dificuldade ou dor para engolir, dor no peito ou na barriga, vômito, vômito com sangue, cocô escuro ou com sangue, dificuldade para respirar ou uma criança que passa mal.

Sem pânico, com informação

Aqui, um pouco de conhecimento vai muito longe. Quase toda casa tem baterias de botão e ímãs, e com o armazenamento certo eles não causam mal nenhum. O essencial é simples: saber onde estão, manter tudo guardado e fora do alcance e tratar qualquer suspeita de ingestão como emergência. Essa combinação transforma um risco raro, porém grave, em algo que você consegue administrar com confiança.

Para guardar: Baterias de botão e ímãs pequenos trancados e bem fechados. Se a criança pode ter engolido um, hospital na hora, sem esperar sintomas.

AAP HealthyChildren, Button Battery Injuries in Children

NHS, Poisoning