Como evitar engasgo em bebês e crianças pequenas

As crianças pequenas exploram o mundo pela boca, e as vias respiratórias delas são estreitas, então um pedacinho de comida ou uma peça minúscula de brinquedo pode bloquear a respiração muito rápido. Por isso vale pensar na prevenção do engasgo com calma e antes, e não só na hora do susto. Alguns hábitos com a comida, os objetos e a supervisão tiram a maior parte do risco do dia a dia, sem transformar a refeição numa fonte de ansiedade.

Por que os pequenos correm mais risco

Bebês e crianças pequenas têm vias aéreas estreitas, ainda estão aprendendo a mastigar e a levar a comida para o fundo da boca e se distraem com facilidade enquanto comem. Também colocam na boca quase tudo o que alcançam, como parte normal do desenvolvimento. Entender isso ajuda a ver a prevenção não como vigilância constante, mas como organizar o ambiente para que os itens mais perigosos simplesmente não estejam à mão.

Alimentos que pedem cuidado extra

Alguns alimentos do dia a dia têm exatamente o tamanho e o formato errados para descer por uma traqueia pequena. Uva e tomate cereja devem ser cortados em quatro no sentido do comprimento, e não só ao meio. Salsicha e outros alimentos redondos vão em tirinhas finas no comprimento, nunca em rodelas. Tire o caroço das frutas macias, as espinhas do peixe e evite castanhas e amendoim inteiros antes dos cinco anos, oferecendo pasta lisa de castanha em camada fina no lugar. Balas duras, pipoca, marshmallow e pedaços de maçã ou cenoura crua ficam melhor longe dos menores, ou amolecidos no cozimento e ralados.

Refeições mais seguras

Como a criança come importa tanto quanto o que ela come. Coloque bebês e crianças pequenas sempre sentados e retos para comer, de preferência presos no cadeirão, e fique junto durante a refeição inteira. Nunca deixe a criança comer andando, correndo, deitada, brincando ou no carro em movimento, porque o movimento aumenta a chance de engasgo e dificulta perceber o problema rápido. Ofereça pouca quantidade por vez, mantenha o clima sem pressa e deixe a criança ditar o ritmo, sem apressar as últimas colheradas.

Objetos pela casa

A comida é só parte da história. Objetos pequenos que não são comida respondem por boa parte dos engasgos e dos objetos engolidos. Uma regra prática: tudo o que passa pelo tubo de um rolo de papel higiênico é pequeno o bastante para engasgar uma criança pequena. Moedas, baterias de botão, bolinhas de gude, ímãs pequenos, tampas de caneta, tampinhas de garrafa, balões murchos ou estourados, miçangas e peças soltas de brinquedos devem ficar fora do alcance. Os balões merecem cuidado especial, porque um pedaço de balão estourado pode se moldar à via aérea e é muito difícil de tirar.

Escolha e confira os brinquedos

Compre brinquedos indicados para a idade da criança e leve a sério o aviso de peças pequenas, sem achar que ela é adiantada o bastante para dar conta. Confira com frequência olhos, rodinhas, baterias ou enchimento soltos e mantenha separados os brinquedos menores dos irmãos mais velhos. Uma boa prevenção inclui uma passada de olho no chão antes de o bebê brincar, porque o que cai vai direto para a boca.

Saiba o que fazer numa emergência

Até as famílias mais cuidadosas podem passar por um engasgo, e conhecer o básico traz uma calma de verdade. Se a criança está tossindo com força, incentive que continue tossindo, porque é o corpo limpando a via aérea. Se ela não consegue tossir, chorar ou respirar, precisa de ajuda na hora: no bebê com menos de um ano, use tapas nas costas e compressões no peito; na criança maior, tapas nas costas e compressões abdominais. Aprender esses passos num curso reconhecido de primeiros socorros ou nas orientações oficiais de saúde, e relembrar de tempos em tempos, deixa muito mais fácil agir rápido se acontecer.

Quando buscar ajuda

Ligue imediatamente para o SAMU (192) se a criança não conseguir respirar, ficar mole, ficar roxa ou perder a consciência, e comece os primeiros socorros na hora enquanto a ajuda chega. Procure orientação médica no mesmo dia se a criança parecer bem depois de um engasgo, mas depois tiver tosse que não passa, respiração barulhenta, chiado ou dificuldade para engolir, porque um pedacinho de comida ou de objeto pode ter ficado na via aérea. Se suspeitar que a criança engoliu uma bateria de botão ou um ímã, trate como emergência mesmo que ela pareça bem, porque eles causam lesões internas graves rapidamente.

Na medida certa

É fácil se assustar com o assunto, mas a meta é uma confiança tranquila, e não medo a cada refeição. A maioria dos engasgos pode ser evitada com alguns hábitos constantes: preparar com segurança os alimentos de risco, deixar objetos pequenos no alto, acompanhar as refeições e saber os primeiros socorros. Quando esses passos viram automáticos, sobra espaço para curtir a bagunça alegre de ver a criança aprendendo a comer e a explorar. Conforme a mastigação e a coordenação amadurecem, as regras da comida podem ir afrouxando aos poucos, guiadas pelas habilidades da criança, e não por uma idade fixa.

Para guardar: Alimentos de risco cortados em formatos seguros, objetos pequenos fora do alcance, um adulto junto em toda refeição e os primeiros socorros do engasgo na ponta da língua.

NHS, What to do if your child is choking

AAP HealthyChildren, Choking Prevention