Dramatizar o livro favorito com a criança
Alguns livros ilustrados são lidos tantas vezes que a criança conseguiria recitar dormindo, e é exatamente nesse momento que eles viram mais do que uma história de dormir. Quando a criança dramatiza uma história favorita, ela entra nela, experimentando vozes, sentimentos e o formato do enredo. Parece só diversão, e é, mas também é aprendizado rico vestido de brincadeira.
Por que encenar histórias ajuda
Recontar uma história com o corpo puxa memória, sequência e linguagem, tudo ao mesmo tempo. Para fazer o lobo ou o ursinho, a criança precisa lembrar o que vem depois, escolher palavras para isso e segurar a história inteira na cabeça. Fingir também deixa a criança ensaiar sentimentos grandes com segurança, do medo à coragem, dentro de uma história que ela já sabe que termina bem. Dramatizando um livro, a criança treina tudo isso sem nenhuma folhinha de exercício por perto.
Comece com uma história que ela já ama
Escolha um livro que a criança saiba quase de cor, de preferência um com um padrão claro que se repete. Histórias com refrão, perseguição ou uma sequência simples de acontecimentos são as mais fáceis de encenar, porque a estrutura carrega a brincadeira. Você não precisa de um livro com cenário sofisticado. Um favorito bem gasto funciona melhor justamente porque a criança não está ocupada aprendendo o enredo e pode colocar toda a energia na atuação.
Poucos objetos, e simples
Não precisa de fantasia nem de nada comprado. Um pano de prato vira capa, uma colher de pau vira varinha mágica e almofadas viram pedras para atravessar o rio. Algumas das melhores sessões não usam nada além de mãos, rostos e vozes. Se os objetos ajudam a criança a entrar no papel, ótimo, mas mantenha tudo simples, para a história continuar sendo a estrela e a arrumação depois não engolir a diversão.
Siga a criança
Você pode começar narrando enquanto a criança faz as ações, ou cada um pode pegar um personagem. Deixe a criança distribuir os papéis, mesmo que você ganhe o menos glamoroso pela décima vez. Se ela quiser mudar uma fala, colocar um monstro ou deixar o final mais bobo, deixe. A criança que remodela uma história está mostrando que entende a história bem o bastante para brincar com ela. O seu papel é ser uma companhia de cena disposta e um pouco canastrona, e não a direção.
Jeitos de dar vida a um livro
- Cada um pega um personagem, e depois trocam as vozes.
- Congelem na parte emocionante e perguntem o que acontece agora.
- Usem o sofá, a escada ou o quintal como cenário da história.
- Deixe a criança narrar enquanto você faz a mímica.
- Apresentem para uma plateia de bichos de pelúcia ou para uma avó disposta.
Quando a criança prefere assistir a participar
Nem toda criança pula para se apresentar, e tudo bem. Algumas preferem dirigir da beirada, ser a plateia ou encenar uma parte pequena e parar. Empurrar uma criança relutante para o palco costuma sair pela culatra. Dá para manter a porta aberta entrando na brincadeira com entusiasmo, convidando em vez de insistir e comemorando qualquer contribuição, por menor que seja. Com o tempo, muitas crianças mais quietas entram quando confiam que não existe jeito errado.
A brincadeira cresce com a criança
A criança de 1 a 3 anos pode simplesmente pisar forte como o gigante, enquanto a de quatro anos já costura o enredo inteiro com falas. Conforme a confiança cresce, você pode convidar a criança a acrescentar uma cena nova, juntar duas histórias ou explicar por que um personagem se sentiu de um certo jeito. Quando a criança dramatiza o mesmo livro de novo e de novo, você vai perceber o reconto ficando mais rico, um sinal lindo e visível de que a linguagem e a memória estão se desenvolvendo.
Ler e fingir se alimentam
Encenar uma história e ler a história não disputam o tempo da criança; um fortalece o outro. A criança que já encenou um livro muitas vezes volta a ele com interesse renovado, reparando em detalhes que tinha passado correndo. Da mesma forma, quanto mais vocês leem uma história, mais material a criança tem para brincar com ela. Deixe as duas coisas fluírem juntas: leiam o livro na hora de dormir, encenem na tarde seguinte e leiam de novo, com a criança agora louca para falar as melhores falas.
Uma observação leve sobre o que observar
Esse é um terreno de brincadeira sem pressão, então raramente há algo com que se preocupar. Ainda assim, se por volta dos três ou quatro anos a criança mostra pouquíssimo interesse por qualquer tipo de faz de conta, tem dificuldade de acompanhar uma sequência simples e conhecida ou acha sempre difícil usar palavras para contar o que está acontecendo, vale uma conversa tranquila com o pediatra. O faz de conta é um dos muitos fios que os profissionais observam, e uma conversa amigável pode tranquilizar ou indicar um apoio útil.
O que guardar
Dramatizar histórias não custa nada e pede pouco de você além da disposição de pagar um pouco de mico por dez minutos. Fortalece a linguagem, a memória e a confiança enquanto aprofunda a ligação da criança com os livros. Deixe a criança conduzir, mantenha os objetos leves e trate cada apresentação tremida e alegre como uma pequena vitória, e não como ensaio para nada.
Para guardar: Deixe a criança encenar um livro querido com objetos simples e as ideias dela; é na própria brincadeira que mora o aprendizado.
American Academy of Pediatrics, HealthyChildren.org: The Power of Play