Perguntas sobre o livro sem transformar a leitura em prova

Em algum momento, muitos de nós pegamos a ideia de que um bom leitor faz perguntas de prova sobre a história. Então apontamos a página e perguntamos: "De que cor é o cachorro? Quantos patinhos? Como chama isso?" Vem de um lugar de cuidado, mas pode drenar em silêncio o calor da leitura e transformar um aconchego numa prova. A boa notícia é que perguntas melhores costumam ser mais fáceis, e não mais difíceis.

Por que o hábito da prova sai pela culatra

Perguntas fechadas, com uma resposta certa, colocam a criança contra a parede. Ou ela sabe, ou não sabe, e não há para onde ir depois. Pior: uma sequência de perguntas de prova passa a mensagem de que o objetivo da leitura é ser conferido. Crianças que se sentem examinadas muitas vezes ficam quietas, chutam para agradar ou começam a evitar o livro. O objetivo de conversar sobre uma história é conexão e linguagem, e um questionário costuma sufocar as duas.

Troque perguntas de prova por perguntas de curiosidade

A mudança mais simples é sair das perguntas cuja resposta você já sabe para perguntas que convidam o pensamento da própria criança. Em vez de "O que o menino está segurando?", experimente "Fico pensando para onde ele está indo". Em vez de "De que cor é o barco?", experimente "O que você acha que acontece agora?". Uma curiosidade aberta e verdadeira não tem resposta errada, então a criança pode oferecer uma ideia sem risco. Essas perguntas abrem uma porta, em vez de fechar.

Siga o interesse dela, não o enredo

As crianças raramente ligam para a página que você acha importante. Se a criança está vidrada no gato do canto enquanto você presta atenção na história, siga o gato. Comente o que ela está olhando, acrescente uma informaçãozinha e espere. "Esse gato parece bravo. Por que será?" E faça uma pausa. As melhores conversas acontecem quando vocês falam do que já chamou a atenção dela, e não quando você puxa a criança de volta para o seu roteiro.

Comente mais do que pergunta

Uma boa regra prática é falar mais do que perguntar. Uma enxurrada de perguntas pode parecer interrogatório, por mais gentil que seja a intenção. Experimente narrar os seus próprios pensamentos: "Ih, agora ele parece preocupado." "Isso me lembra de quando a gente foi à praia." Os seus comentários mostram linguagem, mostram que as histórias se ligam à vida real e deixam um espaço que a criança pode ocupar quando estiver pronta.

Convites simples para conversar

  • "Fico pensando no que vai acontecer agora."
  • "Como você acha que ela está se sentindo?"
  • "Isso parece algo que a gente já fez, né?"
  • "De que parte desta página você mais gosta?"
  • "Hum, por que será que ele fez isso?"

Deixe o silêncio trabalhar

Depois de perguntar, conte devagar até cinco na cabeça antes de falar de novo. As crianças dessa idade precisam de mais tempo do que os adultos para juntar os pensamentos e achar as palavras. Essa pausa pode parecer constrangedora, mas preencher rápido demais ensina à criança que você vai responder por ela. Um silêncio paciente diz que a ideia dela vale a espera, e é muitas vezes nesse espaço que aparecem as respostas mais surpreendentes e deliciosas.

Quando a criança responde "não sei"

Às vezes a criança dá de ombros, e tudo bem. Você pode oferecer com delicadeza uma ideia sua e seguir: "Acho que ele está procurando a mãe dele. Vamos ver?" Não precisa insistir. Ao longo de muitas leituras, a criança que não sente pressão para se sair bem vai virando a que faz as perguntas, que é exatamente onde você quer chegar.

A conversa continua depois do livro

Algumas das melhores conversas acontecem depois que a capa se fecha. Um suave "Isso me lembrou do nosso passeio na fazendinha, né?" liga a história à vida real da criança e mantém o pensamento andando. Você pode voltar a um personagem horas depois, preparando o jantar, ou reparar em algo num passeio que lembra o livro. Essas ligações sem pressa com o mundo real mostram que as histórias não ficam presas na página, e sim tecidas no dia a dia, e dão à linguagem mais um lugar para crescer.

Uma palavra gentil sobre preocupações com a linguagem

Conversar em volta dos livros é um dos jeitos mais gostosos de apoiar a linguagem, e não existe uma quantidade certa de papo. Ainda assim, se por volta dos três anos a criança raramente participa, quase não usa frases curtas, tem dificuldade de acompanhar uma história simples ou não parece entender perguntas do dia a dia, vale comentar com o pediatra. Uma avaliação da audição e uma conversa amigável podem descartar problemas ou levar vocês cedo a um fonoaudiólogo, quando isso mais ajuda.

O que guardar

Você não precisa de técnicas espertas para conversar bem sobre um livro. Troque a prova pela curiosidade, comente mais do que pergunta, siga o que a criança repara e dê tempo para ela responder. Perguntas carinhosas e abertas transformam um livro dividido numa conversa de verdade, e esse vaivém de todo dia faz mais pela linguagem do que qualquer ficha de exercício.

Para guardar: Faça menos perguntas de prova e mais perguntas de curiosidade verdadeira, depois faça uma pausa e deixe as ideias da criança preencherem o espaço.

CDC, Positive Parenting Tips for young children

NHS, Help your baby learn to talk