Como ajudar a criança a lidar com mudanças na família e continuar perto

Um irmão que chega, uma mudança de casa, um dos pais começando num emprego novo, uma separação, uma creche nova, uma perda. A vida em família é cheia de mudanças, e até as felizes podem deixar a criança pequena insegura. Criança pequena depende da previsibilidade para se sentir segura, então, quando o chão se mexe, o comportamento costuma se mexer junto. A boa notícia é que a sua presença firme é a proteção mais importante em qualquer transição, e há muito que você pode fazer para ajudar.

Como a mudança aparece na criança pequena

A criança raramente anuncia "estou com dificuldade com essa mudança". O incômodo sai de lado. Você pode ver mais birras, grude, sono bagunçado, escapes de xixi ou a volta a comportamentos de bebê. Uma criança normalmente solar pode ficar irritada ou fechada. Ler esses sinais como angústia, e não como malcriação, é o primeiro passo para ajudar a criança a lidar com mudanças, porque o comportamento muitas vezes é a única língua que ela tem para um sentimento que ainda não sabe nomear.

Conte a verdade, no tamanho dela

A criança lida muito melhor com uma mudança que entende do que com uma mudança que sente, mas não consegue explicar. Uma honestidade adequada à idade, oferecida com calma e simplicidade, é mais gentil do que um silêncio cheio de boa intenção que ela vai preencher com palpites assustadores. Você não precisa sobrecarregar uma criança pequena com detalhes de adulto. Algumas frases claras e verdadeiras, repetidas quantas vezes ela perguntar, ajudam muito: "A gente vai morar numa casa nova. A sua cama e os seus brinquedos vão junto, e eu vou estar lá todas as noites."

Proteja as âncoras do dia a dia

Quando as coisas grandes mudam, mantenha as pequenas iguais. As rotinas conhecidas, a mesma história de dormir, o mesmo café da manhã, os mesmos ritualzinhos, viram uma boia que diz à criança que o mundo, no fundo, continua seguro. Se você consegue manter firme o ritmo do dia a dia enquanto uma parte da vida muda, torna a mudança muito mais administrável. Para apoiar a criança numa mudança de família, guarde com unhas e dentes essas âncoras comuns, mesmo quando tudo parece corrido e de pernas para o ar.

Abra espaço para os sentimentos

A mudança mexe com emoções grandes e misturadas, e a criança precisa de permissão para sentir todas elas, inclusive as indesejadas. Ela pode amar o bebê novo e também ter raiva dele. Pode estar animada com a casa nova e também sentir saudade da antiga. Em vez de tentar convencer a criança a não sentir o que é difícil, dê nome e acolha: "Você está com raiva porque o bebê toma tanto do meu tempo. Isso faz todo o sentido." Se sentir compreendida é o que ajuda a emoção a passar, e mantém a criança perto, em vez de fechada.

Reforce a conexão de propósito

Durante uma transição, a necessidade de segurança da criança aumenta, muitas vezes justo quando o seu tempo e a sua energia estão mais esticados. É hora de proteger pequenos momentos a sós, nem que sejam cinco ou dez minutos de atenção inteira por dia. Deixe a criança conduzir a brincadeira, dê a ela atenção sem divisão e deixe que ela sinta que, mude o que mudar, o lugar dela com você está completamente seguro. Um pouco mais de carinho agora evita muita angústia depois.

Dê a ela algum controle

A mudança muitas vezes deixa a criança se sentindo sem poder, e isso alimenta a ansiedade. Devolver escolhas pequenas e reais ajuda a recuperar a sensação de controle. Deixe que ela escolha a cor de uma caixa da mudança, decida quais dois brinquedos vão na mochila nos dias de trocar de casa ou ajude a enfeitar o cantinho do bebê. Incluir a criança de jeitos adequados à idade transforma algo que está acontecendo com ela em algo de que ela faz parte, e isso acalma profundamente.

Cuide do seu próprio estado

A criança é finamente sintonizada com as emoções dos pais, e numa mudança de família você também pode estar vivendo luto, exaustão ou ansiedade. Você não precisa esconder tudo isso, e fingir que está tudo bem pode confundir. Mas encontrar o seu próprio apoio, seja no parceiro ou parceira, em amigos, na família ou em profissionais, protege a criança também. Um adulto que está dando conta, mesmo de forma imperfeita, é a base calma em que a criança se equilibra.

Quando a criança precisa de mais apoio

A maioria das crianças balança e depois se ajeita conforme se adapta, principalmente com carinho e honestidade. Às vezes, porém, uma mudança bate mais forte ou demora mais. Se a angústia da criança for intensa ou não estiver melhorando depois de várias semanas, se ela parecer triste, com medo ou fechada de forma persistente, se houver grandes mudanças na alimentação, no sono ou no desenvolvimento, ou se a mudança envolver perda, trauma ou conflito familiar, procure ajuda. O pediatra, a creche ou a escola podem ajudar, e existem serviços e grupos que apoiam crianças no luto, na separação dos pais e em outras grandes transições. Pedir cedo é sensato.

Firmes durante o balanço

Mudança faz parte de toda infância, e as crianças são muito mais adaptáveis do que tememos, principalmente quando são seguradas de perto durante o processo. Você não vai proteger a criança de todos os sentimentos difíceis, e nem é essa a ideia. O que você pode oferecer é honestidade, rotinas firmes, emoções bem recebidas e um vínculo que continua confiável enquanto o mundo se rearruma. Essa combinação é exatamente o que ajuda a criança a atravessar uma mudança na família não só inteira, mas um pouco mais forte do que antes.

Para guardar: Rotinas firmes, explicações simples e honestas e um pouco mais de carinho a sós ajudam a criança a se sentir segura enquanto o resto da vida muda em volta dela.

NHS, Separation anxiety in children

UNICEF, Supporting your child's mental health