Brincadeiras para criança tímida: jeitos leves de se aproximar
Tem criança que fica para trás. Observa a festa escondida atrás da sua perna, demora para se soltar com gente nova e fica quieta em lugares cheios. Se a sua criança é tímida, talvez você se preocupe, ou sinta uma pontinha de frustração quando ela não "só dá um oi". Mas timidez não é defeito para ser consertado. É temperamento, e quando você entende isso, consegue se aproximar da criança tímida de jeitos que respeitam quem ela é e, com delicadeza, fazem a confiança crescer.
Entenda o que é timidez
A criança tímida muitas vezes é cuidadosa, observadora, sente as coisas fundo e prefere avaliar a situação antes de entrar. Esse é um jeito de ser normal e perfeitamente saudável. Empurrar uma criança assim para ser extrovertida, ou chamar de "tímida" na frente dos outros, costuma sair pela culatra, deixando a criança mais encabulada e menos disposta a tentar. O ponto de partida mais útil é a aceitação: a criança não tem defeito, e o seu papel não é transformar a criança em alguém extrovertido, e sim ajudar a criança a se sentir segura o bastante para ser quem é.
A brincadeira é a ponte mais segura
Para uma criança que sofre com a pressão social direta, a brincadeira é uma ótima porta lateral. Brincando, ninguém exige que ela se apresente nem que fale alto, existe só o prazer simples de fazer algo divertido juntos. Por isso o jeito mais suave de se conectar com a criança tímida muitas vezes passa pela brincadeira, e não pela conversa. Risada e jogo baixam a guarda que a timidez levanta, e a criança que não consegue responder "como foi o seu dia?" muitas vezes se abre inteirinha no meio de uma brincadeira boba.
Brincadeiras que ajudam a criança a se soltar
Escolha brincadeiras sem pressão, que deixem a criança entrar no tempo dela e se sentir no controle.
- Siga a criança por completo, deixando que ela dirija uma brincadeira sem certo nem errado.
- Faça brincadeiras de corpo e de risada em casa: correr atrás, cócegas quando ela gostar, brincar de esconder.
- Use fantoches ou bichinhos de pelúcia como intermediários; a criança que não fala com você pode conversar feliz com o ursinho.
- Faça atividades lado a lado, como desenhar ou montar, em que a conexão acontece sem a pressão do olho no olho.
- Deixe que ela seja a especialista e ensine a você as regras da brincadeira preferida dela.
Avise antes e deixe a criança se aquecer
A criança tímida lida muito melhor com situações novas quando sabe o que vem por aí e não é jogada direto no meio. Antes de um encontro de família ou de uma festa, conte quem vai estar lá e o que vai acontecer. Na chegada, deixe a criança ficar grudada e observar pelo tempo que precisar antes de entrar na roda, em vez de descolar a criança de você. Esse tempo de observar não é um problema a resolver. É o jeito como ela junta coragem para participar, e apressar só atrasa.
Nunca envergonhe nem peça desculpas por ela
É uma coisa pequena que faz um estrago real: pedir desculpas pela timidez da criança na frente dela, ou fazer piada com isso. Comentários como "ah, ela é tímida" ou "por que você não dá oi, deixa de bobagem" dizem à criança que o jeito natural dela é uma decepção. Em vez disso, aceite em silêncio onde ela está e, se for dizer alguma coisa, diga com carinho: "ela gosta de olhar primeiro e entra na brincadeira quando estiver pronta". Se sentir aceita é o que de fato constrói confiança com o tempo.
Confiança em passos pequenos
A confiança cresce com esticadas suaves e graduais, e não com grandes empurrões. Deixe a criança dar passos minúsculos e possíveis, no ritmo dela: acenar antes de falar, pedir o próprio sorvete quando se sentir pronta, brincar perto das outras crianças antes de brincar com elas. Comemore o esforço com discrição, sem fazer um alarde que coloque a criança no centro das atenções. Cada pequena vitória escolhida por ela mostra que ela dá conta de um pouco mais do que imaginava, e esse crescimento firme, conduzido por ela mesma, dura muito mais do que qualquer empurrão de fora.
A sua calma é contagiante
A criança lê a nossa ansiedade, e se você fica rondando, com nervosismo, de olho para ver se ela vai "conseguir", ela sente a pressão. Quando você mantém a tranquilidade e a confiança de que a criança vai entrar quando estiver pronta, empresta a ela a sua calma. Confie no processo, resista à vontade de aplainar todos os caminhos sociais e deixe a sua presença firme e despreocupada ser a base segura de onde a criança tímida sai para explorar.
Quando a timidez pode merecer um olhar mais atento
A timidez comum é frequente e não precisa de tratamento. De vez em quando, porém, vale buscar orientação. Se a timidez da criança é tão intensa que ela não fala de jeito nenhum em certos lugares, como a creche, mas fala livremente em casa, se isso causa uma angústia real e contínua, se ela parece com medo ou fechada de forma persistente, ou se houver outras preocupações com a comunicação ou o desenvolvimento, converse com o pediatra ou com a creche. Algumas crianças se beneficiam de apoio extra, e conversar cedo sempre vale a pena.
O quadro maior
A criança tímida recebida com aceitação, e não com pressão, muitas vezes floresce como uma pessoa pensativa, observadora e profundamente ligada aos outros. Quando você se conecta com a criança tímida pela brincadeira, pela paciência e por um carinho sem pressa, dá a ela as duas coisas de que mais precisa: a segurança de ser amada exatamente como é e a confiança tranquila de que pode encontrar o mundo no tempo dela. Isso é um presente muito maior do que qualquer oi rápido.
Para guardar: Receba a criança tímida com aceitação e com brincadeiras leves e sem pressão, em vez de empurrar; segurança e paciência constroem uma confiança duradoura muito melhor do que a pressão.
NHS, Children and young people's mental health: advice for parents