Criança prefere o pai ou a mãe? O que fazer quando ela empurra você

"Eu quero o papai!" "Não, você não, eu quero que a mamãe faça!" Poucas coisas no começo da criação doem tanto quanto sentir a rejeição firme da própria criança, que prefere o outro responsável. Você estende a mão para ajudar e leva um empurrão, às vezes com uma fúria de verdade. Quando a criança prefere o pai ou a mãe e não faz nenhuma questão de esconder, isso pode trazer mágoa, sensação de inutilidade e um coração partido em silêncio. Saiba que essa é uma das fases mais comuns da primeira infância, e quase nunca significa o que o seu coração dolorido teme.

Por que a criança escolhe um preferido

Preferências fortes por um dos pais são uma parte normal do desenvolvimento. A criança pequena está aprendendo sobre relações, sobre controle e sobre as próprias preferências, e se fixar intensamente em um dos pais é um dos jeitos de explorar tudo isso. Costuma ir e vir em fases, às vezes virando para o outro lado semanas depois. Quando a criança prefere um dos pais, geralmente isso tem a ver com a fase do desenvolvimento e com uma busca por sensação de controle, e não é uma medida real de quanto ela ama cada um de vocês.

Não é um veredito sobre o vínculo de vocês

O mais importante é lembrar que preferência não é rejeição da relação. A criança pode adorar você por inteiro e mesmo assim insistir que só a mamãe pode pôr o leite no copo. Crianças pequenas expressam preferências grandes em termos absolutos e dramáticos porque é assim que vivem o mundo, em sentimentos fortes e exigências firmes. A intensidade do "eu não quero você" reflete um vocabulário emocional ainda pequeno, e não a profundidade do apego que ela tem por você.

Não morda a isca

Quando a criança rejeita você, todos os instintos podem empurrar para recuar com mágoa ou forçar a entrada para provar que você importa. As duas coisas costumam piorar a situação. Tente, em vez disso, manter na superfície o carinho, a firmeza e a tranquilidade, mesmo que doa por dentro. Mostrar a mágoa pode ensinar sem querer que essa rejeição é uma alavanca poderosa, e ficar com raiva joga lenha na fogueira. Um calmo "tudo bem, o papai ajuda desta vez, e eu estou aqui quando você quiser" mantém a porta aberta sem pressão.

Continue aparecendo, com delicadeza

O papel de quem foi rejeitado é continuar disponível, de forma confiável e tranquila, sem se afastar e sem correr atrás. Continue oferecendo carinho, continue presente e continue assumindo a sua vez quando der, sem transformar isso num drama emocional. A criança volta muito mais rápido para o adulto que continua calmamente à disposição do que para aquele que some de mágoa ou insiste demais. A sua presença firme e sem cobranças é o que reconstrói a proximidade com o tempo.

Jeitos práticos de atravessar a fase

Algumas estratégias simples ajudam os dois adultos a passar por isso.

  • Deixe que a pessoa preferida passe a vez a você: "A mamãe vai dar o banho hoje, e eu leio a história."
  • Encontre coisas que são especialmente suas com a criança: uma brincadeira, um passeio ou um ritual que só vocês dois têm.
  • Aproveite os momentos leves em que a preferência afrouxa, como na brincadeira, em vez de forçar nos pontos de atrito.
  • Peça à pessoa preferida que fale de você com carinho: "O papai dá o melhor cavalinho do mundo."
  • Proteja um tempo a sós, para que você e a criança se reconectem sem competição.

Cuide também de quem foi escolhido

É fácil esquecer que ser a pessoa escolhida cansa. Quem está na preferência pode acabar dando todos os banhos, colocando para dormir todas as noites e consolando a cada vez, sem pausa, carregando culpa pela mágoa do outro. Dividir a carga importa para todos, então vale a pessoa preferida passar tarefas para o outro com gentileza, mas com constância, mesmo diante dos protestos da criança, para que o padrão não endureça. Fazer isso com carinho, sem envergonhar a criança, mantém os dois adultos no quadro.

Cuidado com as mensagens entre os adultos

Essa fase pode desgastar a relação entre os adultos se a rejeição começar a parecer pessoal. Tentem conversar abertamente sobre isso, como uma etapa normal que vocês estão atravessando em equipe, e não como uma competição ou um fracasso. Uma abordagem unida e carinhosa, em que nenhum dos dois fica no papel de segunda opção, mostra à criança que ambos estão firmes e disponíveis. Não deixem que a mágoa vire ressentimento entre vocês.

Quando olhar um pouco mais fundo

A preferência por um dos pais quase sempre é uma fase comum e passageira. De vez em quando, porém, vale prestar mais atenção. Se a rejeição de um dos pais for extrema, prolongada e claramente angustiante, e não uma fase passageira, se vier depois ou junto de uma grande mudança, de conflitos ou de uma separação na família, ou se você notar um padrão mais amplo de ansiedade, isolamento ou mudanças de humor e comportamento, pode ajudar conversar sobre isso. O pediatra, a creche ou a escola podem oferecer apoio. Confie no que você sente sobre o que é comum para a sua família e o que não é.

Atravessando com carinho

Essa fase passa, geralmente no tempo dela e muitas vezes justo quando você já tinha se acostumado. Quando a criança prefere o pai ou a mãe, a resposta mais gentil é manter o seu carinho constante, resistir tanto a recuar quanto a correr atrás e continuar se oferecendo, sem alarde. Atravessada assim, a preferência some, o pêndulo balança, e a criança cresce com a certeza de que os dois adultos continuaram amorosos e disponíveis, mesmo quando foram empurrados para longe.

Para guardar: A criança preferir um dos pais é uma fase normal e passageira, e não uma rejeição; mantenha a calma, o carinho e a disponibilidade, em vez de recuar com mágoa ou forçar a entrada.

NHS, Children and young people's mental health: advice for parents

UNICEF, How to spend quality time with your children