Brincadeiras para fazer caminhando que diminuem o "falta muito?"

Todo pai e toda mãe conhece esse som. Vocês mal dobraram a primeira esquina e uma vozinha já pergunta: falta muito? A criança pequena vive a caminhada de um jeito muito diferente do adulto. Para nós, é transporte, um meio para chegar a algum lugar. Para ela, o destino é abstrato e a própria caminhada é a experiência inteira, que pode ficar chata bem rápido. A solução não é andar mais rápido nem negociar com promessas. É transformar o próprio trajeto na diversão, e algumas brincadeiras simples para fazer caminhando fazem exatamente isso.

Por que a caminhada parece tão longa para a criança

Para uma criança pequena, andar para chegar a algum lugar é uma ideia estranha. Ela vive no presente, o parquinho ou a loja prometidos são imaginários até ela conseguir ver, e enquanto isso as pernas estão cansadas e não tem nada para pensar. O problema de verdade costuma ser o tédio, e não a distância, e é o tédio que produz as perguntas sem fim e a recusa repentina de andar. Mude a sensação da caminhada e as reclamações muitas vezes derretem sozinhas. As boas brincadeiras para caminhar com crianças funcionam justamente porque trocam o tédio por algo para reparar, fazer ou rir.

Também ajuda ajustar as suas próprias expectativas. Uma caminhada com uma criança pequena não é um trajeto eficiente do ponto A ao ponto B. É uma coisa que serpenteia, para e repara, e deixar que seja assim tira muito atrito para os dois.

Brincadeiras que transformam a caminhada em diversão

As melhores brincadeiras para caminhar não pedem equipamento nem quase nenhum esforço de pensamento. Experimente o "estou vendo uma coisa", adaptado para os pequenos com cores ou coisas simples: estou vendo uma coisa vermelha. Brinquem de achar, caçando uma coisa específica pelo caminho, um gato, um portão vermelho, uma flor amarela. Variem o jeito de andar, passos de gigante, passinhos de formiga, ponta dos pés, pulos, marcha de soldado, para a caminhada virar uma série de desafios bobos. Brinquem de seguir o líder e imitar os movimentos um do outro. Contem as coisas que passam, postes, cachorros, portas. Corram até a próxima árvore e depois andem até a seguinte. Contem uma história juntos, cada um acrescentando uma frase. Escutem os sons e digam o nome deles, um pássaro, um ônibus, um latido.

Revezem algumas dessas e uma caminhada longa se desfaz numa sequência de pequenas brincadeiras. Você não precisa planejar, só manter algumas no bolso para tirar quando a energia cair ou as perguntas começarem.

Dê à criança uma tarefa e um motivo

A criança anda mais longe e reclama menos quando tem um papel no trajeto. Deixe a criança ir na frente e decidir para que lado virar na esquina. Coloque ela no comando de avistar alguma coisa, a primeira caixa de correio, todos os gatos, todos os carros vermelhos, e deixe que ela anuncie cada achado. Dê algo para carregar ou uma pequena tarefa, apertar o botão do semáforo, ficar de olho no ônibus. Uma criança com uma função de verdade na caminhada deixa de ser um passageiro arrastado e vira participante, o que muda tudo no jeito como ela se sente.

Dividir a caminhada em etapas também ajuda. Em vez de uma maratona até um lugar distante, mirem no próximo ponto de referência: vamos até aquele poste, agora até o portão vermelho, agora até o banco. Metas pequenas e visíveis assustam muito menos a criança pequena do que um destino invisível e lá longe, e chegar em cada uma parece uma vitória.

Siga o ritmo da criança e deixe ela parar

Boa parte do "falta muito?" quer dizer, na verdade, "cansei" ou "quero olhar isso aqui". Reservar tempo para parar, examinar um caracol, se equilibrar num muro baixo, pular numa poça, faz vocês chegarem com menos resistência do que forçar direto. Apressar uma criança pequena costuma produzir exatamente a fincada de pé que você queria evitar. Desacelerar, curiosamente, muitas vezes acelera tudo, porque a criança continua com vontade.

Tenha expectativas realistas de até onde as perninhas conseguem ir, e lembre que uma criança cansada, com fome ou com sede não fica alegre com brincadeira nenhuma. Atenda essas necessidades, leve um lanche e água e escolha distâncias que combinem com a idade da criança. Sapatos confortáveis e roupas de acordo com o tempo, além de chapéu e protetor solar nos dias de sol, ajudam a caminhada a continuar gostosa.

Os benefícios silenciosos

Além de manter a paz, caminhar junto desse jeito faz bem de verdade à criança. Garante movimento diário, afia a observação, amplia a linguagem com tanto dar nome e reparar, e dá a vocês um tempo sem pressa lado a lado, que muitas vezes é quando a criança pequena conversa com mais liberdade. Uma caminhada transformada em brincadeira faz muito mais do que levar vocês de um lugar a outro.

A maior parte da resistência a andar é comum e se resolve fácil com um pouco de brincadeira. Se, porém, a criança reclama sempre de dor ao andar, cansa muito mais rápido do que outras crianças da idade, parece estar perdendo habilidades ou tem um jeito de andar que parece diferente para você por um período prolongado, vale uma conversa tranquila com o pediatra, muitas vezes só para ouvir que está tudo dentro do esperado. Para quase toda família, um punhado de brincadeiras bobas de caminhada é tudo o que basta para trocar o "falta muito?" por um "de novo!".

Para guardar: O que move as reclamações é o tédio, e não a distância. Transforme o trajeto em brincadeiras, dê à criança uma tarefa de verdade, mirem no próximo ponto de referência e deixe ela parar e reparar.

NHS, Physical activity guidelines for children under 5

American Academy of Pediatrics, The power of play