Atividades na natureza para acalmar a criança nos dias mais agitados
Tem dia em que a criança está em todo lugar ao mesmo tempo, quicando pelas paredes, acelerada além do ponto em que consegue se acalmar sozinha. O instinto muitas vezes é gastar a energia com mais corrida, e às vezes isso ajuda. Mas às vezes uma criança superestimulada precisa do contrário, de um caminho para baixo, e não para cima. É aí que as atividades na natureza para acalmar a criança mostram o seu valor. O ar livre não serve só para correr. Também pode ser um dos lugares mais suaves para ajudar uma criança elétrica a reencontrar a calma.
Por que a natureza acalma
Existe algo em estar ao ar livre que acalma o sistema nervoso, principalmente nos lugares mais quietos e mais verdes. O estímulo suave e sem pressa das folhas se mexendo, da água escorrendo, dos pássaros cantando e da luz mudando é fácil para um cérebro agitado descansar em cima, ao contrário do estímulo rápido, brilhante e barulhento das telas e da bagunça dentro de casa. As atividades calmas na natureza trabalham com isso, desacelerando o ritmo de propósito e convidando os sentidos a se concentrar em algo suave. Você não está sufocando a energia da criança, e sim oferecendo a ela um canal mais macio.
Ajuda saber que agitação e calma pertencem, as duas, a um dia saudável. A criança pequena precisa de muita brincadeira cheia de energia, e também se beneficia de momentos de calma e descanso. Recorrer a uma atividade tranquila não é desligar a criança animada. É ensinar, com o tempo, que ela consegue voltar à estabilidade, uma habilidade que serve para a vida toda.
Ideias lentas e sensoriais que trazem a criança de volta
As atividades calmantes que mais funcionam dão aos sentidos uma única coisa suave para pousar. Experimente deitar numa canga e ver as nuvens ou as folhas se mexendo. Sintam texturas diferentes devagar, o liso de uma pedra, o áspero da casca de árvore, o macio do musgo, dando nome a cada uma. Escutem de olhos fechados e contem os sons que conseguem ouvir, um pássaro, o vento, um carro lá longe. Deixem a água escorrer pelos dedos num riacho ou com uma bacia e uma jarra. Observem um caracol, uma formiga ou uma abelha cuidando da vida, sem interferir. Cheirem temperos, flores ou folhas amassadas e digam do que elas lembram.
Cada uma dessas atividades pede ao corpo que desacelere e se concentre, o que baixa naturalmente a rotação interna. Mantenha a sua voz baixa e sem pressa, porque a criança pega emprestado o seu ritmo. Um adulto calmo é metade da atividade.
A ferramenta certa para cada momento
Ler o momento faz diferença. Se a criança está acelerada porque tem energia demais guardada e nenhum lugar para pôr, uma corrida primeiro e depois uma atividade tranquila costuma funcionar melhor do que pular direto para a calma. Se a criança está superestimulada e esgotada, ir para o suave logo de cara geralmente é mais gentil. Não existe uma única resposta certa, e você vai aprendendo o padrão da sua criança com a prática.
O horário também ajuda. Um momento calmo na natureza pode suavizar as transições difíceis do dia, a desacelerada antes da soneca, a passagem de uma manhã corrida para uma tarde mais tranquila, o momento de assentar antes do começo da noite. Encaixar uma pequena atividade tranquila e previsível nesses intervalos dá à criança uma saída suave, em vez de uma parada brusca.
Sem pressão
Calma não se força, e tentar demais costuma sair pela culatra. Ofereça a atividade como um convite, e não como uma exigência, e se a criança não estiver pronta para sossegar, não brigue. Às vezes o melhor que você pode fazer é baixar o próprio ritmo, sentar em silêncio por perto e deixar a criança chegar à calma no tempo dela, olhando para você. Mostrar quietude muitas vezes tem mais força do que mandar ficar quieto.
O conforto ajuda a sossegar. Uma criança com calor, frio, fome ou sede demais vai ter dificuldade para se acalmar, então atenda essas necessidades primeiro. Leve uma canga para sentar ou deitar, vista a criança de acordo com o tempo e, nos meses de sol, procure sombra e ofereça água. Uma criança aconchegada e confortável se acalma muito mais fácil do que uma desconfortável.
Uma palavra cuidadosa sobre energia muito alta
A maioria das crianças muito ativas é simplesmente cheia de energia, cheia de vida e totalmente normal, e vai ficando mais capaz de sossegar conforme amadurece. Se, porém, você sentir que a criança quase nunca consegue ficar calma em lugar nenhum, é tão inquieta que a vida do dia a dia e o sono ficam seriamente atrapalhados, ou tem muito mais dificuldade do que outras crianças da idade para desacelerar ou prestar atenção, mesmo por pouco tempo, ao longo de um período longo, é razoável comentar com o pediatra. Normalmente isso traz tranquilidade e estratégias práticas, e não rótulos. Você conhece a sua criança melhor do que ninguém, e uma conversa curta só pode ajudar.
Para a maioria das famílias, porém, o tempo calmo na natureza vira uma ferramenta preciosa. Nos dias em que a criança é um furacão, o ar livre ainda pode ser a resposta, só que numa versão mais lenta e mais macia. Uma canga, um pedaço de verde e alguns minutos de reparar com calma podem virar uma tarde esgotante, para a criança e para você.
Para guardar: Use momentos lentos e sensoriais ao ar livre para ajudar uma criança acelerada a sossegar, veja se ela precisa gastar energia primeiro e mantenha o seu próprio ritmo calmo.
WHO, Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5