Como observar insetos com crianças sem tocar neles

Uma fila de formigas atravessando a calçada consegue parar uma criança pequena na hora, e com toda razão. Os bichinhos de jardim são o assunto perfeito para um pequeno naturalista: estão em toda parte, vivem ocupados e têm o tamanho certo para interessar sem assustar. Só que o instinto de uma criança de 1 a 3 anos é agarrar, e inseto agarrado muitas vezes vira inseto esmagado. A arte delicada que você está ensinando é olhar de perto e deixar o bicho inteiro, o que faz bem ao inseto e à criança.

Por que olhar vale mais do que pegar

Inseto preso para de fazer as coisas interessantes. Apertado numa mãozinha quente ou num pote, ele entra em pânico, se esconde ou morre, e a criança não vê nada da vida real dele. Deixada em paz, aquela mesma formiga carrega um farelo dez vezes maior que ela, o tatuzinho some debaixo de um tronco e a abelha passa de flor em flor, com método. Ensinar a criança a observar insetos sem tocar faz o comportamento fascinante continuar acontecendo, e ela ainda pratica paciência e atenção cuidadosa. E fica plantada uma primeira lição de respeito pelos pequenos seres vivos, que está no coração de qualquer cuidado com a natureza.

Onde encontrar bichinhos

Quase nunca é preciso ir longe. Formigas marcham pelas rachaduras da calçada, joaninhas e pulgões se juntam nas plantas, aranhas tecem teias nos cantos, caracóis e lesmas aparecem depois da chuva, e abelhas e borboletas visitam qualquer canteiro com flor. Para uma caçada mais rica, vire com cuidado um tronco, uma pedra grande ou um vaso, onde tatuzinhos, minhocas e besouros se abrigam no fresco e no escuro. Mostre à criança como levantar devagar e, o mais importante, como colocar o tronco de volta exatamente como estava, porque ali é o telhado de uma comunidade inteira.

Olhar de pertinho com segurança

Chegar perto não exige tocar. Agachem juntos e simplesmente observem na altura do inseto, que é onde tudo acontece. Uma lupa simples deixa a atividade mágica: a criança vê patas, olhos e cores que passariam despercebidos, e ainda fica com as mãos ocupadas, longe do bicho. Um pote transparente colocado com cuidado sobre um bichinho lento no chão, ou um observador de insetos com tampa de aumento, deixa a criança estudar um deles por um minuto antes de levantar o pote e soltar. A regra é fácil de ensinar: os olhos e a lupa chegam perto, os dedos ficam para trás.

O que observar juntos

Dê à criança coisas para procurar, para que o olhar tenha foco. Contem as patas, que dizem muito: inseto tem seis, aranha tem oito, tatuzinho e lacraia têm muito mais. Reparem nas cores e nos desenhos, se tem asa, como se move, se é rápido ou lento. Vejam o que ele está fazendo: comendo, carregando alguma coisa, construindo, se escondendo? Sigam uma formiga e descubram aonde vai a trilha dela. Pensem em voz alta onde o bichinho mora e o que pode estar procurando. Essas perguntas ampliam o vocabulário e a observação, e prendem a criança muito mais tempo do que uma agarrada rápida.

Mãos delicadas desde o começo

Com alguns bichos a criança vai poder, com o tempo, ficar na mão, como um tatuzinho ou uma minhoca na palma aberta, mas isso vem com regras claras e só para os bichinhos calmos e inofensivos. Mesmo assim, ensine que se segura com delicadeza, com a mão baixinha para que uma queda não machuque, e que o bicho volta logo para onde estava. Para qualquer coisa que pica ou morde, a resposta é sempre só olhar. Diga de forma simples e muitas vezes: a gente cuida dos bichinhos, então não esmaga, não cutuca e não leva para casa. A criança sente um orgulho verdadeiro de ser delicada quando entende que, nessa história, a gigante é ela.

Um hábito de reparar

Os insetos recompensam a criança que continua olhando. Visitem o mesmo tronco ou o mesmo canteiro durante algumas semanas e vejam como os moradores mudam com a época do ano. Deixem um papel na geladeira e desenhem os bichinhos que encontrarem, ou deem apelidos aos que aparecem sempre. Dá para propor um desafio pequeno, como achar no passeio de hoje uma coisa com asas e uma com mais de seis patas. Com o tempo, a criança para de passar direto pelos pequenos dramas a seus pés e começa a enxergar todos eles, e isso é a curiosidade criando raiz.

Quais insetos admirar de longe

Parte da segurança está em ensinar respeito pelos que podem machucar. Abelhas e vespas devem ser observadas com calma, um passo atrás, e nunca espantadas com tapas, porque é o tapa que provoca a picada. Fiquem bem longe de casas de marimbondo e de colmeias. Algumas lagartas, como as taturanas, têm pelos que queimam a pele, e em algumas regiões certas aranhas ou formigas dão picadas doídas, então ajuda conhecer os bichos da sua região. Uma regra geral simplifica: se não tiver certeza, só olhe, e nunca incentive a criança a pegar algo que ela não conhece.

Quando buscar ajuda

A maioria dos encontros com insetos é inofensiva. Aja rápido, porém, se a criança for picada ou mordida e tiver inchaço no rosto, nos lábios ou na língua, manchas vermelhas espalhadas pelo corpo ou qualquer dificuldade para respirar, porque pode ser uma reação alérgica grave que precisa de atendimento de emergência; no Brasil, o SAMU atende pelo 192. Numa picada comum, retire o ferrão se houver, limpe o local e use uma compressa fria, e procure orientação se a dor, o inchaço ou a vermelhidão se espalharem nos dias seguintes.

Para guardar: Ensine que os olhos e a lupa chegam perto e os dedos ficam para trás; observar o inseto sem machucar mostra mais e constrói paciência, olhar cuidadoso e respeito.

NHS, Insect bites and stings

UNICEF, How to help your child learn through play