Perguntas das crianças sobre a natureza: o que dizer na fase dos porquês

Por que o céu é azul? Por que as folhas caem? Por que os passarinhos cantam de manhã? Lá pelos três anos, a criança vira uma máquina de perguntas, e a natureza dá material sem fim. Para um adulto cansado, o porquê que não para pode parecer uma prova em que você está indo mal, principalmente quando você não sabe a resposta. Mas essas perguntas são um presente, e o jeito como você responde decide se a criança vai continuar perguntando. A verdade que tranquiliza é que você não precisa ser cientista para responder bem.

Por que a criança pergunta por quê

Quando a criança pergunta por que sobre a natureza, ela não está tentando pegar você no erro; está tentando entender um mundo que ainda é quase todo misterioso para ela. Perguntar é como o cérebro pequeno constrói entendimento, e uma criança que faz muitas perguntas está fazendo exatamente o que deveria. O jeito como você recebe essas perguntas ensina algo maior do que qualquer informação: se a curiosidade é bem recebida, se não saber é seguro e se descobrir vale o esforço. Proteger esse instinto de perguntar importa muito mais do que acertar todas as respostas.

Você não precisa saber tudo

A coisa mais libertadora de aceitar é que você tem o direito de não saber. Quando a criança pergunta algo que você não sabe responder, a pior saída é cortar com um "porque sim" impaciente. Muito melhor dizer com sinceridade que não tem certeza e que é uma ótima pergunta. Mostrar na prática o "não sei, vamos descobrir?" ensina à criança que não saber é normal e que a curiosidade é coisa que os adultos também mantêm. Crianças que veem os pais admitirem tranquilamente que não sabem e irem atrás da resposta crescem mais à vontade com perguntas do que com fingimento. A sua sinceridade vale mais do que o seu conhecimento.

Devolva a pergunta

Antes de correr para responder, muitas vezes vale perguntar o que a criança acha. Um simples "por que você acha que as folhas caíram?" convida a criança a raciocinar, chutar e imaginar, e é aí que o aprendizado de verdade acontece. As respostas dela costumam ser encantadoras e, às vezes, chegam perto da verdade, e de qualquer jeito ela está treinando pensar, e não só recebendo uma informação. Isso também dá a você um instante e mostra o que a criança já entende, para você ajustar a resposta. Você não está fugindo da pergunta; está dando à criança o prazer de trabalhar nela primeiro.

Respostas simples e verdadeiras

Quando for responder, mire em algo honesto e adequado à idade, e não completo. Uma criança de três anos não precisa da física da luz para ficar satisfeita; precisa de uma resposta curta e verdadeira que consiga imaginar. As folhas caem porque a árvore está se preparando para descansar e deixa elas irem. Os passarinhos cantam de manhã, em parte, para conversar entre si e marcar o seu espaço. Tudo bem simplificar, desde que você não diga algo falso que vai precisar ser desaprendido depois. Se a criança quiser mais, ela pergunta mais, e você acrescenta uma camada. Repare quando ela ficou satisfeita e pare ali.

Descubram juntos

Algumas das melhores respostas são as que vocês descobrem em equipe, o que transforma a pergunta numa aventura. Procurem num livro ilustrado, assistam a um vídeo curto ou, melhor ainda, vão observar a própria coisa. Se a criança quiser saber por que os caracóis aparecem na chuva, saiam para ver os caracóis depois da chuva e reparem no que eles fazem. Isso mostra que dá para responder perguntas olhando, e não só perguntando a um adulto, que é a base da ciência de verdade. E diz à criança que a pergunta dela importou o bastante para ser explorada, o que mantém ela perguntando.

Quando as perguntas ficam grandes

As perguntas sobre a natureza às vezes levam às mais difíceis, sobre a morte, a doença, por que os bichos comem uns aos outros ou para onde as coisas vão quando morrem. Elas merecem uma sinceridade calma, na medida da idade da criança, sem detalhes assustadores. Tudo bem dizer que todos os seres vivos nascem, crescem e um dia morrem, e que isso faz parte da natureza, mantendo o tom suave e tranquilizador. Siga a criança no quanto ela quer saber e deixe que ela volte ao assunto, porque crianças pequenas costumam digerir as ideias grandes em pedacinhos, ao longo do tempo. Não é preciso resolver tudo numa conversa só.

Protegendo o hábito de se perguntar

Acima de tudo, o jeito como você lida com os porquês decide se a criança vai continuar perguntando, então cuide das suas reações. Tente não suspirar, não desconversar e não parecer irritado com a centésima pergunta do dia, mesmo com cansaço, porque a criança aprende rápido a parar de perguntar a um adulto que parece incomodado. Nem sempre vai sobrar paciência, e isso é humano, mas tente tratar a curiosidade como algo a receber bem, e não a administrar. Uma criança cujas perguntas encontram interesse, sinceridade e um "vamos descobrir" de vez em quando cresce acreditando que o mundo vale a pena ser entendido, e esse é um dos presentes mais bonitos que você pode dar.

Uma palavra sobre o bem da criança

Não existem sinais de alerta médicos nas perguntas de uma criança, só oportunidades. Se, porém, a criança parecer ansiosa ou presa a ideias assustadoras que aparecerem, como a morte ou o perigo, mantenha as respostas calmas e tranquilizadoras, ofereça bastante colo e converse com o pediatra se as preocupações forem persistentes ou causarem muito sofrimento. Para a enxurrada comum dos porquês de todo dia, o melhor remédio é simplesmente a sua atenção calorosa e paciente.

Para guardar: Receba bem a pergunta, admita quando não souber, pergunte o que a criança acha e descubram juntos; proteger a curiosidade importa mais do que respostas perfeitas.

CDC, Positive Parenting Tips: Child Development

UNICEF, How to help your child learn through play