Criança não canta junto: devo incentivar?
Você canta, faz todos os gestos, deixa espaços convidativos, e a criança só olha, ou sai andando, ou pede para você parar. É uma pequena preocupação comum, e vem com uma pergunta: será que eu devo incentivar, ou deixar quieto? A resposta tranquilizadora é que olhar não é o mesmo que ficar de fora, e existem jeitos delicados de convidar a cantar que funcionam muito melhor do que qualquer empurrão.
Olhar é uma forma de participar
A primeira coisa a saber é que a criança que não canta muitas vezes está totalmente envolvida. Ela pode estar escutando com atenção, absorvendo a letra, aprendendo a melodia e guardando tudo para depois. Muitas crianças absorvem muito antes de produzir qualquer coisa, e um dia cantam uma música inteira que nunca ensaiaram em voz alta. Silêncio durante uma música não é recusa nem falta de interesse; muitas vezes é só a parte quieta do aprendizado.
Por que algumas crianças se seguram
Há muitos motivos comuns para uma criança ficar quieta. Algumas são cautelosas por temperamento e gostam de ter certeza antes de tentar algo novo. Algumas ficam constrangidas quando sentem que estão sendo observadas ou incentivadas. Algumas estão simplesmente ocupadas com outra coisa e entram e saem do jeito delas. E algumas ainda estão construindo a linguagem e a coordenação que cantar exige. Nada disso é problema para consertar, e quase tudo suaviza com tempo e pouca pressão.
A resposta honesta à pergunta
Então, incentivar ou não? Incentivar, sim. Pressionar, não. A diferença importa. Incentivar é você cantar com alegria, deixar a coisa fácil e atraente e manter a porta escancarada. Pressionar é pedir a uma criança relutante que "cante para mim", corrigir ou fazer alarde quando ela entra ou não entra. O primeiro convida a criança a chegar com o tempo. O segundo muitas vezes faz a criança fincar o pé e resistir justamente àquilo que você queria que ela curtisse.
Jeitos de convidar sem empurrar
- Continue cantando, com carinho e frequência, para entrar na música estar sempre ao alcance.
- Escolha músicas com gestos, para a criança participar com as mãos antes da voz.
- Deixe espaços para as palavras fáceis, como a última palavra do verso, sem pressão para preencher.
- Cante durante a brincadeira e as tarefas do dia, onde não existe plateia nem holofote.
- Repare em qualquer pequena contribuição e acolha sem transformar num grande evento.
O poder de tirar o holofote
As crianças têm mais chance de cantar quando ninguém está olhando. Cantem lado a lado no carro, no banho ou montando uma torre, e não frente a frente esperando uma resposta. Deixe a criança ouvir você cantando para si. Cante para um bichinho de pelúcia ou para um irmão menor, para a atenção ir para outro lugar. Quando a pressão de se apresentar some, muitas crianças quietas começam a cantarolar, depois a mexer a boca com a letra, e depois entram de vez quando acham que ninguém percebeu.
Quando irmãos e parentes se envolvem
Parentes bem intencionados às vezes pedem "canta a sua música para a gente", e isso pode ser exatamente o que faz a criança tímida travar. Você pode proteger a criança com delicadeza transformando qualquer pedido num canto em grupo, e não num solo, para que ela seja uma voz entre várias, e não alguém no palco. Faça isso você primeiro, e os outros costumam seguir. A criança que nunca se sente encurralada tem muito mais chance de encontrar a voz no tempo dela.
A sua criança, do jeito dela
Algumas crianças são cantoras natas que soltam a voz em toda música, e outras são esponjas observadoras que entram em particular, meses depois, de uma vez. As duas coisas são totalmente normais. Siga a criança que você tem, ajuste as expectativas ao temperamento dela e confie que o interesse mostrado em silêncio continua sendo interesse. O objetivo é uma criança que curte música, do jeito que combina com ela, e não uma criança que se apresenta quando pedem.
Quando olhar com mais atenção
Não cantar junto quase nunca é preocupação por si só, principalmente nos primeiros anos. O que vale observar é o quadro geral da escuta e da comunicação. Se a criança não reage à sua voz ou à música com o tempo, não balbucia nem usa palavras na idade em que isso seria esperado, não participa de brincadeiras de vaivém, evita a interação de modo geral ou perde habilidades que tinha, vale comentar com o pediatra. Uma criança que canta pouco, mas se comunica com animação em outras situações, é só uma criança que canta pouco.
O essencial
A criança que não canta junto costuma ser uma criança aprendendo do jeito dela, no tempo dela. Mantenha a música fluindo, deixe entrar fácil e atraente, tire o holofote e acolha cada pequena oferta. Incentive com generosidade e não pressione nada, e você dá à criança a melhor chance de um dia surpreender você com uma música que você nem sabia que ela sabia.
Para guardar: Continue cantando com alegria e deixe participar fácil, mas nunca force, porque olhar e escutar fazem parte de verdade do aprender a cantar.