Formas geométricas para crianças: uma caçada pela casa

Você não precisa de um brinquedo de encaixar formas nem de cartões para a criança aprender círculo, quadrado e triângulo. A sua casa já está cheia deles. Uma volta sem pressa da cozinha até o quarto, apontando e dando nome pelo caminho, transforma cômodos conhecidos numa aula de geometria amigável que a criança vai querer repetir.

As formas são o jeito de a criança ler o mundo

Reconhecer formas é mais do que um jogo de dar nomes. Isso afia o pensamento visual que a criança vai usar depois nas letras, nos números e no desenho, já que toda letra e todo algarismo são feitos de retas e curvas. Quando você ensina formas com um passeio pela casa, ajuda a criança a perceber as formas por baixo das coisas, uma habilidade que apoia, sem alarde, a leitura e a escrita mais adiante.

Comece pelas três grandes

Comece simples. Círculo, quadrado e triângulo já bastam para a primeira saída. Tentar apresentar hexágono e oval ao mesmo tempo só embaralha. Quando as três grandes estiverem firmes, e a criança achar as formas sem ajuda, dá para acrescentar o retângulo, depois a estrela e o losango. Domine poucas formas bem, em vez de passar por cima de muitas, e deixe o interesse da criança dar o ritmo.

O cômodo dos círculos

Comece pela cozinha, onde os círculos se escondem em todo canto. O relógio, os pratos, a boca do copo, os botões do fogão, o fundo de uma lata. Contorne um com o dedo e convide a criança a fazer o mesmo, sentindo que o círculo não tem cantos nem lado reto. Contornar com o dedo junta o tato à visão, e isso ajuda a forma a se fixar na memória.

Caçando cantos e lados

Passe para os quadrados e retângulos: a janela, uma moldura de foto, um livro, uma fatia de pão de forma, a porta. Aqui dá para falar de cantos e lados retos. "Este tem quatro cantos e quatro lados iguais, por isso é um quadrado." Contar os cantos juntos coloca um pouco de treino de números na caça às formas sem ninguém perceber.

Cômodos para passear

  • A cozinha para os círculos: relógio, pratos, copos, latas.
  • A sala para os retângulos: televisão, livros, almofadas, o tapete.
  • O banheiro para quadrados e círculos: azulejos, espelho, o ralo.
  • O quarto para os triângulos: um apoio de livros, o telhado num desenho, a fatia de queijo da cozinha de brinquedo.

Deixe a criança escolher o caminho. Quanto mais ela decide aonde ir, mais vai procurar formas por conta própria.

Os triângulos pedem mais procura

Os triângulos são mais raros pela casa, e achar um parece um prêmio de verdade. Um cabide, uma fatia de pizza, o vão embaixo de uma escada encostada, uma bandeirinha de festa junina. Como é preciso procurar, os triângulos são um jeito gostoso de manter o passeio empolgante. "Você acha um triângulo para mim antes de a gente chegar na escada?" transforma dar nome numa caça ao tesouro.

Fale da forma, e não só do nome

Dar nome é só o começo. Pergunte o que faz uma forma ser ela mesma. "Como a gente sabe que isso é um círculo?" convida a criança a perceber a curva e a falta de cantos. Comparar também ajuda: o quadrado e o retângulo têm os dois quatro cantos, mas no quadrado todos os lados são iguais. Esse descrever com delicadeza é onde mora o entendimento de verdade, bem além de repetir o nome.

Deixe a criança achar as suas

Depois de alguns passeios, entregue a brincadeira. Peça que a criança mostre três círculos para você, ou que seja a líder que acha a próxima forma. Quando ela começar a apontar quadrados no pacote de biscoito no mercado, ou triângulos nos telhados das casas, você sabe que o hábito pegou. Elogie o reparar, e não só a palavra certa.

Desenhe o que encontraram

De volta à mesa, dá para fechar o passeio desenhando as formas que vocês acharam. Um círculo tremido e um quadrado torto estão perfeitos. Desenhar liga a forma que a criança viu aos traços que a mão dela consegue fazer, o que fortalece a ideia da forma e o começo do controle do lápis. Mantenha solto e festivo, e não caprichado. Num dia de chuva, vocês podem recortar formas simples de uma caixa de cereal e mandar a criança caçar objetos de verdade que combinem com cada uma, o que mantém a brincadeira dentro de casa.

Quando pedir uma orientação

Aprender as formas acontece aos poucos entre os 3 e os 5 anos, e as crianças variam muito no tempo de cada uma. Pode ajudar uma conversa tranquila com o pediatra ou com a escolinha se a criança mostra pouquíssimo interesse por formas, jogos de combinar ou de dar nomes bem além das outras da mesma idade, tem dificuldades amplas com a linguagem e os conceitos do dia a dia, ou parece perder habilidades que já tinha. Conversas assim são comuns e deixam o caminho aberto para um apoio, se ele for necessário.

Para levar com você

A geometria não precisa de kit. Precisa dos seus cômodos, do seu dedo e do hábito de dar nome ao que os dois estão vendo. Continue ensinando as formas com um passeio pela casa, e a criança vai começar a ler as formas do mundo em todo lugar aonde for, transformando uma volta comum dentro de casa em matemática dos primeiros anos, rica e alegre.

Para guardar: Passeiem cômodo por cômodo dando nome e contornando as três formas grandes, contem os cantos e depois entreguem a caça para a criança.

NHS, Play and learning for babies and toddlers

CDC, Developmental milestones (Learn the Signs. Act Early.)