Sequências que se repetem: jeitos fáceis de perceber e criar padrões com a criança

Vermelho, azul, vermelho, azul. Palma, pisada, palma, pisada. Um padrão é simplesmente uma regra que se repete, e perceber um dá à criança pequena aquela sensação deliciosa de "eu sei o que vem depois". Essa previsão é um pensamento poderoso, e está por baixo, sem alarde, da contagem, da leitura e até da música.

Por que os padrões importam mais do que parece

Reconhecer e continuar um padrão significa que a criança está guardando uma regra na cabeça e usando essa regra para prever. É o começo da álgebra disfarçado, e fortalece os mesmos músculos mentais usados na sequência dos números, nos sons das letras e na rotina. Perceber e criar sequências que se repetem está entre os hábitos de matemática mais úteis que você pode cultivar, e praticar não custa nada.

Comece apontando

Antes de montar padrões, ajude a criança a enxergar os padrões. Eles estão em todo lugar quando você presta atenção: as listras de uma blusa, os pisos do chão, as estacas da cerca no caminho, os degraus de uma escada. Só dar nome já planta a ideia. "Olha, os pisos vão branco, cinza, branco, cinza." Você está treinando um olhar que logo vai começar a achar padrões sem nenhum empurrãozinho seu.

Primeiro, som e movimento

Os padrões mais simples de todos são os que a gente ouve e sente. Bata palma, palma, pausa, palma, palma, pausa, e chame a criança para entrar. Marchem com pisada forte, ponta do pé, pisada forte, ponta do pé. Cantem um verso com um ritmo que se repete. Como usam o corpo inteiro, esses padrões combinam com crianças pequenas que ainda não estão prontas para sentar e organizar objetos, e deixam a ideia do "se repete" maravilhosamente clara.

Depois, coisas que dá para tocar

Quando os padrões de som estiverem conhecidos, traga objetos que a criança pode enfileirar e reorganizar.

  • Enfiem macarrão ou miçangas numa ordem de cores, vermelho, branco, vermelho, branco.
  • Coloquem colher, garfo, colher, garfo ao longo da mesa.
  • Empilhem blocos grande, pequeno, grande, pequeno.
  • Enfileirem bichinhos vaca, ovelha, vaca, ovelha.

Mantenha a regra curta e clara no começo. Uma repetição de dois itens é o ponto de partida perfeito, e dá para acrescentar um terceiro elemento depois.

Diga o padrão enquanto monta

Dar nome a cada item ao colocar transforma uma fileira silenciosa numa regra que dá para ouvir. "Vermelho, azul, vermelho, azul, vermelho..." e então faça uma pausa e olhe para a criança na expectativa. Essa pausa convida a criança a completar "azul", que é o momento de previsão que você procura. Esse pergunta e resposta leve é o coração dos jeitos de perceber e criar padrões de que as crianças mais gostam.

Deixe a criança errar

Quando a criança continuar um padrão do jeito errado, resista a consertar na hora. Leiam juntos de volta: "Vermelho, azul, vermelho, azul, verde?" Muitas vezes ela ouve o tropeço e corrige por conta própria. Descobrir o erro vale mais do que ser avisada, porque mostra que ela está mesmo conferindo com a regra, e não copiando você. Mantenha a voz curiosa, e não corretiva.

Deixe a criança inventar os dela

O momento de mais orgulho chega quando a criança inventa um padrão para você continuar. Entregue as miçangas ou os blocos e peça que ela crie uma regra, e você segue, às vezes "errando" de propósito para ela pegar você. Trocar de papel assim mostra que ela entendeu de verdade, e as risadas quando ela corrige um adulto mantêm tudo alegre.

Aumente o desafio devagar

Conforme a confiança cresce, estique o padrão. Passe de AB (vermelho, azul) para ABC (vermelho, azul, amarelo) ou ABB (vermelho, azul, azul). Experimentem padrões com duas características ao mesmo tempo: grande vermelho, pequeno azul, grande vermelho. Não existe cronograma. Siga o apetite da criança e volte para algo mais simples no instante em que deixar de ser divertido.

No meio do dia

Você não precisa de mesa de artesanato. Arrumem os talheres em padrão juntos. Reparem nas pedras da calçada num passeio e recitem a sequência. Organizem a fruteira por cor. Batam um padrão de palmas na fila. Esses momentos costurados no dia, pouquinho e muitas vezes, ensinam padrões muito melhor do que uma longa sessão sentada. Um padrão achado no caminho da escolinha vale tanto quanto um montado à mesa, então aproveite as chances que cabem naturalmente no seu dia.

Quando pedir uma orientação

A habilidade com padrões aparece aos poucos entre os 3 e os 5 anos, e as crianças variam muito no momento em que a ficha cai. É razoável uma conversa tranquila com o pediatra ou com a escolinha se a criança mostra pouquíssimo interesse por padrões, sequências ou jogos de combinar bem além das outras da mesma idade, tem dificuldades amplas com conceitos do dia a dia e com a linguagem, ou parece perder habilidades que já tinha. Falar disso cedo é rotina e só ajuda o apoio a chegar mais cedo.

Para levar com você

Um padrão é uma regra que se repete, e cada vez que a criança prevê o que vem depois está exercitando pensamento matemático de verdade. Continue oferecendo sequências que se repetem em sons, movimentos e objetos, e você dá à criança um hábito de pensamento que apoia, sem alarde, a matemática, a música e a leitura por muitos anos.

Para guardar: Comece com palmas e pisadas, passe para miçangas e colheres e deixe a criança prever, corrigir e inventar, para a regra que se repete virar dela.

UNICEF, Learning through play

CDC, Positive parenting tips for young children