Filho não quer conversar? Como se aproximar sem pressionar
Você pergunta como foi a escola e ouve "normal". Pergunta o que aconteceu e ganha um dar de ombros. Para quem cuida, uma criança que se fechou parece uma porta trancada, e quanto mais você bate, mais ela parece emperrar. A boa notícia é que a conversa é só uma das entradas. Quando o filho não quer conversar, o caminho é aprender a ler as outras portas que ele deixa entreabertas.
Por que as crianças se fecham
Silêncio quase nunca quer dizer que nada está acontecendo. A criança pode estar cansada, sobrecarregada, ainda digerindo alguma coisa, com medo da sua reação ou simplesmente sem palavras para um sentimento que nem entende direito. Algumas são mais reservadas por natureza, outras precisam de tempo e espaço antes de dividir, e muitas sentem as perguntas diretas como um pequeno interrogatório. Entender que o silêncio é uma mensagem, e não um muro, muda a forma como você responde. A criança não está rejeitando você. Está dizendo que ainda não está pronta.
Primeiro, tire a pressão
A vontade de preencher o silêncio com perguntas é compreensível, mas uma rajada de "por quê?" e "o que houve?" costuma empurrar a criança ainda mais para dentro. Tente baixar a temperatura emocional. Sente perto, sem exigir nada. Deixe existir um silêncio confortável. Quando a criança percebe que a proximidade está disponível sem condições, ela relaxa, e uma criança relaxada tem muito mais chance de se abrir no tempo dela. Presença sem pressão é a base de tudo o que vem depois.
Converse lado a lado, e não cara a cara
Muitas crianças acham intenso demais o olho no olho e a atenção concentrada quando estão chateadas. Algumas das melhores conversas acontecem de lado, enquanto vocês dois estão ocupados com outra coisa. Uma ida de carro, uma caminhada, sovar massa de pão, montar blocos ou o escuro do quarto na hora de dormir podem soltar a língua que fica presa na mesa da cozinha. Quando a criança não precisa olhar para você e pode ficar mexendo em alguma coisa, as palavras costumam vir com mais facilidade. Fazer algo juntos, e não ficar observando de perto, muitas vezes é o jeito de alcançar uma criança calada.
Troque perguntas por observações
Em vez de pedir que a criança se explique, experimente comentar baixinho o que você percebe. "Você parece meio para baixo hoje." "Senti que alguma coisa ficou estranha depois da escola." Observações pesam menos que perguntas porque não exigem resposta, e mesmo assim mostram que você está prestando atenção. Se ela responder, siga o que ela trouxer. Se não responder, você já disse que notou e que se importa, e muitas vezes isso basta por enquanto.
Deixe a brincadeira falar
As crianças menores, principalmente, processam a vida brincando, mais do que conversando. O que não conseguem dizer, muitas vezes encenam, desenham ou contam através dos brinquedos. Alguns caminhos sem pressão:
- Brinque junto e deixe os sentimentos aparecerem na história.
- Ofereça papel e canetinhas, sem nenhuma instrução.
- Leia um livro com um personagem passando por algo parecido.
- Use fantoches ou bonecos para dar voz a uma preocupação que a criança talvez tenha.
Você não precisa interpretar tudo. Às vezes, só estar presente enquanto a criança encena um sentimento difícil já é a conversa inteira.
Respeite a porta fechada, mas deixe destrancada
Se a criança não quer falar mesmo, forçar vai sair pela culatra. Tudo bem, e até tranquiliza, dizer algo como: "Você não precisa me contar agora. Estou aqui quando quiser." E depois cumprir, mantendo o carinho e a disponibilidade, sem emburrar nem se afastar. A criança testa se a oferta é verdadeira. Quando descobre que a porta continua mesmo aberta, ela passa por ela muito mais vezes, geralmente no momento menos conveniente, o que é um ótimo sinal.
Cuide da sua reação quando ela se abrir
Parte do silêncio vem do medo de uma reação: raiva, desespero, decepção ou sermão. Quando a criança finalmente conta alguma coisa, ainda mais algo difícil, a sua primeira tarefa é ouvir com calma. Segure a vontade de resolver, julgar ou exagerar. Um "que bom que você me contou" tranquilo aumenta muito a chance de ela voltar da próxima vez. O jeito como você recebe as pequenas confidências decide se vai ficar sabendo das grandes mais tarde.
Quando o silêncio merece atenção
A maior parte da resistência a conversar é comum e passa. Mas vale prestar atenção se a criança se fechar de forma persistente, parecer triste ou ansiosa na maior parte do tempo, perder o interesse pelo que gostava ou tiver mudanças claras no apetite ou no sono por várias semanas. Uma mudança repentina e duradoura para o silêncio, ou qualquer sinal de que algo assustador aconteceu, pede um acompanhamento cuidadoso. O pediatra ou a escola podem ajudar, e não é preciso ter certeza de que há um problema para pedir orientação.
Um trabalho de longo prazo
Alcançar uma criança calada raramente depende de uma conversa genial. Depende de você ser aquela presença firme e tranquila a quem, um dia, a criança confia o que sente por dentro. Continue aparecendo, mantenha a pressão baixa e siga mostrando que dá conta do que ela trouxer. Com o tempo, a maioria das crianças que não queriam conversar descobre, sem alarde, que com você elas conseguem.
Para guardar: Troque as perguntas por presença carinhosa e atividades lado a lado, e deixe a criança chegar às palavras no tempo e do jeito dela.