Como ensinar a criança a resolver problemas do dia a dia
Um brinquedo preso embaixo do sofá, duas crianças querendo o copo vermelho, a torre que não para de cair. Para um adulto, são bobagens, mas para uma criança são problemas de verdade, e cada um é uma chance de pensar. Quando você deixa a criança resolver os problemas do dia a dia, em vez de consertar tudo, entrega uma habilidade que vai muito além do momento: a capacidade de encarar uma dificuldade, pensar em opções e agir. Esse é o motor da autonomia e da confiança. Ensinar a criança a resolver problemas começa aí.
Os problemas pequenos são o campo de treino
Muitas vezes protegemos a criança de qualquer atrito, aplainando cada caminho antes que ela chegue. Mas é com problemas que o pensamento se desenvolve. A criança que descobre como alcançar o brinquedo, dividir o copo ou firmar a torre está construindo os músculos mentais que vai usar pelo resto da vida. Os enroscos do dia a dia da infância não são interrupções do aprendizado; são as próprias lições. Vista assim, uma manhã um pouco frustrante vira uma oportunidade rica, e não um incômodo a ser administrado.
Faça uma pausa antes de consertar
No instante em que aparece um problema, a maioria de nós pula para resolver, porque é mais rápido e poupa todo mundo do alvoroço. Mas cada problema que você resolve é um que a criança não resolve. Tente se segurar e só observar por alguns segundos. Muitas vezes a criança tenta, às vezes de um jeito que você nunca teria pensado. É nessa pequena pausa que mora o aprendizado. Quando você deixa a criança resolver os problemas do dia a dia, escolhe o crescimento dela a longo prazo em vez da conveniência de um conserto rápido.
Faça perguntas em vez de dar respostas
Quando a criança está travada, uma pergunta bem colocada mantém o pensamento dela ligado, enquanto uma resposta desliga. Experimente "o que você pode tentar?", "como dá para alcançar?" ou "o que você acha que aconteceria se...?". Essas perguntas devolvem o problema à criança com um empurrãozinho numa direção útil. Você não está abandonando a criança; está orientando. A meta é que a solução pareça dela, porque uma solução que a criança alcança sozinha ensina dez vezes mais do que uma que você entrega.
Deixe que ela teste as ideias imperfeitas
As soluções das crianças muitas vezes são enroladas, pouco eficientes ou meio estranhas, e tudo bem. Se a criança decide buscar uma colher para cutucar o brinquedo em vez de simplesmente afastar o sofá, deixe que ela tente, desde que seja seguro. Mesmo quando a ideia não funciona, ela aprende algo valioso: que um jeito pode ser testado e, se falhar, dá para tentar outro. Corrigir a criança rumo à resposta óbvia de adulto rouba dela esse experimento. O caminho bagunçado muitas vezes é o que mais ensina.
Oriente as briguinhas em vez de apitar
Os conflitos por brinquedos e por vez estão entre os problemas mais ricos de todos. Em vez de dar o veredito, você pode guiar as crianças até uma solução delas: "Vocês dois querem o copo. O que a gente pode fazer para ficar justo?" As menores vão precisar de mais ajuda, mas até uma criança de dois anos começa a entender o revezamento com o seu apoio. Quando as crianças treinam resolver desentendimentos, com você orientando com calma, sem fazer papel de juiz, constroem uma capacidade social de resolver problemas que vai servir na creche, na escola e além.
Fique junto da frustração
Resolver problemas envolve frustração, e frustração incomoda de ver. Ajuda esperar por ela e manter a calma quando chegar. A criança que está resmungando e mexendo geralmente ainda está trabalhando, e a sua presença calma diz que a situação tem jeito. Você pode só dizer "essa é difícil, eu sei que você vai descobrir" e depois esperar. Resgatar a criança de todo sentimento difícil ensina que sentimentos difíceis são emergências. Ficar ao lado ensina que dá para aguentar e atravessar.
Saiba a hora de entrar
Deixar a criança resolver os próprios problemas não é o mesmo que deixar que ela afunde. Se a criança está realmente sobrecarregada, exausta ou o problema está mesmo além dela, entrar com carinho é a decisão certa. A habilidade está em oferecer a menor ajuda que desencalhe a criança e depois devolver o problema. A segurança, claro, sempre vem antes da lição. Um problema que envolve rua, altura, água ou qualquer coisa perigosa é para você resolver diretamente, sempre.
Quando resolver problemas parece difícil demais
A maioria das crianças fica cada vez mais capaz de descobrir as coisas. De vez em quando, uma criança parece não conseguir tentar nem problemas simples, fica extremamente angustiada com frustrações comuns ou fica bem atrás das outras crianças na hora de pensar as coisas. Se esse padrão persistir, ou vier junto com outras preocupações com o desenvolvimento, o aprendizado ou o humor, vale uma conversa com o pediatra ou com a equipe da creche, que podem ajudar a decidir se um apoio extra seria útil.
Formando alguém que pensa com confiança
Cada vez que você resiste à vontade de consertar e deixa a criança resolver os problemas do dia a dia, está dizendo a ela: "Eu confio na sua cabeça." Essa confiança, repetida em centenas de pequenos enroscos, vira uma criança que encara a dificuldade com curiosidade, e não com desamparo. Ela não vai resolver tudo, e nem deveria precisar. Mas vai carregar a confiança profunda e silenciosa de quem sabe que, quando um problema aparece, consegue pensar até chegar a uma resposta.
Para guardar: Os enroscos do dia a dia são treino de pensamento: faça uma pausa antes de consertar, faça perguntas em vez de dar respostas, deixe as ideias imperfeitas serem testadas e só entre em caso de sobrecarga real ou perigo.