Irmãos brigando por brinquedo: o que fazer na hora

Um carrinho, duas crianças e um grito de "é meu!" que dá para ouvir do outro lado da rua. Na briga por brinquedo, o primeiro passo é sempre parar o puxão ou o tapa. Os mesmos irmãos que se estapeiam pelo carrinho às dez horas estão construindo uma cabana juntos na hora do almoço, porque irmão é assim. Aos adultos cabe a segurança e um acesso justo aos brinquedos; às crianças, espaço para a raiva e para as pazes, sem rótulos de "quem sempre pega".

A resposta curta

A briga por brinquedo pode envolver posse, espera, vontade de entrar na brincadeira ou medo de que o objeto não volte mais. Separe os objetos pessoais dos brinquedos compartilhados e use vezes curtas e acompanhadas, em vez de esperar que crianças pequenas negociem sozinhas uma solução justa.

Na prática

Bloqueie o puxão ou o tapa e diga o que acontece em seguida, sem decidir qual criança é a boazinha. Quando der, tenha dois iguais dos brinquedos que mais geram briga e ensine frases para entrar na brincadeira nos momentos calmos; um pedido de desculpas forçado faz menos do que devolver, trocar ou consertar de verdade.

O que observar primeiro

Repare no gatilho, em quem é o dono do brinquedo, no cansaço, no aperto do espaço, na atenção dos adultos, na diferença de força e em se cada criança consegue sair da situação, e anote o que aconteceu depois que os adultos entraram. Ensinar uma frase para pedir a vez precisa combinar com o que as crianças conseguem usar de fato, e não exigir uma solução sofisticada enquanto ainda estão transbordando.

Um plano possível

  • Pare primeiro o puxão ou o tapa.
  • Deixe claro se o brinquedo é de alguém ou de todos.
  • Use um plano concreto de revezamento.
  • Ensine uma frase para pedir a vez.

Comece parando o machucado e deixando claro de quem é o brinquedo, sem abrir um tribunal para descobrir quem começou. Depois da calma, ensine o pedido, a vez, a separação ou o reparo que combina com o que aconteceu, e mude as condições previsíveis que vivem colocando as crianças em situação de fracasso, como um único patinete para dois no fim de um dia cansativo.

Como os passos se encaixam

Primeiro vem parar o tapa, depois esclarecer se o brinquedo é pessoal ou compartilhado, em seguida o revezamento concreto, com um timer ou "duas voltas no quintal e troca", e por fim a frase para pedir a vez, como "posso brincar quando você terminar?". Se alguém corre perigo, o adulto protege antes de tudo; explicar e consertar fica para quando o clima esfriar.

Combine o plano com quem também cuida

Combine com quem também cuida que todos vão fazer o mesmo nos dois primeiros passos: parar o tapa e deixar claro se o brinquedo é de alguém ou de todos. Cada adulto pode usar as próprias palavras, desde que a criança reconheça a regra. Decidam também quem protege a criança menor quando a diferença de força pesar e como reparar depois, com devolução ou troca, e não com sermão.

Um período de observação

Pare primeiro o tapa, sempre, por duas ou três semanas de brigas comuns, antes de avaliar o resultado. Uma linha por briga já ajuda: qual brinquedo, o que veio antes, como terminou.

No fim do período, veja se o plano de revezamento está funcionando. Mantenha o que deixou a brincadeira mais segura ou mais clara, abandone sem culpa o que não cabe na vida real da casa e ajuste aos poucos, a menos que uma questão de saúde, segurança ou desenvolvimento peça primeiro uma avaliação.

O que está e o que não está nas mãos dos adultos

Os adultos decidem o que é pessoal e o que é compartilhado, acompanham a brincadeira, controlam o acesso aos brinquedos disputados e mantêm o limite de segurança. Não podem obrigar os irmãos a concordar ou a sentir carinho, mas podem evitar que a criança maior ganhe sempre só por ser mais forte, e devolver a responsabilidade às crianças conforme elas aprendem.

Segurança e respeito

A frase para pedir a vez só entra quando todo mundo está seguro. Intervenha na hora em caso de tapa, de puxão que derruba, de algo que possa sufocar ou engasgar, de brinquedo usado como arma, de medo ou de uma criança que não consegue se afastar, e lembre que um "desculpa" forçado não significa que já dá para deixar os dois sozinhos.

O que costuma atrapalhar

As brigas por brinquedo se repetem mais quando uma criança vira "a que sempre pega" e a outra "a que sempre chora", quando se força desculpa, quando se resolve tudo dividindo igual, mesmo o que é pessoal, ou quando se espera que crianças pequenas negociem sozinhas enquanto ainda estão gritando.

Como saber se está funcionando

Avanço pode ser a criança pedir ajuda em vez de puxar, esperar alguns segundos antes de agarrar, aceitar brincar separada por um tempo, esperar a vez ou devolver o brinquedo com menos insistência dos adultos. Brigas mais seguras e pazes mais rápidas valem mais do que silêncio total; machucados repetidos ou medo pedem apoio profissional.

Se anotar, registre o brinquedo, o que veio antes, a diferença de força entre as crianças, a resposta dos adultos e quanto tempo levou para a brincadeira voltar. Muitas vezes o padrão aponta para um único objeto ou para o fim do dia.

Quando buscar mais ajuda

Procure apoio profissional quando as brigas por brinquedo causarem machucados repetidos, medo ou angústia extrema, quando o dia a dia ficar muito desorganizado, quando o padrão aparecer também na escola ou na casa dos avós ou quando os adultos não conseguirem manter a segurança. Em perigo imediato, peça ajuda urgente, ligando para o SAMU (192). Pedir orientação cedo não rotula nenhuma das crianças para sempre.

Para levar com você

Briga por brinquedo é treino de convivência, e treino tem tropeço. Pare primeiro o tapa, deixe claro de quem é o brinquedo, use um revezamento concreto, ensine uma frase para pedir a vez e procure uma avaliação individual se algo fugir do que as orientações gerais explicam.

Para guardar: Na briga por brinquedo, pare primeiro o puxão ou o tapa, deixe claro de quem é o brinquedo e só depois ensine a pedir a vez.

American Academy of Pediatrics, Preparing an older child for a new baby

American Academy of Pediatrics, Positive discipline