Atividades simples de resolução de problemas para crianças de 1 a 3 anos

O brinquedo está em cima do pano, longe do alcance. A criança estica o braço, não alcança, olha para você... e então puxa o pano. Pronto: um problema resolvido. Na primeira infância, aprender é explorar, repetir, se mexer, imaginar e resolver problemas ao lado de adultos que prestam atenção. O adulto oferece o tempo, a segurança e o desafio na medida; a criança tenta, erra, ajusta e descobre.

A resposta curta

Os problemas que ajudam são visíveis e possíveis de resolver com esforço: pegar um brinquedo puxando um pano, escolher qual tampa encaixa, montar um caminho para a bola. O aprendizado acontece no tentar, no rever e no pedir ajuda, e não só em chegar à resposta.

Na prática

Ofereça um desafio logo acima do que a criança faz com facilidade, espere antes de socorrer e dê a menor dica necessária. Pare antes de a frustração atropelar o aprendizado e mantenha os materiais grandes, firmes e seguros para ir à boca.

O que observar primeiro

Repare no que atrai a criança, como ela começa, se insiste, se muda de estratégia, se pede ajuda e como mostra o que está tentando. Idade, fala, coordenação, preferências sensoriais, sono e familiaridade com os objetos pesam muito. Elogiar a experimentação, e não a rapidez, ajuda a próxima tentativa, e um desafio não resolvido hoje não é veredito sobre o desenvolvimento.

Um plano possível

  • Ofereça potes, tampas, rampas e jogos de combinar.
  • Faça uma pausa antes de dar a solução.
  • Pergunte o que mais poderia funcionar.
  • Elogie a experimentação, e não a velocidade.

Proponha um convite, e não uma prova com resposta certa. Separe alguns potes com tampas, uma rampa simples ou objetos para combinar, e quando a criança empacar, conte até cinco por dentro antes de agir. Espere que ela teste uma ideia antes da menor dica possível, aceite se ela achar outro caminho e encerre enquanto ainda está gostoso.

Como os passos se encaixam

Primeiro vem o material: potes de tamanhos diferentes, tampas, uma rampa feita com uma tábua, pares de meias. Depois, a pausa, que dá à criança a chance de pensar. Em seguida, uma pergunta aberta ("O que mais a gente pode tentar?"). Por fim, o elogio ao esforço ("Você tentou de três jeitos!"). Só aumente a dificuldade quando ela mostrar que está pronta.

Combine o plano com quem também cuida

Os adultos podem combinar os dois primeiros passos: oferecer desafios simples e esperar antes de dar a solução. Assim a criança encontra o mesmo espaço para tentar com qualquer um, mesmo que cada adulto fale do seu jeito. Os limites de segurança são iguais para todos.

Um período de observação

Ofereça os desafios em vários dias comuns antes de concluir qualquer coisa, e não só num dia muito bom ou muito difícil. Anote em poucas palavras o desafio, a reação da criança e o clima, sem que isso vire mais uma cobrança.

Depois de algumas semanas, veja como tem funcionado a pergunta "o que mais poderia funcionar?". Fique com o que deixou a criança mais confiante, simplifique o que frustrou demais e mude uma coisa de cada vez; diante de uma preocupação de saúde, segurança ou desenvolvimento, a avaliação de um profissional vem primeiro.

O que está e o que não está nas mãos dos adultos

Você controla o desafio oferecido, a segurança, o tempo e a sua atenção. Não controla a estratégia que a criança vai usar, quanto tempo vai insistir nem o que vai aprender. Deixe espaço para ela recusar, repetir o mesmo problema ou resolver de um jeito inesperado, e só entre quando o risco ou a frustração passarem do que ela consegue administrar.

Segurança acima de tudo

Escolha os desafios pensando na criança que você tem: peças pequenas que causam engasgo, tampas que soltam pedaços, cordões, quedas de rampas altas e potes de produtos tóxicos, que nunca entram na brincadeira. O que vem da cozinha ou da gaveta também pede esse cuidado. Elogiar o esforço não exclui supervisionar, e interrompa na hora se algo for levado à boca de um jeito perigoso ou causar falta de ar ou reação na pele.

O que costuma atrapalhar

A resolução de problemas trava quando o adulto resolve para "ajudar", compra brinquedos difíceis demais, socorre antes de a criança pensar ou trata uma tentativa frustrada como sinal de atraso.

Como saber se está funcionando

Sinais de avanço: uma estratégia nova, como virar o pote antes de forçar a tampa, um faz de conta mais flexível, a criança chamando alguém para ajudar, aguentando um pequeno problema por mais tempo ou voltando a um desafio mais tarde. Repetir o mesmo desafio também é aprendizado, e não é preciso deixar tudo mais difícil a cada acerto.

Quando buscar mais ajuda

Vale levar ao pediatra ou a um profissional do desenvolvimento infantil quando o jeito de brincar fica parado no tempo, quando habilidades somem, quando a criança quase não explora nem compartilha o que vê, quando objetos comuns não são usados como se espera ou quando dificuldades de compreensão, movimento ou raciocínio atrapalham o dia. Leve à consulta exemplos concretos, de casa e de outros lugares.

Para levar com você

O objetivo não é uma criança que resolve tudo rápido nem uma brincadeira perfeita. Ofereça desafios na medida, espere antes de ajudar, proteja a conexão e a segurança e procure uma avaliação individual quando as orientações gerais não explicarem o que acontece com a sua criança.

Para guardar: Ofereça desafios simples com potes, tampas e rampas, espere antes de resolver e observe o que muda com o tempo.

American Academy of Pediatrics, The power of play

WHO, Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under five