Contação de histórias com sons e efeitos sonoros

Uma história contada sem emoção até serve. Uma história contada com um rufar de tambor para os passos do gigante, um assobio para o vento e um chocalho para a chuva caindo fica na memória para sempre. Colocar som nas histórias é uma das coisas mais envolventes que dá para fazer com uma criança pequena, e quase não pede preparação. Entre os 3 e os 5 anos, a contação com sons transforma a leitura e as histórias inventadas numa aventura cheia de sentidos, que desenvolve linguagem, escuta e imaginação de uma vez só.

Por que o som dá vida à história

Crianças dessa idade nascem prontas para o drama e para participar. Quando a história tem sons que elas podem ouvir e fazer, deixa de ser algo que elas só recebem e vira algo de que fazem parte. Esse envolvimento aprofunda a atenção e ajuda a história a ficar. Os efeitos sonoros também dão um gancho concreto para palavras abstratas: a criança que bateu os pés como o gigante entende "enorme" e "pesado" no corpo, e não só nos ouvidos. É por isso que a contação com sons coloca tanto aprendizado dentro de tanta diversão.

Comece com um livro que você já tem

Você não precisa de material especial, só de um livro ilustrado favorito e disposição para ser um pouco teatral. Enquanto lê, coloque um som nos momentos principais. Bata no chão quando alguém bater na porta. Faça o vento soprar. Batuque rápido quando um personagem correr. Faça um "bum" grave para algo grande e assustador, e sussurre para algo pequeno e tímido. A criança logo começa a antecipar os sons, e em pouco tempo vai querer fazer com você.

Os sons passam para a criança

A mágica começa de verdade quando a criança vira o departamento de efeitos sonoros.

  • Dê uma tarefa: "Você é o trovão, eu leio a história."
  • Deixe a criança escolher que som combina com cada personagem.
  • Faça uma pausa e espere, para ela preencher o espaço com o som que sabe que vem.
  • Acrescente instrumentos simples: chocalho para a chuva, tambor para os passos, colheres para um cavalo galopando.

Esperar a criança fazer o som é especialmente bom, porque pede que ela escute, lembre e responda na hora certa. É treino de verdade para a atenção e para o vaivém da conversa, vestido de pura brincadeira.

Inventem histórias juntos

Quando a criança pegar a ideia, dá para largar o livro e inventar histórias na hora. Uma estrutura simples ajuda: um personagem sai numa viagem e encontra coisas pelo caminho, cada uma com o seu som. "A gente está andando pela floresta", você diz, batucando devagar, "e de repente, o que foi isso?" Deixe a criança decidir e dar um som para aquilo. As histórias inventadas colocam a criança no comando do enredo, além dos barulhos, e isso dá um impulso lindo à linguagem e à imaginação.

A sua voz como instrumento

Instrumentos são ótimos, mas totalmente opcionais. A sua voz pode ser a orquestra inteira. Fininha e esganiçada para o ratinho, grossa e lenta para o urso, cantada para a fada. Mudar a voz para cada personagem ajuda a criança a acompanhar quem está falando e mostra a melodia e a expressão da língua falada. Acrescente cantorias ritmadas para as frases que se repetem, para que cada vez que um trecho voltar ganhe a mesma musiquinha, e as crianças adoram cantar junto.

Aprendizado de linguagem de verdade

A contação com sons faz muito, sem alarde, pelo jeito como a criança fala e entende. As palavras novas chegam embrulhadas em drama e som, e isso as torna memoráveis. Os refrões repetidos dão confiança para falar. Esperar a vez de fazer um som treina o ritmo da conversa. E descrever sons, alto, baixo, rápido, devagar, espetado, macio, amplia o vocabulário de um jeito natural. Tudo isso acontece porque a história é divertida, e não porque alguém resolveu ensinar.

Flexível e conduzida pela criança

As melhores sessões seguem a criança. Se ela quiser passar dez minutos só sendo o trovão, deixe. Se ela mudar o final, vá junto. Se perder o interesse no meio, pare com bom humor. A contação com sons não é uma apresentação para terminar, e sim um jogo dividido para curtir, e forçar até o fim estraga. Momentos curtos, animados e guiados pela criança deixam a vontade de mais, que é exatamente onde você quer chegar.

Uma observação gentil sobre participar

A maioria das crianças dessa idade se joga no som e na história com prazer. Se você notar que a criança de forma constante não reage à sua voz ou a sons, mostra pouco interesse por histórias ou faz de conta por um longo período ou parece estar perdendo palavras que já tinha, vale levar isso a uma consulta de rotina. São motivos para uma conversa tranquila, não para alarme. Para a enorme maioria das crianças, colocar som nas histórias é simplesmente um jeito alegre de passar vinte minutos.

A faísca que fica

Dê uma trilha sonora a uma história e você dá à criança um motivo para chegar mais perto, escutar com atenção e imaginar sem limites. A contação com sons não custa nada além da sua disposição de trovejar, soprar e guinchar, e retribui com uma linguagem mais rica, uma atenção mais afiada e uma criança que acha que livros e histórias estão entre as melhores coisas do mundo. Pegue uma história favorita hoje à noite e deixe que ela faça barulho.

Para guardar: A contação de histórias com sons desenvolve linguagem e imaginação: coloque efeitos sonoros nos livros e nas histórias inventadas, e depois passe os sons para a criança.

NHS, Help your baby learn to talk

UNICEF, Child development and early learning