Criança estranha os avós? Como deixar as visitas mais leves
Tem criança que entra numa sala e cumprimenta todo mundo. Outras precisam ficar no cantinho, observar um pouco e decidir no tempo delas que está tudo bem. Se a sua criança é do segundo grupo, as visitas aos avós podem ficar constrangedoras, com parentes cheios de boa intenção se amontoando justo quando a criança mais quer espaço.
A resposta curta
Um começo cauteloso é traço de temperamento, e não falta de educação. Crianças que demoram a se soltar se dão melhor com uma chegada sem pressão, uma rotina previsível e adultos que deixam que elas observem antes de interagir. Pressione menos na porta e você costuma ganhar mais carinho dez minutos depois.
Entendendo a criança que demora a se soltar
Os pesquisadores do desenvolvimento infantil descrevem há muito tempo um estilo de quem demora a se soltar: crianças um pouco desconfiadas de pessoas e situações novas, mas que se acomodam lindamente quando se sentem seguras. É uma variação normal e saudável de personalidade. Muitas dessas crianças se revelam observadoras atentas, que criam vínculos profundos e leais. A desconfiança não é uma timidez a ser curada. É só o ritmo delas.
O que observar primeiro
Observe o formato do aquecimento, e não os primeiros trinta segundos. A criança que demora a se soltar costuma ficar para trás, observar os adultos conversando e depois ir se aproximando quando a sala parece calma e conhecida. Repare no momento em que ela relaxa: os ombros descem, ela começa a narrar, mostra um brinquedo. Esse é o seu sinal verde. Repare também no que esvazia o tanque: um cumprimento alto demais, ser pega no colo sem aviso ou muitos rostos novos de uma vez podem zerar o relógio.
Um plano para a visita
- Chegue um pouco antes ou num momento mais calmo, para a criança encontrar uma ou duas pessoas, e não uma multidão.
- Deixe a criança perto de você no começo e deixe que ela observe a sala.
- Avise os avós para darem um oi suave e continuarem conversando, sem fazer festa em cima da criança.
- Ofereça uma atividade de que a criança gosta, para a conexão acontecer de lado, pela brincadeira.
Preparando a criança antes
As crianças lidam muito melhor com a visita quando sabem o que vem pela frente. No caminho, conte de um jeito simples: quem vai estar lá, o que vocês podem fazer e que ela pode ficar pertinho de você até se sentir pronta. Uma foto dos avós olhada de manhã já prepara o reconhecimento. Contar o plano tira a surpresa, e a surpresa é o que a criança cautelosa acha mais difícil.
Ajudando os avós a entender
Os avós podem levar um começo lento para o lado pessoal, principalmente se só veem a criança de vez em quando. Uma explicação curta e gentil ajuda: a criança se solta aos poucos, adora os avós depois que se acomoda e responde melhor a uma atenção suave e sem pressa. Sugira que eles se abaixem na altura da criança, comentem o que ela está fazendo em vez de exigir olho no olho e resistam à vontade de chegar com um abraço logo de cara. Quando os avós dão um pouco de espaço, costumam ganhar no fim o abraço que esperavam.
O que está e o que não está nas suas mãos
Você controla o ritmo, o ambiente e as expectativas que combina com os parentes. Não controla a rapidez com que a sensação de segurança chega, e tentar apressar costuma atrasar. Evite pedir desculpas pela criança na frente dela ou chamar a criança de difícil, o que só acrescenta vergonha a um momento que já é grande. A sua tranquilidade é contagiante. A criança que vê você à vontade e sem incômodo entende isso como prova de que a sala é segura.
Dando tempo de uma visita para outra
O tempo de aquecimento quase sempre encurta com a familiaridade. Um contato regular, mesmo chamadas de vídeo rápidas entre os encontros, impede que os avós pareçam estranhos a cada visita. Repare, sem alarde, no que facilita o caminho: se a manhã funciona melhor que a noite, se um dos avós é um primeiro contato mais fácil, se um brinquedo conhecido de casa ajuda. Ao longo dos meses, muitas crianças que demoram a se soltar passam de vinte minutos rondando para receber os avós na porta.
Quando buscar mais apoio
Um aquecimento cauteloso que passa quando a criança se acomoda está dentro do normal. Vale comentar com o pediatra se a desconfiança da criança for extrema em todos os ambientes, se ela parecer com medo o tempo todo ou não conseguir se acalmar nem com você, se tiver parado de usar palavras ou habilidades que tinha, ou se a ansiedade estiver impedindo a criança de participar de atividades comuns. O apoio, quando necessário, é muito mais fácil de organizar cedo, e muitas vezes uma conversa basta para tranquilizar.
Para levar com você
O objetivo das visitas aos avós não é uma criança que encena carinho na chegada. É uma criança que aprende, de novo e de novo, que os avós são seguros e que ela pode entrar na brincadeira quando estiver pronta. Proteja o ritmo, mantenha as expectativas leves e deixe a sala se acalmar. O aquecimento que você permite com paciência neste mês vira o oi fácil do ano que vem.
Para guardar: Quando a criança demora a se soltar, não é falta de educação. Ofereça uma chegada calma e sem pressão, deixe que ela observe primeiro, e o carinho vem quando ela se sentir segura.