Como falar sobre os diferentes tipos de família com crianças pequenas

A criança repara nas diferenças cedo. Uma criança de 3 a 5 anos vai notar que uma amiga tem duas mães, que outro colega mora com a avó ou que a família de alguém da turma não se parece nada com a dela. O jeito como você fala sobre diversidade familiar com crianças pequenas molda duas coisas ao mesmo tempo: o quanto a criança se sente segura na própria família e o quanto ela é gentil e aberta com a família dos outros.

Comece pelo que toda família tem em comum

A âncora mais simples e mais verdadeira é o amor e o cuidado. Seja qual for o formato, família são as pessoas que cuidam de você e amam você. Começar por aí dá à criança uma definição clara e tranquilizadora, que acolhe com folga todas as variações. Quando a criança pergunta sobre uma família diferente, "família são as pessoas que se amam e cuidam umas das outras, e existem de muitos jeitos" responde à pergunta e acalma a criança ao mesmo tempo.

Use uma linguagem simples e natural

A criança pequena se guia pelo seu tom. Se você fala de uma casa com um só responsável, de dois pais, de uma família adotiva, de uma família recomposta ou de uma criança criada pelos avós com a mesma voz calma e comum que usaria para qualquer outra coisa, a criança aprende que tudo isso é normal. Não precisa de uma conversa grande e séria. Para falar bem sobre os tipos de família com crianças pequenas, trate a diferença como algo comum, e não como um assunto que pede solenidade.

Perguntas comuns e respostas fáceis

  • "Por que ela tem duas mamães?" Porque as famílias têm formatos diferentes, e isso é uma coisa boa.
  • "Cadê o papai dele?" Algumas famílias têm papai, outras não; cada família é diferente.
  • "Por que ele mora com a vovó?" Muitas crianças são cuidadas com muito amor pelos avós.
  • "Eles são irmãos de verdade?" São; as famílias podem se formar de muitos jeitos, inclusive pela adoção.

Respostas curtas, carinhosas e honestas funcionam melhor. Você não precisa explicar tudo, e não deve contar detalhes da vida particular de outras famílias. "Cada família é diferente, e está tudo bem" é um ótimo lugar para terminar.

Mostre a sua família com clareza

Além de entender os outros, a criança precisa de uma noção clara e orgulhosa do formato da própria família, principalmente se é um formato que aparece pouco nos livros e nas telas. Diga o formato da sua família com carinho e sem pedir desculpas. Uma criança de família monoparental, recomposta, adotiva, com duas mães ou dois pais, ou com várias gerações na mesma casa, precisa ouvir a própria família descrita como completa e boa, e não como uma versão de algo que falta.

Use livros e momentos do dia a dia

Você não precisa esperar as perguntas. Livros ilustrados que mostram muitos tipos de família são um dos jeitos mais fáceis de entrar no assunto, porque deixam a criança ver os vários formatos simplesmente como parte do mundo. Os momentos do dia a dia também ajudam: comentar com leveza e apreço as famílias diferentes entre os amigos da criança vai ampliando, sem alarde, a ideia dela do que é normal. Ver a própria família representada tranquiliza a criança cuja família aparece menos.

Desenhos, filmes e as pessoas à sua volta também abrem portas naturais. Quando uma história ou uma família de verdade mostra um formato diferente do seu, um comentário simples e animado como "nessa família tem um pai só, e eles parecem felizes juntos" planta a ideia de que a variedade é normal e boa, sem precisar sentar a criança para uma conversa formal.

Fale com honestidade sobre a história da criança

Se a família da criança envolve separação, um pai ou uma mãe que morreu, adoção, reprodução com doador ou uma família recomposta, conte a verdade no nível dela e comece cedo, para que a verdade simplesmente sempre faça parte do mundo da criança, em vez de virar um choque revelado mais tarde. A abertura protege a criança; o segredo ensina vergonha. Dá para contar com amor o essencial da história dela sem explicar demais, e acrescentar detalhes conforme ela cresce.

Lide com comentários maldosos

Às vezes outra criança diz algo que machuca sobre um formato de família, o da sua criança ou o de outra pessoa. Prepare a criança com uma frase simples e confiante, como "a minha família é do jeitinho certo para mim". Garanta a ela que a família dela é boa e, se as provocações sobre a família continuarem, converse com a creche ou a escola. A criança merece sentir que a família dela é respeitada, e os adultos devem sustentar isso com firmeza.

Quando buscar apoio

Falar sobre os formatos de família é uma parte normal e saudável da criação. De vez em quando, porém, uma mudança na estrutura da família, como uma separação, uma perda ou uma nova família recomposta, causa um sofrimento que dura. Se a criança parecer triste, ansiosa, grudada ou retraída de forma persistente, ou estiver com dificuldade de se adaptar, converse com o pediatra, a unidade de saúde ou a escola. Apoio numa fase de mudança na família ajuda a criança a se sentir segura de novo, e pedir cedo é sabedoria, e não fraqueza.

Para levar com você

Para falar sobre diversidade familiar com crianças pequenas, comece pelo amor, mantenha a linguagem calma e comum, responda às perguntas de forma simples e honesta e garanta que a criança ouça a própria família descrita com orgulho. Assim, você cria uma criança enraizada na própria família e generosa com a família dos outros, que é exatamente o que pertencer a um mundo diverso pede.

Para guardar: Defina família pelo amor e pelo cuidado, use um tom calmo do dia a dia e diga o formato da sua família com orgulho, para que a criança se sinta segura e continue gentil.

CDC, Positive parenting and healthy family relationships

NHS, Children and young people's mental health and wellbeing