O que rola e o que não rola? Uma exploração em casa

Dê a uma criança pequena uma bola e um objeto com cantos, e repare no que ela faz. A bola é empurrada e perseguida pelo chão; a caixa é empilhada ou arrastada. Em algum lugar dessa escolha instintiva mora uma grande ideia sobre formas, e você pode trazer essa ideia à tona com um jogo leve de separar. Por que algumas coisas saem rolando e outras ficam paradas? A resposta está escondida bem à vista, nas formas espalhadas pela casa.

O enigma de todo dia

Rolar é um dos primeiros movimentos que a criança pequena controla de propósito. Uma coisa redonda que foge quando a gente empurra diverte sem parar, e a criança repete o empurrão dezenas de vezes. Essa repetição não é só diversão. É a criança juntando evidências sobre quais objetos se movem desse jeito mágico e quais se recusam teimosamente.

A forma por trás do movimento

As coisas rolam quando têm uma superfície curva e lisa, sem cantos para travar, como uma bola ou um tubo. Uma forma redonda pode virar e virar sem nunca empacar. Uma caixa ou um tijolo tem lados retos e quinas, então tomba numa das faces e fica ali. A criança não precisa da palavra curva para sentir o padrão. Só precisa testar muitas formas e ver o que acontece.

Juntando os objetos de teste

  • Coisas que podem rolar: uma bola, uma laranja, um carretel, um tubo de papelão, uma lata, uma bolinha de gude para as crianças maiores.
  • Coisas que provavelmente não rolam: um livro, um bloco de madeira, uma caixa, um sapato, uma panelinha.
  • Uma rampa suave, como uma bandeja apoiada numa almofada, ou só um pedaço livre de chão.
  • Duas caixas ou bambolês para separar o que rola do que não rola.

Misture itens óbvios com alguns difíceis, como um cone ou um brinquedo em formato de ovo, para despertar pensamento de verdade.

Fazendo a exploração

A exploração do que rola funciona melhor como uma série de pequenas previsões. Mostre cada objeto e pergunte à criança se ele vai rolar, depois dê um empurrãozinho na rampa e descubram. Coloque no grupo do que rola ou do que fica parado. Voltem aos que surpreenderam, como uma lata que rola deitada mas não em pé, e deixe a criança tentar entender por quê. A própria separação vira uma conversa contínua sobre formas.

O que a criança está aprendendo

Muita coisa cabe nesse jogo simples. A criança compara e classifica, colocando objetos em grupos pelo jeito como se comportam, o que é pensamento matemático e científico dos primeiros anos. Liga uma causa, a forma, a um efeito, o rolar. Constrói a linguagem da forma e do movimento: redondo, reto, borda, canto, rolar, deslizar, tombar. Prever e depois conferir cada objeto dá treino repetido no hábito central de testar uma ideia. Contar quantos objetos caíram em cada grupo acrescenta um pouco de matemática, e explicar por que algo rolou ou ficou parado ajuda a criança a colocar o raciocínio em palavras. Depois de várias rodadas, ela também começa a prever com mais acerto, usando o que percebeu nas tentativas anteriores em vez de chutar ao acaso.

Indo além

Quando a criança estiver confiante, acrescente uma novidade. Reparem que um tubo ou uma lata só rola deitado, então a posição importa tanto quanto a forma. Testem um cone e vejam ele rolar em curva, e não em linha reta. Experimentem o mesmo objeto redondo no tapete e num chão liso e vejam qual vai mais longe. Perguntem qual objeto desce a rampa mais rápido e organizem uma corridinha para descobrir.

Com segurança

Escolha objetos maiores do que uma bolinha de tênis de mesa para as crianças que ainda levam coisas à boca, porque bolinhas de gude e bolas pequenas podem causar engasgo e ficam melhor guardadas para crianças maiores, com supervisão. Evite qualquer coisa pesada que possa machucar um pé se rolar da mesa, e deixe fora da brincadeira latas com bordas cortantes. Monte longe das escadas, para um objeto desgovernado não levar a criança até elas.

Quando procurar orientação

Aqui não existe acerto nem erro: é só brincadeira com ciência dentro. Ainda assim, você é quem melhor conhece a sua criança. Se você tem preocupações mais amplas com o jeito como a criança se movimenta, pega objetos, acompanha as coisas com os olhos ou se envolve nas brincadeiras, ou se ela não parece interessada em explorar o que está em volta na idade em que você esperaria, é razoável levar isso ao pediatra. Perguntas feitas cedo são sempre bem recebidas e nunca são exagero.

Para levar com você

A exploração do que rola e do que não rola transforma a sala num laboratório de formas. A criança descobre que coisas redondas rolam e coisas com cantos não, e pratica prever, testar e separar pelo caminho. Junte um punhado de objetos, faça uma pergunta curiosa antes de cada um e deixe a criança correr atrás das respostas pelo chão.

Para guardar: Junte objetos redondos e com cantos, peça que a criança preveja quais vão rolar, depois testem e separem, para ela descobrir que formas curvas rolam e formas retas, com quinas, ficam paradas.

CDC, Developmental Milestones

NHS, Play and learning