Criança chora quando deixo na creche: o que tentar
Poucas coisas doem tanto quanto ir embora enquanto a criança estica os braços e soluça. Dá para passar o caminho inteiro até o trabalho duvidando de cada decisão. Ajuda saber que a criança que chora quando você a deixa na creche está vivendo uma das experiências mais comuns da primeira infância, que esse choro costuma falar mais de amor do que de problema e que existem coisas práticas e gentis para tentar.
Por que o choro acontece
Para uma criança pequena, ficar num grupo significa se separar da pessoa que representa segurança. A ansiedade de separação é uma fase normal do desenvolvimento, um sinal de que a criança criou um vínculo forte com você, e não de que algo vai mal. O choro é o jeito da criança protestar contra um momento difícil. Entender isso alivia um pouco a culpa, porque o choro passa a ser visto como um sentimento saudável, e não como um veredito sobre a sua escolha ou sobre a creche.
O que costuma acontecer depois que você sai
Um dos fatos mais tranquilizadores sobre esse choro é a rapidez com que ele muitas vezes para. Muitas crianças se acalmam poucos minutos depois que o adulto sai, quando a carga emocional do tchau passa e uma professora chama a criança para brincar. Pergunte à professora de referência quanto tempo o choro realmente dura. Algumas creches mandam com prazer uma mensagem quando a criança já está entretida, e isso pode transformar o resto do seu dia.
Tchau curto e seguro
Despedidas longas e arrastadas costumam esquentar a emoção em vez de esfriar. Quando você fica rondando, abraça de novo e de novo ou volta várias vezes, a criança sente a sua hesitação e entende que vale continuar protestando. Um tchau breve, carinhoso e confiante funciona melhor: um abraço, uma frase conhecida, a entrega à professora e pronto. Pode parecer contraditório deixar uma criança chorando, mas uma separação clara costuma encurtar o sofrimento em vez de prolongar.
Nunca desapareça sem avisar
Por mais tentador que seja sair enquanto a criança está distraída, desaparecer sem dizer nada tende a piorar as coisas com o tempo. A criança que levanta os olhos e descobre que você sumiu aprende que você pode desaparecer a qualquer momento, o que pode aumentar a ansiedade na entrada e se espalhar em grude em casa. Sempre se despeça, mesmo rapidinho. A sinceridade de que você está indo, junto com a alegria de que vai voltar, é o que constrói aos poucos a confiança que diminui o choro.
Leve um pedaço de casa
Um pequeno conforto pode fazer a ponte entre o seu colo e a sala. Se a creche permitir, um bichinho de pelúcia preferido, uma fralda de pano, uma foto da família na mochila ou até um desenho rápido podem lembrar que você existe e vai voltar. Tem quem deixe um beijo guardado na palma da mão da criança para durar o dia todo. Essas pequenas âncoras dão à criança algo para segurar, literalmente, quando a saudade aperta.
Trabalhe em equipe com as professoras
A professora de referência é peça central para aliviar esse choro. Conte o que acalma a criança, combinem uma recepção acolhedora, como uma atividade preferida já pronta na chegada, e peça que ela receba a criança do mesmo jeito todas as manhãs. Uma entrega carinhosa e conhecida ajuda a criança a passar da saudade para o interesse pela sala. As professoras fazem isso todos os dias e costumam ter ideias práticas pensadas para cada criança.
Suavize a manhã inteira
Às vezes o choro no portão é só a última expressão de um começo de dia estressante. Um despertar mais calmo, um café da manhã sem pressa e alguns minutos de folga para ninguém correr diminuem a tensão que a criança leva para a creche. Nomear os sentimentos com delicadeza no caminho, dizendo que tudo bem sentir saudade e que muitas crianças sentem, ajuda a criança a se sentir compreendida, e não corrigida por estar chateada.
Cuide dos seus próprios sentimentos
Crianças captam a emoção dos adultos com uma precisão impressionante. Se a sua ansiedade está alta no portão, a criança tem mais chance de continuar angustiada. Isso não significa esconder tudo o que você sente, só que um jeito firme e confiante na entrada dá à criança permissão para se acalmar. Se precisar, deixe o aperto no peito para o carro. Muitas famílias percebem que a culpa diminui quando descobrem o quanto a criança se recuperou rápido.
Dê tempo para assentar
Lugares novos e fases novas levam um tempo. A maioria das crianças que chora na entrada se acalma aos poucos ao longo de dias ou poucas semanas, conforme a confiança no lugar cresce. Avalie o avanço ao longo da semana, e não por uma segunda difícil. A constância é a sua aliada, então mantenha o mesmo tchau curto e a mesma rotina mesmo quando parecer que ainda não está funcionando.
Quando buscar mais apoio
Choro de vez em quando é normal e costuma passar. Converse com a professora de referência ou com o pediatra se o sofrimento for intenso e não der sinal de melhora depois de várias semanas, se a criança parecer ter medo e não só tristeza, ficar retraída, ou se o sono e o apetite desandarem por semanas. Confie no seu instinto sobre a creche em si; uma conversa tranquila logo cedo é sempre razoável.
Para guardar: Faça um tchau curto e sincero, mande um objeto de conforto e pergunte quanto tempo a criança leva para se acalmar depois que você sai.