Por que cada criança cresce num ritmo diferente

Fique na porta de qualquer escolinha e a variedade salta aos olhos. Duas crianças da mesma idade podem ter uma cabeça de diferença na altura, uma ainda bochechuda e a outra de repente toda pernas. Os pais muitas vezes se perguntam se essa variedade está tudo bem, e quase sempre está. As crianças crescem em ritmos diferentes por motivos que estão, em boa parte, escritos na biologia delas, e entender esses motivos tira muita preocupação desnecessária.

Os genes traçam o plano geral

A maior influência sobre como uma criança cresce é herdada. A altura, em especial, é muito de família. Se os dois pais são altos, a criança provavelmente vai ser alta, e pais mais baixos tendem a ter filhos mais baixos. É por isso que o pediatra às vezes estima uma faixa aproximada usando a altura dos pais, e por isso uma criança num percentil mais baixo pode estar crescendo exatamente conforme o plano.

Os genes também moldam o biotipo e o tempo do crescimento, não só o tamanho final. Algumas famílias simplesmente se desenvolvem mais cedo ou mais tarde. Uma criança pode ser pequena por anos e depois alcançar os outros, seguindo um calendário herdado, e não um problema.

O tempo é diferente para cada criança

O crescimento não tem ritmo uniforme. Ele vem em estirões separados por períodos mais calmos, e o calendário desses estirões varia muito. Uma criança pequena dá um pulo em quinze dias enquanto o amigo da mesma idade quase não muda, e um mês depois o padrão se inverte. Como as crianças crescem em ritmos e calendários diferentes, comparar duas num dia qualquer diz muito pouco.

Esse tempo irregular é completamente normal. Uma pausa geralmente é só a parte plana entre dois saltos, não uma parada. Ao longo dos meses, a maioria das crianças acompanha com constância a própria linha, mesmo que o ritmo de semana em semana pule para lá e para cá.

Alimentação, sono e atividade também contam

Junto com os genes e o tempo, o dia a dia sustenta o crescimento. Uma alimentação variada, com energia, proteína e nutrientes importantes suficientes, dá ao corpo os ingredientes para crescer. O sono também importa, porque boa parte do hormônio do crescimento é liberada durante o sono profundo. Brincadeiras ativas regulares fortalecem ossos e músculos e ajudam o apetite.

Nada disso precisa ser perfeito. A criança não precisa de uma alimentação impecável nem de uma hora de dormir rígida para crescer bem. O que conta é o padrão geral ao longo das semanas, e por isso uma semana de seletividade ou algumas noites tarde não tiram o crescimento do trilho.

Saúde e história do começo da vida também importam

O caminho de crescimento da criança também é moldado pelo começo da vida e pela saúde. Bebês que nasceram antes do tempo ou pequenos podem seguir uma trajetória diferente no início antes de se acomodar no próprio padrão. Doenças frequentes ou longas podem desacelerar o crescimento por um tempo, com recuperação quando a criança melhora. Algumas condições crônicas afetam o apetite ou o aproveitamento dos nutrientes, e esse é um dos motivos de as equipes de saúde acompanharem a tendência geral.

Como muitos fatores se combinam, duas crianças igualmente saudáveis podem parecer bem diferentes. A meta não é fazer toda criança caber num ideal único, e sim conferir se cada uma está crescendo com constância do jeito que é.

Padrões comuns que parecem estranhos, mas não são

Algumas variações normais pegam os pais de surpresa:

  • Quem floresce mais tarde. Algumas crianças, muitas vezes com história disso na família, crescem e amadurecem mais tarde e alcançam os outros na adolescência.
  • Afina e depois encorpa. A criança pode ficar mais magrinha enquanto ganha altura e depois encorpar de novo, então o biotipo vai e volta.
  • Pequena, mas constante. Uma criança pode ficar num percentil baixo por anos e ser totalmente saudável, só seguindo a própria linha.
  • Braços, pernas e feições em tempos diferentes. Partes do corpo crescem em momentos um pouco diferentes, então as proporções mudam ao longo da infância.

Reconhecer a sua criança numa dessas descrições costuma tranquilizar, e não preocupar.

Quando o diferente merece avaliação

Variedade é normal, mas uma mudança no padrão da própria criança é o sinal para prestar atenção. Vale conversar com o pediatra se o crescimento da criança cair cruzando duas ou mais linhas de percentil com o tempo, se a altura ou o peso ficarem estacionados por um período longo, ou se o crescimento lento vier junto com falta de apetite, pouca energia, doença crônica ou marcos que não chegam. Um crescimento muito precoce ou muito rápido, bem fora do compasso da família, às vezes também merece avaliação.

A preocupação raramente é a criança estar numa das pontas da faixa. É uma mudança real em relação à linha que ela vinha seguindo, principalmente com outros sintomas.

Deixando a criança crescer no próprio tempo

Ajuda imaginar o crescimento como uma jornada pessoal, e não uma corrida. A criança não está competindo com o amigo mais alto nem com o primo mais pesado. Ela está seguindo um plano herdado, no próprio tempo, sustentado por boa comida, sono e brincadeira do dia a dia. Comparações entre crianças num dia qualquer geram mais ansiedade do que informação.

Se a criança come razoavelmente, é ativa, dorme e alcança os marcos, o ritmo de crescimento dela muito provavelmente é o certo para ela. Confie na tendência, cuide do básico e deixe as diferenças entre as crianças serem o que geralmente são: simplesmente normais.

Para guardar: Crianças saudáveis crescem em ritmos diferentes por causa da genética, do tempo, da alimentação e da saúde. Uma tendência pessoal estável importa muito mais do que acompanhar outra criança.

NHS, Baby height and weight

WHO, Child growth standards